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19
maio2014

A mobilidade urbana, as cidades e a qualidade de vida que oferecem

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LelisA oportunidade de participar deste número especial de tão conceituada Revista muito nos honra e alegra. São 15 anos acompanhando a trajetória da publicação, percebendo, ao longo do tempo, a já excelente qualidade de seus textos, impressão e programação visual, sempre em aprimoramento constante. Fazer parte da edição comemorativa do 15o aniversário da Justiça & Cidadania é, pois, motivo de grande orgulho.

O momento é de grandes mudanças em nossas cidades, e o Rio de Janeiro está entre aquelas que sofrem transformações radicais. Obras por toda a parte preparam a nossa região metropolitana para um novo modelo de transporte que certamente mudará a vida de cariocas e fluminenses, oferecendo mais integração entre os modais, corredores de BRT e linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Em suma, oferecendo mais qualidade de vida.

Quando falamos no legado que os eventos esportivos mundiais que aqui serão realizados deixarão para a população, falamos mais do que em transporte, mas em mobilidade e em tudo que ela implica. Há um esforço conjunto, do poder público e da iniciativa privada, no sentido de criar as bases para uma mobilidade urbana capaz de mudar para melhor a vida em nossas cidades. Para tal, investimentos estão sendo feitos na revitalização da zona portuária da cidade maravilhosa, em corredores exclusivos para ônibus, infraestrutura viária, mobiliário urbano etc.

Ao se criar um projeto de mobilidade, mexe-se, na verdade, com o modelo de cidade e, consequentemente, com a vida dos seus habitantes. Deslocamentos feitos em segurança e em tempo razoável, melhor qualidade do ar, menores índices de ruído, espaços para os pedestres, ciclovias, facilidade de integração entre os modais tornam os espaços urbanos moldados às pessoas e não aos veículos. Transformam as cidades em locais mais agradáveis de se viver, facilitam a vida dos cidadãos e os tornam mais felizes.

As mudanças se fazem provocando transtornos para o trânsito e o transporte, e não há como evitá-los. Mas as vantagens são inegáveis: a derrubada do elevado da Perimetral, por exemplo, representa a opção pelo coletivo, em detrimento do individual. Ao ser construído, em 1950, foi olhado como exemplo de progresso. Era a primeira via elevada do País e se destinava unicamente aos automóveis. A partir daí, outras obras passaram a descaracterizar nossa região metropolitana, sempre privilegiando os usuários de automóveis – a minoria –, que vieram a ocupar mais e mais os espaços nas vias, enquanto o transporte público, em seus variados modais, foram relegados ao segundo plano, sem investimentos significativos ou políticas públicas voltados para eles. O resultado da adoção dessas medidas equivocadas, todos conhecemos: cidades quase imobilizadas pelos constantes congestionamentos, ruas saturadas de veículos, desperdício de combustível, aumento da poluição aérea, deterioração de espaços comerciais e residenciais, mau uso do solo urbano.

Por tudo isso, ao ser demolido, tantas décadas depois, o elevado simboliza o fim de uma forma de planejar as cidades. Os nossos governantes finalmente investem em urbes mais justas, com deslocamentos mais democráticos, que dão privilégio às vias para a maioria que usa o transporte coletivo nas suas viagens diárias entre casa e trabalho, para cumprir compromissos sociais, tarefas diversas e lazer. A destinação de verbas públicas para obras de mobilidade urbana; a Lei no 12.587/12, que obriga os municípios a elaborarem seus planos de mobilidade; a colocação do tema nos debates políticos; e a implantação de alternativas como o BRS, aqui no Rio de Janeiro e o BRT, o VLT e outras, demonstram a nova tomada de posição.

Há muito o empresariado de transporte por ônibus deste Estado, por meio da Fetranspor, defende soluções como implantação de corredores exclusivos, melhoria de terminais rodoviários, racionalização das linhas urbanas, política tarifária justa, remanejamento de horários das diversas categorias de trabalhadores, entre outras, como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados e diminuir o tempo das viagens. As soluções que começam a ser adotadas incentivam o segmento a continuar a fazer parte deste esforço em prol de cidades mais funcionais, com mobilidade urbana de melhor qualidade.

Ao todo, estão previstos 160 quilômetros de BRT, com uma frota com mais de 700 ônibus articulados, em benefício a mais de um milhão de passageiros. Essas melhorias implicam grandes investimentos por parte dos operadores, não apenas em frota, mas em comunicação, treinamento de grande massa de trabalhadores, equipamentos etc. Em seu quinto ano de atividade, a Universidade Corporativa do Transporte (UCT) capacita rodoviários de todos os níveis, inclusive com a utilização de simuladores, para os motoristas dos corredores exclusivos, em extenso programa educacional, realizado por meio de parcerias com algumas das mais respeitáveis entidades de ensino e capacitação profissional do País. Uma publicação bimestral foi criada como ferramenta de valorização dessa categoria profissional (“Indo & Vindo – a revista do rodoviário”). Sua tiragem é de mais de 100 mil exemplares, para assegurar que chegue a cada um dos integrantes do sistema. A iniciativa foi reconhecida, pela Aberje, no ano passado, em premiação regional abrangendo os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Mas isso ainda não é tudo: existem esforços para minorar o impacto ambiental causado pelo transporte, como a utilização de ônibus híbridos e elétricos, a utilização de diesel de cana-de-açúcar, a participação em programas como o EconomizAR – em que o empresariado do Rio de Janeiro é pioneiro, tendo feito os primeiros testes – e o Selo Verde. E a tecnologia, que não pode ser esquecida e é utilizada para facilitar embarques, no caso dos cartões RioCard, ou para informar os clientes do sistema, como os recentes aplicativos que já permitem aos passageiros consultarem o melhor itinerário ou a localização do seu ônibus pelos seus smartphones.

A emulação para que se reflita sobre as questões da mobilidade está presente em iniciativas como o Prêmio Mobilidade Urbana, que engloba cinco categorias: Jornalismo; Educação e Cultura; Responsabilidade Social e Meio Ambiente; Relacionamento com o Cliente e Planejamento de Transporte e Tecnologia, e o Congresso sobre Transporte de Passageiros (Etransport) – o maior evento da categoria na América Latina, cuja 16a edição ocorrerá nos dias 5 a 7 de novembro, no Riocentro e para o qual convidamos os leitores da Justiça & Cidadania. A mobilidade inteligente, tema do evento, é uma forma de garantirmos às próximas gerações metrópoles funcionais e acolhedoras. É isso que buscamos, incessante e incansavelmente.