Sinal vermelho para as despesas

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Por que o Brasil não cresce? Afinal, nossas exportações explodiram. O superávit comercial é enorme. A inflação está sob controle. Temos a Lei de Responsabilidade Fiscal. E, acima de tudo, o governo economizou 4,84% do PIB – quase R$ 100 bilhões em um ano. Não seria esse um bom quadro para o país crescer?

Ao destrincharem esses argumentos, os economistas revelam, porém, que o enorme superávit primário foi obtido com base em um brutal aumento de arrecadação de impostos e não com base em corte efetivo nas despesas do governo. Ao contrário, no âmbito federal, estas subiram mais de 10% em termos reais, sem contar os gastos com juros.

A gastança foi maior do que a economia. Resultado: não sobrou dinheiro para os investimentos públicos, especialmente para a infra-estrutura que, afinal, é a base do crescimento econômico. Em 1987, a União investia cerca de 2,5% do PIB nessa área, o que já era irrisório. Hoje, investe menos de 0,5%.

O Brasil estará condenado a crescer pouco por muitos anos se esse quadro não mudar. Todos sabem, por exemplo, que a falta de investimentos em energia nos dias de hoje condenará o país nos dias de amanhã. O que vale para a energia vale para as rodovias, ferrovias, portos, armazenagem e tantas outras necessidades de infra-estrutura.

O resultado do nosso sacrifício foi desanimador. Qualquer chefe de família que esteja endividado sabe que jamais sairá do sufoco se continuar gastando mais do que ganha.

Esse é o caso do Brasil. O atual ajuste das contas públicas é de má qualidade, pois se baseia exclusivamente no aumento de arrecadação. Para quem analisa a economia desse ângulo, os sinais são preocupantes. Os investidores que têm vocação produtiva, com raras exceções, ficam desconfiados de um governo que economiza tanto e se endivida cada vez mais. Poucos desenvolvem o interesse em investir em empreendimentos que demandam um longo período de maturação ao intuírem que o desequilíbrio das contas públicas será atacado com mais impostos. Poucos se animam a investir quando vêem que, com a produção contida e a gastança aberta, o governo terá de manter juros estratosféricos para controlar a inflação.

Nessas condições, os capitais vão para as operações especulativas ou procuram outros países. Em 2005, o fluxo de investimentos produtivos no mundo cresceu 29%. No Brasil, diminuiu 15%. O Instituto de Finanças Internacionais prevê a mesma situação para 2006.

Estamos em um ano eleitoral. A economia ocupará o centro do debate nas campanhas. O uso da parafernália técnica será abundante. Os eleitores ouvirão muito economês.

Seria bom se, no lugar dos sofisticados argumentos, o governo tomasse medidas concretas para inverter os sinais atuais e, com isso, estimular grandes massas de capitais a se orientarem para a produção. Afinal, quem olha o nosso país no globo sabe muito bem que o mundo continuará precisando do Brasil por muitas décadas. Vamos tirar proveito disso e criar empregos para nossa gente.

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