A ética e a moralidade pública. Onde estão?

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Perdoem-me os leitores da Revista, na sua maioria operadores e defensores do Direito e da Justiça – personalidades com senso moral e escrúpulos –, pelo uso dos vocábulos pejorativos abaixo, a que sou forçado e justifico, revoltado pelo desplante e pela desmoralização que levaram a Câmara dos Deputados a promover e conceder com honrarias e fantasiosa divulgação a entrega da alta condecoração do Poder Legislativo ao ativista João Pedro Stedile, insuflador da rebeldia contra a lei junto aos trabalhadores rurais, pregando desde há muito e abertamente a desobediência civil com a prática de invasões de propriedades produtivas privadas, com violências, cometimentos de crimes, mortes, sequestros, roubos, depredações de bens e outras barbaridades, como comumente tem acontecido nos últimos tempos, e que, infelizmente, tem contado com a tácita omissão e até o beneplácito das autoridades responsáveis.
Em momentos como este, mesmo contristado, vale lembrar, como exemplo e estigma do menosprezo, as significativas e memoráveis palavras pronunciadas pelo eminente e respeitável ministro Carlos Ayres Britto, ao condenar o corrupto governador Arruda: “Dói na alma e no coração ver um governante sair preso do palácio para a cadeia”. O mesmo sentimento de asco e aversão, também com vergonha cívica, foi ver publicada nos jornais a fotografia dos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados com o indigitado Stedile ao centro, propositadamente com a camisa desabotoada, desconsiderando o local e a cerimônia, portando a honraria recebida na solenidade no plenário da Câmara Federal.
A patética e degradante cena, imoral e antiética, feita ostensivamente, consagra a desmoralização, o esculacho e a esculhambação das autoridades e, por consequência, também do Poder Público.
Acresce, ainda, que a infeliz fotografia dos conhecidos parlamentares na companhia do renomado agitador, além do comprometimento com a reforma agrária, cuja efetivação tem servido de propósito, subterfúgio, tema e pretexto para a demonstração pelos invasores, de normas e princípios anárquicos bolchevistas, desrespeitando e abusando do Poder constituído, serve para induzir e incentivar a questão agrária e possibilitará ainda mais e abertamente o confronto com o Estado Democrático de Direito que vivenciamos.
Não acredito que nos tempos de hoje exista quem seja contra a efetivação da reforma agrária, desde que feita com o atendimento e o cumprimento da lei, portanto, atos e atitudes de parceiros e do próprio Stedile têm de ser reprimidos com a obediência e a força da lei. Os acontecimentos vividos nos últimos dias no Rio de Janeiro, com a invasão das favelas, o pronto combate ao tráfico e a imposição pelas Forças Armadas, do respeito às autoridades e o cumprimentos das leis, deixa claro que o Poder Público constituído não pode nem deve transigir nem tergiversar no tratamento com fraudadores e delinquentes, sejam da espécie e do quilate que forem.
O deboche feito pela população do Estado de São Paulo através da veemente, e acintosa votação de um milhão e trezentos mil votos dados ao palhaço Tiririca constitui, na realidade, o escárnio, a repulsa e o revide do povo aos membros do Poder Legislativo pela forma e maneira como conduzem e se comportam com o mandato popular, que emporcalham com ações e atitudes indignas e imorais praticadas contra os interesses das comunidades – que se quedam desamparadas nos corredores e nas portas das casas de saúde em busca de atendimento hospitalar, de medicamentos e de mínima atenção, enquanto aqueles que deveriam ser seus representantes locupletam-se e banqueteiam com aumentos de salários nababescos, usufruindo mordomias, sinecuras e outras indecentes e imorais benesses.
A insensatez, o absurdo e o descalabro financeiro que o malfadado aumento dos salários dos deputados federais e senadores propiciarão nas administrações públicas federal, estadual e municipal produzirá um efeito cascata que trará um desastre econômico cujas consequências serão sentidas e sofridas pela população desassistida e desamparada que existe por esse Brasil afora – desesperançada, doente, com fome e desamparada. Enquanto a fome e o desespero ocorrem na casa da infeliz e sofrida população, os jornais, a televisão e os meios de comunicação já estampam a farra dos aumentos nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores, onde, nas pequenas e pobres cidades do interior do país, faltam, entre outras necessidades prementes, assistência médica, leitos para os doentes e principalmente medicamentos, além da escassa merenda escolar, já há vereadores, que no uso do efeito cascata, anunciam que vão abocanhar o salário de quinze mil reais por mês.
Infelizmente, são esses e outros repetitivos atos de imoralidade pública, de escárnio e zombaria e desfaçatez praticados contra a população pelos insensíveis e irresponsáveis deputados e senadores em Brasília que fazem com que o povo, em revide às desmoralizações, patranhas, abusos, locupletação e enriquecimento ilícito, patenteados nos atos em benefícios próprios, busque assemelhá-los a figuras ridículas e animais, como aconteceu no passado quando votaram no Cacareco, no macaco Tião, no Enéas, e agora no ator Tiririca, cujo símbolo de palhaçadas ridículas, por certo, configura o conceito pejorativo com que a população define os deputados e senadores, cujos índices de aprovação são insignificantes – como eles próprios demonstram e se classificam.

Cor da Pele (skin)
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