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O Tartufo da atualidade

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A imprensa, nos últimos tempos, vem dando destaque  ao que parece ser um traço cultural do mundo, notadamente em nosso país: – a corrupção. O que é mais deplorável: está ela sendo banalizada a tal ponto que muitas pessoas, quando não estão equidistantes, tornam-se indiferentes.

Por outro lado, quando alguém é honesto, suas qualidades são ressaltadas como se isso não fosse obrigação de todos, sobretudo por parte daqueles que são servidores públicos, qualquer que seja a função que esteja a exercer, da mais modesta e irrelevante à mais elevada.

No meio dessa caminhada, o que é pior, surge o falso moralista, aquele que prega uma atuação e desenvolve outra, em sentido contrário. Distribui conselhos, mas não os pratica, já que os cria para serem seguidos pelos seus semelhantes.

É o Tartufo da atualidade, isto é, um hipócrita, um santarrão, um pregador da moralidade. Vale lembrar que Tartufo – criação de Molière, inesquecível autor francês – na comédia teatral que leva esse nome, se tornou ele um dos mais conhecidos no mundo inteiro. Apesar de seus quase 350 anos, desde a sua primeira encenação, Molière, se estivesse vivo, comprovaria que o texto está atualizadíssimo, eis que seu personagem é hoje redivivo na figura do mentiroso, do político fraudador, do estelionatário, do assaltante dos dinheiros públicos, enfim – sem ser exaustivo  nos adjetivos – aquele que é capaz de usar a corrupção para se manter influente com os poderosos, estejam eles no Legislativo, Executivo e até no Judiciário.

O que é mais grave: – consegue ele exibir uma figura eminentemente ética, até ser descoberto sem a manta protetora, como dizia a minha saudosa mãe: “o diabo tem uma manta que cobre e outra que descobre”. E quando esse tipo de incomparável mendaz é exposto à opinião pública, tenta valer-se da figura do homicida que “matou o pai na véspera e, no dia seguinte, implora clemência, perdão, por ter ficado órfão”.

Afinal, esse Tartufo da atualidade consegue enganar, durante anos, que ele é como a fachada de um respeitável templo religioso, até que um dia se descobre que o seu interior não passa de um verdadeiro bordel da pior espécie.