Influências para toda a vida

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Ives Gandra da Silva MartinsA literatura sempre foi e continuará sendo verdadeira fonte de inspiração para o reconhecido jurista Ives Gandra da Silva Martins. A poesia, revelou ele à coluna, foi o primeiro gênero a conquistá-lo e a guiá-lo. Era fã inconteste de Guilherme de Almeida, importante advogado, jornalista, crítico de cinema, ensaísta, tradutor e – sobretudo – poeta da primeira metade do século passado. Ives leu toda a obra do escritor.

Compartilhava da mesma admiração pelo autor Saulo Ramos – renomado jurista e também escritor brasileiro, infelizmente falecido em abril do ano passado, aos 83 anos de idade. Martins e Ramos eram amigos. Na juventude, tinham por hábito declamar poesias, inspirados – claro – no ídolo que tinham em comum.

A obra do poeta teve repercussão na vida pessoal de Gandra Martins. “Saulo Ramos e eu, quando jovens e estudantes, viajávamos pelo interior declamando nossos poemas, inspirados pelo príncipe dos poetas brasileiros, à época Guilherme de Almeida. Até hoje, desde Olavo Bilac até Paulo Bonfim, só seis poetas mereceram esse título. Em seu livro Código da Vida, Saulo relata nossas aventuras interioranas”, conta o jurista.

A mesma influência se deu também na vida profissional do jurista. Quase como profetizando, o amigo Saulo costumava dizer a Ives que a advocacia lhes seria um meio para não apenas ganharem a vida, mas realizarem o sonho de se tornarem poetas. “Saulo vaticinava jocosamente e dizia ‘Ives, a advocacia será, para nós, o bico que sustentará a nossa verve poética’. E, na verdade, a obra desse grande vate foi uma das que mais influenciaram os meus escritos”.

Na universidade, os interesses se ampliaram. Gandra Martins apaixonou-se por outros gêneros da literatura. “Em Filosofia e Direito, os quatro diálogos de Platão, que cuidam da Justiça em Atenas, relatando o julgamento de Sócrates, parecem-me obras fundamentais para todo estudante de Direito e para a formação do jurista”, afirma.

“No primeiro, Etifron, seu amigo, é aconselhado por Sócrates a sujeitar-se ao julgamento de sua cidade, porque deveria crer na Justiça e nas leis de sua terra. No segundo, com lógica imbatível, Sócrates, ele próprio, submete-se a julgamento, podendo ir para outra cidade, defender-se de falsas acusações, mas, mesmo assim, é condenado à morte (Apologia). No terceiro, tem a oportunidade, oferecida por seus próprios julgadores, de fugir, recusando-a para dar exemplo à juventude de respeito às leis (Crito). E, no quarto, faz considerações serenas sobre a morte, para a qual diz estar preparado, por ser uma libertação (Fedon). Os quatro diálogos, indissociáveis, muito me influenciaram”, acrescenta.

O jurista também destaca a obra de Daniel Rops, A história da Igreja, em 10 volumes, publicado pela Editora Quadrante, como inspiradora. Os livros relatam a história do mundo nos últimos 2 mil anos à luz de uma perspectiva de valores. “Guilherme de Almeida, Platão e Rops foram, pois, os autores fundamentais na minha formação”, destaca.

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