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A ordem chegou!

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A antológica lamúria que o Ministro Carlos Ayres Britto proferiu em seu voto negando o habeas corpus impetrado pelo nefando ex-governador do Distrito Federal, Roberto Arruda, vem à baila como símbolo do espanto pela indignidade cometida, toda vez que a imprensa divulga casos de rapinagem praticados por políticos e seus comparsas e apaniguados contra os cofres públicos.

Essa desprezível mácula que, como um estigma, já se tornou corriqueira, vem-nos desde a República Velha, e faz-nos lembrar da época de um conhecido político paulista que, no exercício de vários cargos – deputado, prefeito e governador –, ganhou fama de desonesto e corrupto, esta adquirida durante os vários mandatos que exerceu, nos quais praticou continuados crimes, fraudando licitações, apropriando-se de dinheiro público e outras mazelas e bandalheiras, o que lhe valeu a alcunha e vulgo de “ROUBA, MAS FAZ”.

Passou-se mais de meio século de falcatruas praticadas por esse indigitado meliante, que deixou escola de seguidores e escroques que, como uma praga, vêm se alastrando sucessivamente em todos os setores dos Poderes da República.

Os atuais predadores do erário público, Ministros de Estado, Senadores, Deputados, Prefeitos, Vereadores e seus prepostos, que atuam com despudor nas áreas respectivas, agora dotados de mais requinte e especialidade na prática de lesar o erário público com desmandos e ladroagens contra as respectivas administrações, com atos de continuado surrupiar das verbas e dinheiros públicos, trazem como consequência que a infeliz e desassistida população carente e miserável deste País afora – que há décadas sofre e se vê privada do uso e proveito de assistência e benefícios na saúde, na falta da merenda escolar, na construção, nas caatingas do Nordeste, de simples cacimbas para captar água da chuva para mitigar a sede – fica impossibilitada de ter assistência e de sair da condição de miséria em que desgraçadamente vive.

Os escândalos denunciados pela mídia e trazidos a público na imprensa do País sobre a corrupção aberta, abundante e escandalosa, com notícia de desvio criminoso de bilhões de reais dos cofres públicos praticado no Ministério dos Transportes, por meio do Departamento Nacional de Infraestutura de Transportes (Dnit) e da Valec Engenharia e Construções (empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes), proveniente de licitações fraudadas com contratos de obras superfaturadas; pagamentos por construções de estradas rodoviárias com pontes e viadutos inacabados; construção de portos fluviais no Rio Amazonas, ao custo de R$ 44 milhões, que não resistiram à sua variação [do rio]; obras, também superfaturadas, denunciadas no sistema ferroviário, a cargo da empresa Valec Engenharia e Construções, além das escandalosas provas de enriquecimento ilícito e ostentação de riqueza, posse de mansões, iates e automóveis de alto luxo dos diretores do Ministério dos Transportes, demonstram claramente a corrupção existente nesse Ministério.

O afastamento e as demissões, pronta e imediatamente ditados pela presidenta Dilma Rousseff, dos Ministros da Casa Civil, inclusive de todos os diretores do Ministério dos Transportes, demonstram que o novo governo está imbuído de propósitos moralizadores na administração pública federal, o que não deve constituir surpresa para quem se lembra do discurso de posse na Presidência da República, no qual, de viva voz, a nova titular expressou claramente:

“Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.”

Com a credulidade e o otimismo de quem ainda vibra com o som e o canto do Hino Nacional, o hastear da Bandeira Nacional e a esperança que vemos retratada no riso de uma criança, podemos vislumbrar, nesse começo do novo governo, sob o comando e liderança de uma mulher extraordinária que o destino reservou para dirigir a Nação, que vem demonstrando, com uma rígida conduta de trabalho, ação e dignidade, que o Brasil poderá vencer a batalha da moralidade contra a corrupção, repondo a administração pública na linha da conduta moral e da dignidade, tornando-se, enfim, um país sério e responsável.