Edição: 16

Revista JC Edição nº16

edição nº 16 05/06/2001 A posse do novo presidente do STF

A posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal é o tema de capa desta edição. Confira o que disse às autoridades e demais participantes do evento, o ministro Marco Aurélio Mello. Ele ainda assina artigo que trás uma visão realista sobre o Poder Judiciário. Também do Supremo, o ministro Celso de Mello fala sobre direitos humanos e reforma do judiciário, em texto publicado neste número da revista.

O último coronel oligarca
     De um eminente Senador da Republica ouvi logo após a renuncia de Antonio Carlos Magalhães: “e a morte política do ACM”, ao que em pensamento retruquei: infelizmente não foi enterrado, pode vir ainda a ressuscitar e dar continuidade as suas safadezas.
     Com a promulgação da “Constituição Cidadã”, em outubro de 1988, tinha-se a impressão que as oligarquias políticas e o coronelismo tenderiam a desaparecer pela oxigenação da democracia.
     Infelizmente, tal não sucedeu e, da Bahia – de tantas glórias e tradições, de tantos heróis e patriotas – surgiu a figura de um político inexpressivo, cria espúria da velha UDN, seguidor subserviente de Juracy Magalhães, de quem aprendeu as manhas, vaidades, arrogância e prepotência, praticas essas que adotava com o despotismo próprio dos ditadores arrasando seus adversário e desafetos.
     A trajetória política e pessoal de Antonio Carlos Magalhães, se constitui num papel sujo, de servidão ao regime militar, ao qual serviu como sabujo autoritário, se desmandando em atos espúrios, como o de mandar açular um grupo de cães contra o Deputado Ulisses Guimarães, em sua campanha presidencial na Bahia.
     Usou e abusou do cargo que exerceu de Ministro das Comunicações, para ilegal e arbitrariamente constituir na Bahia um aglomerado de televisões e cerca de 80 estações de radio distribuídas aos parentes, seus apaziguados e seguidores, formando, então, um curral eleitoral que usa em benefício próprio, dos seus fâmulos e seu partido político.
     A sua cassação, da qual escapou com medo e vergonha, fugindo pela renuncia, constitui a caracterização da sua personalidade, carregada de um “passado de trevas, sombras, arrogância, corrupção, cinismo e dissimulação”.
     Oxalá, a morte política de Antonio Carlos Magalhães, como conseqüência, traga no seu bojo o enterro definitivo de um coronel oligarca pernicioso, que não se vexou, durante os últimos 20 anos, em renegar os direitos e anseios da parte carente do povo baiano. Compete, ainda e também, aos principais partidos políticos da Bahia, PSDB, PMDB, PT, PPS, PTB, PDT e outros, propugnarem a derrota definitiva do péssimo político, representante retrógrado do coronelismo e da oligarquia política.
Orpheu Santos Salles
Editor

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