Oriente Médio: a paz que se impõe ou a guerra sinistra

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NOTA DO EDITOR
O indômito, mas sempre humilde no trato com seus semelhantes – especialmente com seus amigos e conhecidos -, desembargador Luiz Felipe da Silva Haddad é uma das personalidades mais sociáveis e benquistas do Judiciário brasileiro.
O elucidativo artigo do estimado Desembargador, reflete o carinho e a preocupação do ilustre descendente árabe, na conclamação da paz e do convívio fraterno entre as duas raças, em igualdade de condições como ocorre no Brasil, com os filhos, netos e bisnetos dos originários daquelas nações, que aqui tão bem se irmanaram com os naturais e os oriundos de todas as etnias que vivem no país, constituindo com a operosidade e suas culturas originais o caldeamento de uma sociedade ímpar, de gente muito especial.
Congratulações ao eminente e prezado jurista, que honra com sua sabedoria, humanismo, cultura e inteligência o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, e o compartilhamento do Editor e da Direção da Revista na esperança de que haja paz, harmonia e amor entre todas os povos e nações.
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Oconflito, que parece nunca terminar, entre judeus e árabes, em torno da Palestina, não começou, como alguns pensam, no ano de 1948, quando o Estado de Israel foi criado e reconhecido pelas Nações Unidas, sob a histórica presidência do brasileiro Oswaldo Aranha, em sua Assembléia Geral. Remonta às décadas de 1920/30 e 1930/40, quando a Grã Bretanha – que obteve mandato da antiga Liga das Nações, sobre tal região, em seguida à queda do Império Turco Otomano, com base na “Declaração Balfour”–, autorizou a emigração judaica, que seria o retorno de um povo expulso há muitos séculos, para seu território de origem. Choques sangrentos então ocorreram. E de 1948 para cá, por conta das guerras vencidas por Israel – naquele mesmo ano, e em 1967 –, o quadro se agravou. A área que, pela partilha, caberia ao Estado Hebreu, foi de fato expandida, com a ocupação da Cisjordânia, do setor oriental de Jerusalém, da península do Sinai, com a Faixa de Gaza, e das Colinas de Golan. O Sinai foi devolvido ao Egito pelos acordos de Camp David, em seguida à histórica visita a Israel do grande presidente egípcio Anuar Sadat (1977). Houve as tratativas de paz, em Oslo, na década final do século findo. Além do Egito, a Jordânia, e outros países árabes, reconheceram a existência de Israel. Foi criada a Autoridade Palestina, etapa prévia do almejado Estado vizinho do judaico. Gaza foi desocupada, bem como parte da Cisjordânia. Mas agora reina um perigoso impasse. O governo palestino legítimo exerce poder apenas na Cisjordânia, mas com exclusão dos vários assentamentos efetivados por Israel, a título de defesa – ao ponto de tal região ter fraturada a integridade. Em Gaza, o regime islâmico radical do “Hamas” ataca Israel com mísseis, e recebe em retaliação forte bloqueio que gera o padecimento dos habitantes, sob confinamento e pobreza. Um muro, também com fim defensivo, separará Israel da Cisjordânia, impedindo o livre trânsito de pessoas e mercadorias. Outro grupo fundamentalista – “Hizbollah” –
que hoje domina o sofrido Líbano, com apoio do Irã, age no mesmo sentido do “Hamas”. A paz com a Síria parece não estar distante, mas o regime iraniano dos “aiatolás”, na ponta contrária dos interesses imperiais estadunidenses, radicaliza e provoca, na questão nuclear. Portanto, além do dito conflito de longa data, paira outro, jungido às riquezas petrolíferas, cuja explosão, se não causará outra guerra mundial, acarretará enorme dano, em termos econômicos e sociais, ao orbe terrestre, máxime às “legiões” de miseráveis e de excluídos.
Para que as chamas não se espalhem com mais intensidade, solapando tudo o que de bom foi feito em todo o mundo após a vitória dos valores humanísticos sobre a sórdida tirania nazi-fascista; para que os ideais que nortearam a criação da ONU não sejam enterrados, ou atirados à sarjeta, é dever da consciência democrática, e autenticamente progressista, pressionar e exigir, não só dos “atores” do conflito, mas, sobretudo, dos “indiretamente envolvidos”, que se atenham aos ditames do Direito e da Justiça, que são inseparáveis dos inerentes à Ética e à Solidariedade. O direito de Israel, de existir e viver em paz e segurança, é inelutável. Mas também o é o do povo árabe palestino em ter seu Estado, nas áreas acima referidas, compreendendo alguns bairros de Jerusalém. Dois Estados, – como votado pela ONU – vizinhos e em colaboração para o desenvolvimento, marchando juntos, no despojamento de ódios, no exemplo franco-alemão, ou mesmo no sino-japonês. No caso de Israel, que, livre do medo, retome o espírito humanista que remete aos “Kibbutz”, deixando de servir a interesses plutocráticos que nada têm a ver com a beleza e a tradição dos ensinos hebraicos. No caso da Palestina, e de outros países árabes, que se livrem dos fanatismos e dos atrasos, que também são estranhos à verdadeira sabedoria islâmica, e à boa nova cristã. Que caminhem no rumo da tolerância religiosa e do pluralismo democrático, que passa pelo fim da opressão da mulher pelo homem, e pelo respeito às diferenças.
Nós, brasileiros, embora estejamos bem longe daquelas terras pela geografia, na verdade estamos perto por nossas origens, por nossos valores espirituais; e, pelo interesse em uma autêntica globalização, norteada pelo Direito, no rumo do desenvolvimento de todos, novo nome da Paz, como proclamado pelo saudoso Papa Paulo VI na Encíclica “Populorum Progressio” (1967). É nosso dever, especialmente dos que têm ascendência árabe (caso deste autor), e dos que têm ascendência judaica, pugnar para que o fraterno convívio, que sempre houve no Brasil entre as etnias primas, se estenda em maior dimensão.
Que Deus, que é também Alá e Javé (ou Jeová), tenha piedade dos Povos da Aliança, e ilumine a todos no caminho da Paz.  Shalom, Salam, Amém.

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