O mensalão não terminou em pizza. Mas o caso Pizzolato pode acabar no país da pizza

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O processo do Mensalão, graças ao trabalho intenso dos ministros do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria Geral da República não terminou em “pizza”, como se diz no irônico jargão popular do país. Terminou com 25 condenados, alguns deles políticos, a penas diversas a cumprir na prisão.

Menos um que, por incrível coincidência, foi parar – foragido desde dois meses antes da expedição da ordem de prisão – no tradicional país da “pizza”, a Itália. E que tem um nome que remete ao delicioso e popular prato do país mediterrâneo, Pizzolato, o corrupto Diretor de Marketing do Banco do Brasil, condenado a quase 13 anos no Brasil por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, prevaricação.

Henrique Pizzolato, não se sabe ainda como exatamente, fugiu do Brasil pela Argentina sem ser notado, o que já é uma coisa estranha, antes de ter a prisão decretada. Usou passaporte falso em nome de um irmão falecido há cinco anos, chamado Celso. Foi para Barcelona e de lá, usando sua prerrogativa de ter dupla cidadania – brasileira e italiana – chegou à Itália. Escolheu para morar a localidade de Maranello, conhecida mundialmente como sede da grife de carros Ferrari. Estava ali, escondido, até que foi preso pela polícia italiana, tentando dizer que era o que não é e mostrando passaporte e identidade de seu irmão falecido.

Agora está na prisão de Sant’Anna, em Modena e responderá a processo por uso de documento falso em território italiano.

No Brasil as autoridades tentam se apressar em dizer que poderá ser extraditado para o país para cumprir sua pena em regime fechado. Será?

As autoridades da Procuradoria Geral da República já organizam a documentação necessária, com a devida tradução, para encaminhar ao STF que a enviará ao Ministério da Justiça para pedir a extradição de Henrique Pizzolato. Depois disso, caberá à Justiça da Itália examinar o processo e decidir pela extradição ou não.

A Constituição italiana veda a extradição de cidadãos italianos e Pizzolato tem cidadania italiana. Mas um Tratado entre o Brasil e a Itália, feito em 1989, até permite a extradição, mas dá ao governo italiano o direito de negar.

Apesar do Tratado, a má vontade entre os dois países é evidente. Vamos lembrar de 2001, quando o Brasil pediu extradição do banqueiro Cacciola, condenado no Brasil por crimes econômicos, que para lá havia fugido.

Nada aconteceu e a Itália abrigou o banqueiro e negou a extradição. Lembre-se que Cacciola só foi preso quando estava em Mônaco a passeio e foi ali descoberto pela Interpol. E de lá veio cumprir pena no Brasil.

O governo italiano não engoliu isto.

Em 2011, o terrorista e assassino Cesare Battisti, que se passava por perseguido político no Brasil, condenado à prisão perpétua na Itália, acabou não sendo extraditado por uma decisão tomada nos últimos minutos de seu governo pelo presidente Lula. A Itália tentou de todas as maneiras a extradição do assassino. Lula negou e facilitou a vida de Battisti por aqui.

Agora será, dizem muitos especialistas, a vez da Itália, muito provavelmente retaliar e deixar Henrique Pizzolato naquele país e não querer extraditá-lo.

Nada como um dia atrás do outro.

Pizzolato poderá até ser julgado novamente pelos crimes do Mensalão na própria Itália. Poderá ser solto, poderá ter sua pena ampliada e poderá até mesmo ser inocentado dos diversos crimes pelos quais foi julgado e condenado por aqui. E ainda responderá a uso de documento falso.

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal e cujo saber é notório deu sua opinião sobre um possível pedido de extradição de Pizzolato.

-“A extradição é juridicamente inviável. É uma medida inócua do governo brasileiro. Ele é “inextraditável“ porque se sabe por antecipação, com base na legislação italiana, qual será a resposta das autoridades daquele país”.- disse Celso de Mello.

Na Itália, uma vez recebidos os documentos pelos quais foi condenado no Brasil, Henrique Pizzolato poderá ser acusado pelo Ministério Público nacional. Isto, se novamente for julgado pelos mesmos crimes, em território italiano.

A questão relativa a Pizzolato resvala também em sua já notória antipatia com os políticos condenados pelo Mensalão. Consta, em diversas fontes, que ele se sentiu abandonado à sua própria sorte no processo do Mensalão e está desgostoso com isso. Pizzolato sabe muitas coisas e participou de negociações que o condenaram à prisão em regime fechado, ao contrário de muitos políticos, participantes e “manda chuvas” do Mensalão, condenados a cumprir pena em regime semiaberto. Pizzolato não engoliu isto.

Por isso, muitos dizem: se abrir a boca…!

Se abrir a boca, certamente, não será para comer pizza!

Nem no Brasil, nem mesmo no país da pizza, a Itália!

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