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O outro terrorismo

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O presidente George W. Bush deve ter decepcionado o seu povo ao per der de vista o autor intelectual dos atentados de 11 de setembro de 2001, apesar de toda a parafernália militar que mobilizou para a caça de Bin Laden. Mais decepcionados ficaram os americanos ao saberem que Bush fora avisado pela CIA a respeito dos atentados.

Frustrado com esses fracassos, o presidente decidiu ele mesmo patrocinar uma grande onda de terrorismo, desta vez no campo comercial. Sem que nem para que, passou a taxar as importações de aço com alíquotas crescentes, a última delas atingindo em cheio o Brasil, que exporta para os Estados Unidos aços pianos de boa qualidade e produzidos com insuperável eficiência.

Como se isso não bastasse, Bush partiu para um ataque frontal contra os produtores mundiais de soja, de milho e de outros produtos agrícolas ao enviar para o Congresso americano a monstruosa farm bill, que castiga sem piedade os fazendeiros brasileiros. Os subsídios para a agricultura americana ficarão mais altos do que os praticados pela União Européia – lembrando-se que 75% dos re­cursos do governo serão abocanhados pelos grandes fazendeiros.

Por que tanto terrorismo? Só para pagar dívidas eleitorais com siderúrgicas ultrapassadas e com fazendeiros lobistas? Isso é demais!

Não bastassem esses ataques, vem agora as agencias de avaliação de risco recomendar aos investidores que se afastem do Brasil. Nós, brasileiros, sempre abrimosas portas para o capital estrangeiro que aqui veio para produzir e criar empregos. Fomos generosos ainda com os que aqui chegaram para explorar as nossas obcenas taxas de juros. É só surgir no front algum faro de que eles venham a não gostar e disparam a disseminação do pânico no mercado financeiro.

O Brasil não pode ficar passivo diante dessas indecentes investidas. Que tal disseminar nos Estados Unidos a verdade, ou seja, que os consumidores americanos vão pagar mais caro pelos automóveis, pelos tratores, pelas máquinas e por tudo o que usa aço assim como pelos alimentos industrializados que usam soja, milho, trigo etc.?

Sei bem que a arena oficial para a discussão dessas questões e a Organização Mundial do Comercio. Mas o presidente George W Bush não consultou a OMC antes de detonar os seus ataques. Tampouco as agencias de risco consultaram o FM1 ou o Banco Mundial antes de abrirem a sua mala de boatos.

Os americanos, que sempre premi­aram a eficiência, provavelmente rejeitarão o patrocínio da ineficiência. E, do nosso lado, se estão surgindo novos tipos de terrorismo – o comercial e o financeiro -, mais do que nunca temos de nos unir, trabalhar duro e encontrar, com os ministros responsáveis pelo comercio internacional, os méto­dos para superar esse grande desafio.