Sucinta discussão sobre a histórica disputa e ambição pelo poder de domínio da República brasileira

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Uma sucinta discussão sobre a histórica disputa e ambição pelo poder de domínio da República brasileira

1.Introdução

Não existe grandeza nem glória num grupo de homens armados que combatem a pessoas desarmadas, ou ainda que estas estejam com armas, não saibam combater.

José Marcos do Nascimento

No passado, há séculos e séculos, em disputas por poder ou domínio, a religião pelejou contra a política e bispos e cardeais colocavam o povo contra o estado, ou instituições estatais, com o objetivo de tomar o poder dos reis e dos príncipes, submetendo o Estado, antigo, medieval ou moderno. Até que um dia um grupo social em ascensão lutou contra a igreja e a nobreza, na França de 1789, e tomou o poder político e o econômico do estado, de forma que golpes e mais golpes foram dados sempre por causa do poder. Caindo bem lembrar que todos aqueles que – ainda que já possuíam poder, mas tinham ganância por mais – sempre prometeram favorecer àqueles que estiveram à margem (o povo ou os miseráveis sociais) e sofrendo todos o aviltamentos, desmandos, opressões e injustiças promovidos pelo Estado. Desde os tempos dos impérios mais antigos e tiranos, como o de Roma, Babilônia, Síria, Egito, Pérsia o povo, as massa, as multidões, foram alvos de boas promessas, no entanto o que restou a os mais fracos, ou mais pobres, foi a força e os açoites dos soberanos.

No caminhar desta história, da nossa História da humanidade, a sociedade brasileira também foi tomada de assalto de tempos em tempos, uma vez que homens sequiosos de poder tinham o desejo de segurar o cetro e submeter aos mais humildes pela força das leis – ainda que injustas – pelas armas, pelo partido político; ou até mesmo pela ideologia da religião. Tomaram o poder para um pequeno grupo de pessoas na “Proclamação da Independência” (em 1822), na “Proclamação da República” (em1889), na Era Vargas e na ditadura militar dos anos 64 a 84, de forma que em todos estes momentos históricos de embates as massas – indigentes e “dementes” – nunca formam à luta, lutar por si mesma, pois não sabiam nem do que se tratava: uma disputa por um antigo conhecido de Maquiavel e dos príncipes, o poder.

Assim nasce a República brasileira, corrupta, parcial, marginal, talvez ilegítima ou ilegal, desde a República da espada, dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, situação esta que permanece até os dias atuais, retratada no dia a dia em tantos livros, processos e jornais.

Uma República oriunda de um império forjado pelas seguintes condições: ardil e anseios dos brancos colonizadores, a imposição de leis pessoais usadas como arma política; o uso das armas em favor dos detentores do poder e a ausência e ignorância do povo – que, na verdade nem existia. Assim, quiçá, esta nação esteja fadada a nunca ter uma justa e digna República, de modo que a “res publica” seja para o bem, ou o uso, dos que já tem em abundância. Em todos estes processos de buscas e lutas algumas instituições e grupos sociais se fizeram presentes mais do que outros, menos os que mais necessitavam: empobrecidos, indigentes, famintos e carentes, de tudo.

2. Desenvolvimento

De golpes e tomadas do poder nossa República germinou. Um dia foi o marechal Deodoro da Fonseca que sem a população saber tomou o poder; outro dia foi Eurico Gaspar Dutra que tratou de dominar; em outro momento Getúlio Vargas golpeando a alguém permaneceu na “propriedade” da República, mesmo contrariando os projetos ou planos que diziam ser para a nação. Depois os generais semelhante ou igual a todos os outros esfomeados pelo poder, resolveram assumir o domínio do Estado brasileiro, em virtude de seus próprios interesses, dos interesses americanos, associados aos detentores do poder econômico e político do Brasil, todos desfavoráveis ao grande rebando, o povo; fraco, faminto, farrapento e sem intento. Sem esquecermos que existem ressalvas dentro do generalato (como foi o caso do general Âncora, comandante do I Exército, e do general Machado Lopes, comandante do III Exército, que não tinha ambições para tomar o poder da República, desterrar a Constituição e as leis, desprezar a ordem jurídica, abusar das armas nacionais etc.), o governo brasileiro foi tomado com ardil e injúria por militares, e militantes, que serviram muito mais aos estrangeiros do que aos brasileiros. Inclusive houve militares de altas patentes presos e perseguidos por não anuir com o golpe.

