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O ronco das urnas

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(Editorial originalmente publicado na edição 64, 11/2005)
 
O infeliz propósito do governo, ao programar o inútil além de absurdamente custoso e inconsequente plebiscito, veio resultar numa clara e insofismável demonstração de protesto e aversão popular aos infaustos acontecimentos que se tem abatido sobre o país nestes anos de iníqua administração, resultando na incrível provação que passa a Nação, em consequência da irresponsabilidade do governo contemporâneo.
 
O desmesurado gasto de meio bilhão de reais, despendidos com a realização imbecil e despropositada da consulta popular, cujo resultado já era antecipadamente previsto e esperado – em face da violência e criminalidade desenfreada que grassa em todo o país, deixando a população inerte e desprotegida de garantias e salvaguardas de segurança – foi indiscutivelmente o fato que propiciou o revide da população, com o retumbante NÃO, cujo sentido é a evidente repulsa do povo contra os governantes.
 
O surto de aftosa que explodiu nos estados produtores de gado, cujo malefício já estava banido e debelado há quase uma década, retorna por plena e completa incúria da administração pública, que,  irresponsavelmente aplicou menos de 2% da verba orçamentária de R$ 143 milhões, destinada ao controle sanitário nas áreas de risco, principalmente regiões fronteiriças.
 
Além deste fato escandalosamente incrível, temos ainda, as deficiências notórias de atendimento às populações carentes, principalmente na área de saúde, com a estagnação das obras de saneamento básico, propiciando o incremento de moléstias já proscritas, alarmando a população que se queda desamparada do poder público. Temos por igual, como agravante absurdo, a eclosão de atos de corrupção que enlameiam e emporcalham os Poderes  e Executivo e Legislativo.
 
Os atos de salvaguarda das instituições, que ensejavam através das CPIs instaladas no Congresso Nacional, já demonstram claramente o abafamento corporativista, propiciando o desprezo com que a população assiste o já abjeto espetáculo a mexer com a reprimida paciência do povo.
 
Que o resultado das urnas seja tomado como lição aos governantes para despertar da realidade, para se possível ainda, evitar aqui no Brasil, o enfurecer da turba, como está acontecendo na França e outros países da Europa.
 
Esse é o alerta. A seguir, é aguardar o ronco das urnas.