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José Alencar, um belo exemplo de vida

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O vice-presidente da República, José Alencar, é um exemplo de força, de fé e de perseverança. Um homem raro, com certeza! Sua luta contra o câncer e seus depoimentos em relação aos tratamentos e operações e, ao mesmo tempo, a convicção de que ficará curado dessa maldita doença impressionam e o elevam a um patamar de um dos homens públicos brasileiros mais apreciados nos últimos tempos.

E não é à toa que o povo brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, acompanha, passo a passo, sua trajetória e disposição em vencer lutas, batalhas e o seu desejo reiterado de afastar do caminho pedras e obstáculos. Se fossem as tão famosas pedras do poeta Carlos Drummond de Andrade, seriam certamente mais fáceis…

De qualquer forma, José Alencar não nos dá um raro exemplo apenas pelas reações que demonstra em relação ao seu estado de saúde. Nos dias atuais, quando a ética e os valores humanos são desprezados, José Alencar, do alto da sua sabedoria, dá exemplos de dignidade, de honradez e de caráter. E é um belíssimo exemplo de vida. Uma lição espetacular de um mestre das palavras.

Nascido em Muriaé, em outubro de 1931, Alencar é um dos maiores e mais conceituados empresários das Minas Gerais, tendo construído a Coteminas, um império no ramo têxtil. Eleito senador com quase 3 milhões de votos, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Foi, desde 2003, vice-presidente da República, desem­penhando o seu papel de forma serena, mas, ao mesmo tempo, presente nos momentos em que precisava expressar sua opinião de forma mais veemente, tendo sido uma voz discordante no próprio Governo contra a política econômica defendida pelo então Ministro Palocci.

Transparente nas ações e externando sempre o seu pensa­mento, crítico, lúcido e inteligente com sinceridade, Alencar, em 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de Ministro da Defesa.

Em várias ocasiões, teve a oportunidade de demonstrar certo incômodo com o fato de permanecer em um cargo tão diferente dos seus vastos e reconhecidos conhecimentos empresariais, mas mesmo assim, e atendendo a um pedido do Presidente da República, exerceu sua função com discrição e bom senso por dois anos.

Alencar começou cedo a trabalhar, ainda aos sete anos, ajudando o pai, Antonio, em sua loja. Aos 15, atuou como balconista na loja A Sedutora. Dois anos mais tarde, em Caratinga, trabalhou na Casa Bonfim. Sempre foi considerado pelos amigos como um grande vendedor.

Querendo vencer na vida, resolveu, ao completar 18 anos, abrir um negócio. Para tanto, recebeu do irmão Geraldo um empréstimo e, assim, pôde abrir A Queimadeira, onde comercializava chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas…

De lá para cá, teve uma fábrica de macarrão, de cereais e, em 1963, inaugurou a Companhia de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar Wembley Roupas. Em 1967, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos do Brasil.

A Coteminas fabrica e distribui seus produtos, tais como fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis, para o mercado interno, Estados Unidos, Europa e Mercosul.

E foi em uma solenidade no Tribunal Superior do Trabalho que tive a honra de conhecer pessoalmente esse notável homem-guerreiro. Sua simpatia, afabilidade e simplicidade me surpreenderam. Poucas, muito poucas são as pessoas que agem e são como José Alencar. Depois, mantivemos alguns contatos, por intermédio do nosso amigo comum, o acadêmico Antonio Olinto, que nos deixou em 2009.

Lendo a revista “Veja”, deparei-me com uma entrevista absolutamente franca, na qual Alencar expõe suas convicções, sofrimentos, esperanças e se diz pronto para partir, ele relata: “Um dia desses me disseram que, ao morrer, iria encontrar meu pai, falecido há mais de 50 anos. Aquilo me emocionou profundamente. Se for para me encontrar com mamãe e papai, quero morrer agora”.

Ao mesmo tempo declara, nessa mesma entrevista, que se recebesse a notícia de que obtivera cura, abraçaria e diria a Dona Marisa, sua fiel escudeira e amiga de todas as horas: “Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim”.

José Alencar é um homem positivo, de bem com a vida, com muita fé. Pressão, temperatura, coração e memória, como ele mesmo revela, estão ótimos. Com consciência plena de que seu estado inspira cuidados, por ser grave, ele não desanima e repete sistematicamente: “Como para Deus nada é impossível, estou entregue em Suas mãos.”

José Alencar precisa vencer o câncer para continuar cumprindo com sua missão política, social, humana e empresarial. E o está vencendo. Assim, permanecerá contribuindo com toda a sua grandeza pessoal e profissional para a construção deste imenso Brasil, com ordem e progresso. Sua visão de mundo, a inteligência viva e brilhante e o seu tom sereno são componentes e características desse grande e ilustre homem público. Um verdadeiro estadista. E foi pensando no Brasil que abdicou de sua candidatura, por Minas Gerais, ao Senado da República. Justamente para continuar a colaborar com o Governo Lula até o último dia de seu mandato.

Por essa razão, todos os que têm o privilégio de conhecê-lo pessoalmente ou que acompanham sua trajetória sabem que José Alencar é de fato um exemplo raro para a atual geração e para as gerações do futuro.