Militares nacionalistas (o mal. Lott fora preso por ter lançado um manifesto contra o golpe), altos oficiais do Exército, organizações militares sediadas nos estados do Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Guanabara e até mesmo em Brasília, almirantes, associavam-se ao movimento contra a solução conspiratória.1

Nos anos 60 acabaram com o governo João Goulart alegando que era a criatura mais abominável que o Brasil já tivera. No entanto quando os generais assumiram está Pátria, a dor, o terrorismo de estado, a tortura, a morte, as prisões, nunca vistas em algumas nações, passaram a ser as práticas do estado brasileiro, dia e noite, sem cessar, onde ninguém estava isento de arbítrios dos mais injustos e ilegais possíveis, tudo para se defender uma ordem social, na qual, na verdade, predominava a ordem para os fracos e progresso para os ricos, fossem estes nacionais (donos de grandes capitais) ou estrangeiros, como os sedentos banqueiros.

É bom lembrar que no passado, no advento do golpe de estado, quando veio o governo dos ditadores, jornalistas, ativistas, juristas, socialistas, professores, historiadores, doutores, sindicalistas, taxistas, estadistas, estrategistas, operários, bancários, rodoviários, padres, bispos, cardeais, “pretos”, pobres, “prostitutas”2, estudantes, comerciantes e amantes, membros da OAB, todos enfim pagaram com sangue, suor e lágrimas pelo pesadelo que invocaram: um governo autoritário. Um governo ditador sem rédeas, ou da lei ou das armas, se ergueu e manteve por 20 anos, realidade na qual se falar em Democracia podia significar a morte. Infelizmente sem saber sobre política, governo, Democracia, Estado, poder, ditadura a massa nacional acreditou que tudo que foi alegado sobre quem governou e quem iria governar era verdade. Não sabiam que o que ia imperar era o aço, a força e o fuzil. Um filósofo romano já dissera há dois mil anos que “era melhor a mais injusta das democracias do que a mais justa das ditaduras”. Isto porque, em todas as ditaduras sempre prevaleceu a violência das armas, a violação das leis e o mando, ou desmando, dos generais, desde a Roma antiga, passando por impérios, monarquias e Repúblicas até chegar na nossa – e de várias nações latino-americanas que conheceram o medo, o terror e o horror de seus ditadores, como no governo de Jorge Rafael Videla (Argentina) e Augusto Pinochet (Chile), por exemplo, entre outros.

Até o final de 1968, ano do AI-5, a tortura ainda não tinha se tornado praxe nos cárceres brasileiros. “Ela já começava a ser praticada, mas não com a frequência do final dos anos 60 e começo dos 70”, diz Jorge Ferreira. Entre 1964 e 1968, foram torturados e mortos 34 opositores do regime. Sabe-se até quem foi o primeiro torturado: o líder comunista pernambucano Gregório Bezerra, que no dia 2 de abril foi preso, arrastado pelas ruas do Recife, amarrado em um Jipe e depois espancado por um oficial do Exército com uma barra de ferro.3

Algumas décadas se passaram, mas, pelo que tudo indica, estão novamente buscando “furtar” ou tomar a República, induzir o Povo, arruinar as instituições, construir ídolos ou heróis, com promessas de salvação ou proteção para todos, ou para a maioria, quando, na verdade, os maiores beneficiados serão “os donos do poder”, como se viu na América, na África, Ásia ou na Europa. Seja o político, seja o econômico, seja o religioso, uma vez que algumas ordens religiosas estão, cada vez mais, associadas com a política, possivelmente para gozar do poder material, já que do espiritual usam e abusam. Tudo isto com o favorecimento, planejamento e ação, ou manipulação, de alguns veículos de comunicação como jornais, revistas, televisão etc. É sabido que foi-se o tempo que apenas a religião se embatia com o governo político, para assumir uma parte – ou todo – o poder temporal dos príncipes e dos “nobres”, assim como se sucedeu em quase toda Europa, nos chamados reinos cristãos. Hoje existe a televisão, que já governa uma parte da população, sobretudo que não tiver certa instrução.

Com o tempo surgiu este instrumento que se faz necessário no presente para as sociedades modernas, mas que muitas vezes é também ferramenta de dominação e manipulação da massa e da população, que é a televisão. E hoje, com ambição pelo controle da sociedade e das ideias, algumas mídias – como a globo, veja, folha de São Paulo, o globo – estão conduzindo, sem reflexão, a multidão para onde desejam. Inclusive já dizem, com palavras de ordem, nos protestos, caminhadas e manifestos, nas pichações de muros, tapumes e alambrados das ruas do Brasil as seguintes frases: “Fora a globo”; “TV globo, golpista”, “Se o povo não dominar (assumir) o governo, a globo assumirá”. Muito embora o povo esteja sempre na condição de dominação, ora por uma religião, ora por uma organização (criminosa ou não), seja por uma televisão, seja por uma agremiação (um partido político ou time de futebol, por exemplo, inclusive tendo pessoas matando ou morrendo por causa de seus clubes).

