Cidadão do mundo

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Mais uma justa homenagem para um filósofo da Ciência Jurídica foi a que fez a egrégia Academia Brasileira de Filosofia, para Bernardo Cabral, no dia 27 de março de 2012, evento com um duplo sabor, porque a data marca o aniversário do laureado.

Em verdade, poder-se-ia dizer, sem cometer equívocos, que o jurista, intelectual, político e filósofo Dr. José Bernardo Cabral é um homem além do seu tempo. Mas seria muito pouco para quem tem a esfinge de um Cidadão do Mundo. Sobre homens considerados capazes de viver além de seu tempo, pela excepcional qualidade humana, tornaram-se, assim, definidos: Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, José Bonifácio de Andrada e Silva – o patriarca da independência do Brasil –, Van Gogh, Josué de Castro, Francisco Xavier e outros seres humanos que, com suas ideias e filosofias de vida, transformaram o mundo.

Bernardo, um incansável colecionador de lauréis, não pode ser contemplado sob determinado aspecto humano, posto que, sendo multifacetado em suas várias atribuições, faz-se necessário estudar, em cada atuação deste amazônida, o gigantismo que o acompanha desde o nascimento, quando sem escolher, Deus o agasalhou no esplendor universal de sua natureza, dando-lhe como berço para nascer, a grandeza do Amazonas.

E foi singrando as águas do maior rio do universo – o Amazonas soberbo e caudaloso – que de lá Bernardo partiu e aportou no mundo. A sua competência jurídica, a sua essência política, a larga intelectualidade, que lhe outorga a versatilidade de suas orações confeitadas pelo doce da poesia e a leveza da sedução, dão-lhe o encanto pessoal, que só as árvores frondosas da floresta amazônica permitem aos cidadãos do mundo, que sentem o sopro de suas folhas, e que com ela se casam e nunca perdem a paixão telúrica.
E por que Cidadão do Mundo? Porque Cabral, onde quer que se faça presente, no Brasil ou no exterior, jamais deixou de ser referendado, diplomado, laureado, ovacionado e homenageado pelo seu desempenho espetacular. E foi assim em Roma, Paris, Tel Aviv, Hungria, Portugal, Espanha, Estados Unidos e tantos outros países que tiveram o privilégio de ouvir suas conferências.

Como já expressei em recente saudação que lhe fiz, é um cidadão condecorado em municípios, estados, países e nas mais significativas entidades nacionais e internacionais, e este andarilho maravilhoso das conferências aqui e alhures, não é mais um cidadão brasileiro, como se pretende querer, nós que o admiramos e o veneramos, porque Bernardo Cabral é um cidadão sem fronteiras, um homem além do seu próprio tempo de realizações e, sem dúvida, já ingressou, com méritos, na História do Brasil. Cabral é um Cidadão do Mundo, diante do qual deveremos renunciar à pretensão de que nos pertence num sentimento de brasilidade. Feito para o mundo, é filho do mundo, sem deixar de ser um brasileiro amante do Amazonas.

 

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