A tocha do idealismo

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Desde quando, no ano de 776 antes de Cristo, a Grécia instituiu os jogos olímpicos em honra a Zeus, e mesmo depois, a partir de 1933, quando foram criados os jogos olímpicos modernos, a tocha foi acesa na pira olímpica e passou a simbolizar, entre outros dons e significados, a propagação da paz no mundo e o congraçamento do idealismo universalista.

A lembrança do simbolismo da tocha vem num momento preciso e necessário, em que os valores éticos, morais e cívicos da Nação se encontram abalados pelos escândalos que explodem constantemente nas altas esferas da política e da administração pública, como o definido tristemente pelo eminente Ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, quando no julgamento do nauseabundo Governador de Brasília, Roberto José Arruda, pronunciou a frase que, como um ferrete, marcou impiedosamente a desgraça do infeliz e corrupto político: “Dói na alma e no coração ver um governante sair direto do palácio para a cadeia. Há quem chegue às maiores alturas para fazer as maiores baixezas.” Assim como o Governador de Brasília foi cuspido do cargo pela Justiça, outros tantos, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, pilhados também pelos crimes praticados, graças às ações da Polícia Federal e do Ministério Público, já  foram eliminados e, finalmente, expulsos da vida pública. Os movimentos populares propugnando pela Ficha Limpa dos candidatos a mandatos do Executivo e Legislativo, já sancionado, constituem o início de novos rumos na condução ética nas próximas eleições. Oxalá isso aconteça.

Entretanto, esse vestígio de moralidade deve ser cultivado e incentivado com a divulgação de exemplos edificantes de personalidades que granjearam o respeito público pelas ações e trabalhos que realizam, na maioria das vezes, anonimamente ou apenas no seu meio.

O jornalista, por mais de uma vez, tem propalado um dito que lhe foi dado num momento difícil de sua existência, quando inconformado com humilhações, amarguras, perseguições e  sofrimentos recebidos injusta e indevidamente, procurou o conforto de palavras amigas que lhe trouxessem ânimo, confiança e coragem para continuar resistindo, lutando e sobreviver. Foi numa das muitas viagens, entre São Paulo e Rio de Janeiro, na Rodovia Presidente Dutra, que, passando pela cidade de Aparecida, resolvi visitar o notável religioso e  afável amigo, Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Mota, de quem me havia afeiçoado pela cordialidade com que sempre recebia, quando de sua ação apostólica no Arcebispado de São Paulo. Depois de ouvir queixas, lamentações e quase desespero, ele, muito circunspecto, fez mais ou menos a seguinte peroração: “Caríssimo Orpheu: todos nós, durante a vida, passamos por alegrias e sofrimentos e, às vezes, quando compartilhamos desses sentimentos, eles se tornam por demais contagiantes pela empatia que nos envolve; entretanto essas vicissitudes, quando pungentes, têm que ser suplantadas com coragem e ânimo forte. Quem, como você, que vivencia a moralidade, a ética, a coragem e principalmente o destemor, como tem demonstrado com estoicismo e inclusive com resignação, tem que se conduzir na vida como uma vela, de pé, iluminando e se consumindo até o fim, porque pessoas com o seu caráter e determinação não podem fraquejar nunca.”

Quantas pessoas humildes ou potentado, ricos ou pobres, negros ou brancos, que pervagam por esse Brasil afora e se conduzem não como uma vela, como disse o digno Cardeal Mota, mas como uma tocha, arrancada da pira e levada pela vida, iluminando os caminhos e espargindo esperanças e otimismo.

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