Em outrora, uma parte das ordens religiosas, a TV globo – que nas ditaduras do passado fez o povo de bobo – os partidos políticos sedentos pelo poder, alguns empresários, grandes latifundiários, certas associações ou ordens – OAB, v. g. – e mais alguns interessados no poder disseram ao povo desta Nação que uma ditadura era uma coisa boa e que ela traria brandura, paz social, estabilidade econômica, moralidade institucional, segurança nacional, multiplicação e partilha da riqueza nacional etc., no entanto passaram-se os anos e isto nunca chegou; ao contrário dor, terror e temor foi tudo o que restou para todos. As desgraças do golpe de estado recaíram sobre todos, pois eram impotentes diante das armas e dos exércitos.4 E, de uma forma ou de outra, a ferramenta mais usada pelos os que invocaram a força das armas nacionais – que foram colocadas contra a nação – foi a capacidade de incutir ideias de uma revista, um jornal ou uma emissora de TV como a rede globo de televisão, que teve que se desculpar pelo apoio aos 20 longos anos dos “anos de chumbo”.

Quase 50 anos depois do golpe civil-militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, as organizações Globo vêm a público falar desse “equívoco”, lembrando que outros grandes jornais do país também aderiram ao movimento golpista (cita o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil e o Correio do Brasil, “apenas para citar alguns”) e admitindo que as vozes recentes das ruas afirmando que “a Globo apoiou a ditadura” são inquestionáveis.5

É bom ter cuidado com o que diz a televisão, pois como no passado – ou no presente – a TV está alienando tanto quanto aquela instituição que dominou na Idade Média. Inclusive dando engodos e induzindo a imaginação de nobres, pobres ou plebeus.

Ao que parece, na disputa histórica do poder pelo poder, ainda que sem boas intenções, desde que se principiaram os manifestos e protestos contra o atual governo, o partido político, a empresa de comunicação, uma e outra religião, uma ou outra organização estatal estão reunidos, não pelo povo, mas pelos interesses deles mesmos, como aconteceu na Proclamação da Independência (onde o povo talvez não soubesse nem os significados), na Proclamação da República e nas “diretas já” – mesmo que um ou outro estadista, político, humanista ou nacionalista tivesse compromisso de fato com os menos favorecidos. Não podemos generalizar, sob pena de incorrermos em enganos e injúrias contra os homens dignos, das lutas que se foram, mas que temos registros – histórico, jornalístico, literário.

É sensato que nas Democracias, mesmos as capengas, que exista revezamento no poder, com honra e dignidade, justiça também, mas que o alcance deste poder se dê dentro do processo eleitoral, constitucional, político, legítimo. E não com malícia, perfídia e ambição de uma televisão, ou uma religião, ou uma federação (Fiesp, por exemplo), ou associação, todas interessadas em sua própria realização. Outra vez o Estado brasileiro, ao que parece, está caminhando para a ruína e os horrores, ou terrores, do passado, já que querem derrubar um governo, constituir outro, ainda que sem legitimidade ou mesmo uma clara legalidade.

A sociedade brasileira, hoje, esta tentada a acredita que nenhum partido político deste país esta interessado na condição miserável do povo, pois é um partido no poder e outro que quer tomar este poder, desta forma só existindo dois partidos no Brasil. De qualquer forma, tudo indica isto, os partidos, os meios de comunicação – a globo, sobretudo – algumas ordens religiosas, como a “igreja” de Silas Malafaia, estão demonizando o PT e todos os seus membros e ocultando os danos causados pelos os outros partidos à nossa coisa pública (República) – como o caso do rombo do metrô de São Paulo (governos do PSDB). Por que todos os dias, quase o dia todo, só se fala, aponta e condena a um partido, com os seus militantes? Porque outros partidos estão sendo poupados e elencados na mídia, que junto com dadas igrejas, também são poderosas empresas interessadas no poder? Qual o propósito de se abominar e levar à execração pública um partido político – como fizeram nas ditaduras do “ontem”, igual ou semelhante ao que foi feito com o PCB e o PC do B?

