A posse do presidente do TSE

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“Chorou diante da corrupção
que seus olhos contemplavam,
mas como na lágrima de Guerra Junqueiro tremeu, tremeu
e quedou-se silenciosamente,
ao invés de oferecer uma reação”
Orpheu Salles

Estou hoje convencido de que para se efetuar a desejada mobilização  da consciência político-social de um povo, não basta apelar para seu patriotismo ou mesmo para seu interesse; antes é necessário primeiro, formular um ideário de combate em que ele creia; e, depois, convocá-lo para que interprete, na realidade, por seus próprios meios, aquilo em que crê.

Essa reflexão tem seu apoio nas palavras que o Ministro Marco Aurélio de Mello proferiu ao tomar posse como o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, quando acentuou: “no que depender desta presidência, o Judiciário compromete-se com redobrado desvelo na aplicação da lei. Não haverá contemporizações a pretexto de eventuais lacunas na lei…”

Ademais, com a sua característica de autenticidade manifestou o seu desapontamento como homem público, sem cometer nenhum desrespeito aos mais elementares deveres de cortesia – eis que não registrou nomes nem indicou pessoas – ao destacar o lado banal, vulgar, que invade a sociedade.

“São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o país em dois segmentos estanques – o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura; e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir”.

Esse brado de alerta chama a atenção para o fato irrecusável de que a sociedade sem idéias de impulsão nem capacidade de ação e opção, é sociedade letárgica, mais vencida do que vencedora.

Ora, toda a estratégia de resistência, longe de começar nas coisas e nos bens de fortuna, deve ter início no ser humano, esse esquecido, e acabar nas coisas, que são servas dele. Só o apelo ao esforço individual de cada um – como coloca em relevo o Ministro Marco Aurélio – e a crença na insubstituição do contributo pessoal do “homo politicus” é que garantirão a vitória nas crises de sobrevivência.

O atual Presidente do Tribunal Superior Eleitoral faz lembrar, nas entrelinhas do seu irretocável discurso de posse, de que ninguém entra na História pela porta escancarada da ambição pessoal e sim pelo estreito caminho da dignidade pessoal.

A “Justiça e Cidadania” ao homenageá-lo com a capa desta edição, estará a seu lado, oferecendo reação , como diz Orpheu Salles, ao invés de quedar-se silenciosa, parafraseando o grande poeta português Guerra Junqueiro.

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