20
maio2018

Problemas históricos pedem um novo bom senso

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Liberdade de escolha, direito à expressão religiosa, acordos de conciliação, exercício da cidadania, combate à corrupção…. Todos estes temas, como fossem excertos do contexto da política e da democracia dos dias de hoje, estão expostos nesta edição da Revista Justiça & Cidadania. Estão presentes cada vez mais nos debates sociais, conduzidos pela mídia e alimentados no seio de nosso mais atual conceito de espaço público (leia-se, redes sociais) – como, aliás, bem definiu o sociólogo espanhol Manuel Castells: “A contínua transformação da tecnologia da comunicação na era digital amplia o alcance dos meios de comunicação para todos os domínios da vida social”.

Parece que nunca se falou tanto sobre política no Brasil. Não é verdade. Se buscarmos nos acervos históricos da política nacional, encontraremos reportagens, charges e caricaturas, que funcionam como os tão compartilhados “memes” de hoje (antes mesmo de Richard Dawkins batizar o conceito, na década de 1970). Nesses repositórios, encontramos farto material crítico, e ao mesmo tempo hilário, sobre políticos brasileiros de outrora. A diferença é que, antes, as manifestações de apoio ou reprovação, deste ou daquele candidato, estavam restritas à “pena” da mídia oficial, hoje estão aí, liberadas para quem quiser se manifestar livremente nas redes sociais.

Assim como a sátira que reveste a crítica política, a corrupção, o desvio de verbas públicas, o uso da máquina pública para catapultar interesses pessoais e todos os males que danificam nossa Nação não foram inventados hoje. Por outro lado, assim como a crítica e o ataque aos políticos de outrora, em tempos de antanho também já existiam eleitores seduzidos por um discurso ilusório, estruturado sob medida para atender aos seus anseios.

Nessa avaliação histórica, identificamos que sempre existiram bons e maus políticos. Mentiras e verdades. Fatos e calúnias. Assim como sempre existiram partidários deste ou daquele lado, polarizando o discurso democrático. O que nunca se viu por aqui foi alguém de fato disposto a erradicar o histórico problema da corrupção e transformar os destinos da Nação.

Convenhamos que este não é trabalho para um homem só, nem cabe em uma única gestão. Infelizmente, persiste uma espécie de pensamento “macro” brasileiro, que acredita ser possível “varrer a corrupção” do País como em um passe de mágica (ou no movimento da vassoura de Jânio Quadros, com seu eloquente e sedutor discurso de moralização). Persiste na mente da maioria dos eleitores a crença de que basta um homem, o chefe do Executivo, para transformar os destinos da Nação (como Getúlio Vargas, até hoje amado e odiado).

É preciso entender que não é suficiente escolher para gerir o País o homem ou a mulher que a si atribuam as mais honestas intenções. Como não basta banir um líder corrupto e esquecer que a tutela do Estado lhe foi dada por pares que compartilham das mesmas práticas. Mudar leva tempo, é trabalho para muitas pessoas e exige engajamento. Está na hora de começarmos este trabalho. Por tudo isso, afirmo que este é o momento de começarmos a avaliar muito criteriosamente os candidatos ao Legislativo. Prática que, ouso dizer, é adotada por parcela mínima da população. Pode parecer óbvio ­demais, mas não é assim que se comporta a imensa maioria dos eleitores brasileiros no momento de escolher seus candidatos à Câmara e ao Senado. Talvez, em tempos atuais, tenhamos apenas começado a calçar o caminho da mudança. Ainda com pequenos pedregulhos, mas buscando quem verdadeiramente quer ampliar este trabalho até que a estrada esteja ­pavimentada integralmente.

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