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Missão Cumprida

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(Editorial originalmente publicado na edição 29, 12/2002)
 
Aos 31 deste mês de dezembro termina o mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso, e o fim do compromisso com o povo que o elegeu.
 
O que se pode escrever sobre os oito anos do seu governo?
 
Positivamente há muito mais mérito que deméritos, e também, muito mais reconhecimento do que críticas.
 
Somente dois presidente, antes de Fernando Henrique, tiveram o aplauso e reconhecimento do povo pelos feitos de seus governos: JUSCELINO, pela alegria e espontaneidade pessoal, aliada ao ufanismo e triunfalismo do desenvolvimento da industria automobilística, e principal mente, pela construção de Brasília; e igualmente, o Presidente GETULIO VARGAS que, ao fugir da vida entrando para a história, recebeu a maior consagração popular e o reconhecimento pelo que fez em prol do desenvolvimento da Nação e principalmente pela legislação social e trabalhista que legou aos trabalhadores.
 
Fernando Henrique, inquestionavelmente, foi o chefe de Governo mais culto e ilustre de todos os presidentes, reconhecido que foi em todos os parlamentos e universidades do mundo, por onde passou.
 
Os seus notáveis e incisivos pronunciamentos na Assembléia da França e na ONU, além das merecidas e calorosas palmas, teve, para nosso orgulho e ufanismo, aplausos unânimes de pé, merecendo pronunciamentos entusiastas de líderes do mundo, como ex-presidente CLINTON, o Primeiro Ministro da Inglaterra, TONY BLAIR, do Presidente mexicano VICENTE FOX, do Secretario da ONU COFI ANAN, dos ex-presidentes da França. J. MITERRAND E CHIRAC.
 
A vitória de LULA, como oposição ao governo que finda, ao contrário do que se depreende, serve ainda para demonstrar o quanto o Presidente Fernando Henrique trabalhou no fortalecimento das instituições democráticas, que se constituiu na marca mais forte que os brasileiros fizeram nestes últimos anos.
 
Na última reunião do Ministério, se despedindo do Governo, fez afirmações que servem para a posteridade, e com voz tranqüila e falando de improviso fez uma comparação singular a respeito da democracia brasileira. “No passado, alguns clássicos brasileiros se referiam a democracia como uma planta tenra, que precisa ser cuidada, ser regada com muita atenção. Sempre é conveniente cuidar dela, mas eu diria hoje que não é uma planta tão tenra. Não sei se chega a ser um carvalho firme, mas, de qualquer maneira, é um sibipiruna, que também disputa com o carvalho a possibilidade de ser uma planta bastante fincada no solo, e que cuja sombra permita que se viva com mais felicidade. "
 
Ainda sobre democracia, afirmou: “Talvez a marca mais forte do que está sendo consolidado por este governo seja a plena realização da democracia. Isso para mim é condição inicial e tem uma solidez, uma vez mantida, maior que o outro ponto importante, que foi a estabilização da economia e o fortalecimento das instituições democráticas que não é um valor do Estado, não é um valor de um partido, é um valor de um povo. “Falando sobre as críticas, discorreu: “Toda vez que se compara com o que falta, falta muito. Mas quando se olha para trás, o que se tinha e o que se fez, ah, andou-se.”
 
“Quantas vezes escutei críticas desassistidas, imprudentes, insensatas de que o Governo queria diminuir o Estado para dar espaço ao mercado. Até uma palavra com a qual eu nunca concordei, chamada neoliberal, foi usada com insistência, e tanta insistência, e tanta insistência que alguns até acreditaram. Na verdade, o que nos fizemos foi outra coisa. Foi transformar o Estado para que ele estivesse apto a interagir com o mercado contemporâneo.”
 
“O preço da estabilidade e a eterna vigilância.
 
Produzimos mais de 100 milhões de toneladas de gritos, mais que suficientes para alimentar nossa população. Quando há fome, não é por falta de alimento, mas por problema de renda.”
 
“Tenho tido uma certa dificuldade, e até mesmo uma resistência psicológica, a responder qual tem sido o Legado do nosso Governo. Legado, por outro lado é um pouco presunçoso, supõe-se que se deixa algo e que esse algo vai permanecer. Segundo, supõe-se que o ciclo se encerrou, pelo menos o ciclo pessoal. Eu próprio me incluo entre aqueles que, embora não mais no nível governamental ou na vida político-eleitoral, espero estar ainda, por algum tempo, enquanto eu puder e tiver energias, ativo, na discussão dos temas do Brasil e dos temas internacionais.”
 
Com as palavras de Fernando Henrique encerra-se o ciclo governamental como missão cumprida.