Mandela sepultado. Mas seu sonho de uma África Do Sul menos desigual continua vivo

Compartilhar com

Nelson Mandela agora virou uma lenda. Mas, a África do Sul, – país que centralizou sua história e de onde pôde expandir para o mundo sua visão humanística como um herói da liberdade e dos direitos humanos, um guerreiro da paz, da solidariedade e da igualdade racial,- convive com  uma política corrupta e desigualdades sociais  imensas. A atuação de Mandela, histórica conseguiu provocar mudanças significativas na vida do país. Houve mudanças positivas, mas o grande líder morreu tendo, ainda, que ver seu país envolto em profundos problemas que afetam os negros moradores de favelas nas cercanias das grandes cidades, e que somente no último ano fizeram 170 protestos muito violentos nas ruas em busca de melhorias radicais, o que o governo atual de Jacobs Zuma parece não poder oferecer. Entre 144 países do mundo, a África do Sul tem hoje o pior índice no quesito “relações trabalhistas”, segundo o Fórum Econômico de Genebra. A economia cresceu 83 por cento desde 1994 e a renda per capta aumento 40%, mas os progressos sociais, no entanto, não surtiram efeito na diminuição das desigualdades. Faltam empregos aos chefes de família e metade das crianças do país que ingressam na rede de ensino abandonam a escola sem completar sequer o ensino médio. Cerca de 10 milhões de pessoas não têm moradias apropriadas e cerca de 3 milhões de casas não têm saneamento. Os negros são 79% da população do país e ganham, em média, um sexto dos salários dos brancos. E mais de dois milhões de famílias não têm qualquer forma de sustento.

Ao ser sepultado, Mandela deixa o legado de ter ajudado a reconstruir o país, livrá-lo do apartheid e de tê-lo tornado uma democracia. Seu trabalho foi reconhecido em todo o planeta, mas Mandela, como todos os heróis e todos os humanos não pôde fazer tudo o que queria. Agora, cabe aos sul-africanos, sem uma liderança tão expressiva e significativa, enfrentarem suas diferenças e tornarem o país de acordo com o que sonhava Mandela.

A cerimônia de sepultamento de Nelson Mandela, no último domingo. na aldeia sul-africana onde passou sua infância e juventude, Qunu, emocionou o mundo.

Noventa e cinco velas gigantes, simbolizando seus 95 anos de vida foram acesas. Mandela foi enterrado no cemitério da família após dez dias de homenagens e cerimônias, nas quais compareceram cerca de 120 líderes e personalidades mundiais e o povo da África do Sul.

Um dos destaques da cerimônia foi o Premio Nobel da Paz, o arcebispo da Igreja Anglicana, Desmond Tutu. A família de Mandela – que disputa entre seus membros os direitos dos bens e patrimônio do líder – compareceu e, lado a lado estavam a ex-mulher Winnie Mandela e a viúva Graça Machel. Na cerimônia oficial teve salvas de tiros de canhão e uma homenagem aérea.

Agora, a aldeia de Qunu certamente estará incluída entre os locais de maior peregrinação mundial.

“Uma boa cabeça e um bom coração são sempre uma combinação formidável”, este é um dos pensamentos preferidos que Mandela deixou, além do seu exemplo, para a posteridade.

Caberá aos sul-africanos, depois de sua morte, seguirem este grande conselho de seu maior herói.

Cor da Pele (skin)
Opções de layout
Layout patterns
Imagens de layout em caixa
header topbar
header color
header position
X