No Brasil, as repercussões da Guerra Fria foram imediatas. No dia 7 de maio de 1947, após uma batalha judicial, o PCB teve seu registro cassado. Nesse mesmo dia, o Ministério do Trabalho decretou a intervenção em vários sindicatos e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil, criada pelo movimento sindical em setembro de 1946 e não reconhecida oficialmente pelo governo. O PCB apelou para o Judiciário, requerendo habeas corpus para o livre funcionamento das suas sedes, mas o pedido foi negado. Em seguida, os comunistas tentaram organizar uma nova agremiação partidária, o Partido Popular Progressista (PPP), incorporando as teses centrais do PCB. O TSE também negou o registro para o PPP. A exclusão dos comunistas do sistema político-partidário culminou em janeiro de 1948, com a cassação dos mandatos de todos os parlamentares que haviam sido eleitos pelo PCB. Sob o impacto da cassação, o PCB lançou um manifesto pregando a derrubada de imediata do governo Dutra, considerado um governo “antidemocrático”, de “traição nacional” e “a serviço do imperialismo norte- americano”.6

Indubitavelmente a coisa pública deste País precisa ser preservada e respeitada. Naturalmente que probidade, responsabilidade administrativa, boa fé e honestidade devem ser exigidos de todos cidadãos. Certamente o dinheiro e os bens públicos nacionais devem ser para o uso comum de todos os necessitados, sem pão, sem chão, sem educação, sem opinião, sem instrução, sobretudo. Obviamente que todos aqueles que estão surrupiando a res publica devem ser processados e julgados na FORMA DA LEI e DA ORDEM JURÍDICA, sejam senadores ou governadores, presidentes e prefeitos, deputados ou simples vereadores, e seus assessores. Mas resta saber até que ponto os agentes sociais – ou atores sociais, como diz a Sociologia – que estão figurando na mídia nos últimos tempos como promovedores da Justiça social, da proteção dos cofres públicos, da moralidade e da honestidade com a coisa pública e outros valores, estão interessados realmente com isto apenas, ou se isto não é um grande engodo, como tantos outros que já foram dados à Nação, desde a primeira proclamação. Os homens de bem, as massas espoliadas, os cidadãos tributados e explorados não podem nem devem continuar sendo lesados e furtados pelos “poderosos chefões” de Estado, sendo mister se responsabilizar e punir aos gatunos estatais. Mas isto não significa a tomada dos poderes do Estado com malícias, injúrias, trapaças, de forma forçosa, na mesma condição histórica de antes. É importante que o povo combata seus exploradores, opressores, governantes que são semelhantes, iguais, ou piores, a tantos assaltantes que agem furtando, oprimido, ferido, matando e injustiçando suas vítimas todos os dias, mas que esta luta seja conduzida pelos homens e mulheres da plebe, sem vínculos com este ou aquele partido, como, por exemplo, DEM, PP, PMDB, PSDB, PV, PSD… Afinal de contas são só mais alguns partidos, partidos, que intentam só o poder, mesmo que declarem que seu grande intento é o bem do Povo. São só mais instituições atreladas à politicagem (política corrompida), desde o nascedouro, divorciados a boa política – aquela ensinada por Aristóteles, na “Política”, de 2.500 antes. Porém não se deve esquecer que ainda que um partido político seja ganancioso e covarde, ali, lá e alhures existem homens de dignidade política.

Uma máxima do último filme Hobin Hood, com Russel Growe (do aclamado diretor Ridley Scott), registrada no cabo de uma espada, diz ao povo inglês e aos barões: “lutem e lutem outra vez até os cordeiros se transformarem em leões”. Ou seja, o povo precisa lutar sempre, pois o poder está disposto a oprimi-lo, como fez João Sem Terra, ou João VI, da Inglaterra, levando a uma luta sem precedentes do povo contra o reinado, em 1225. Nunca o nosso povo, em sua totalidade ou maioria, teve tal coragem para lutar assim, pois para os brasileiros cristianizados, tudo que ocorre (na política, na religião, na economia, no poder, na vida) é da vontade Deus ou foi imposição Divina, inclusive a desgraça do povo de países como o Brasil. Logo, sem lutas, com os braços, ou seus complementos, é um povo fadado ao fracasso, ao descaso, à opressão, à exploração, à tributação (sem justo retorno); e tudo de ruim que a política corrompida, o poder estatal e os governantes promoveram para o corpo social. Infelizmente não é apenas de hoje. É de séculos atrás, antes mesmo da existência da res publica.

Um grande pensador, apresentador, intelectual enfim (Antônio Abujamra), perguntava, sempre nos finais de suas entrevistas, no programa “Provocações”, da TV Brasil, aos seus convidados, quem mais tinha feito mal ao Povo brasileiro: a ditadura, a religião, os bancos ou a esperança. As respostas eram as mais diversas. Artistas, intelectuais, jornalistas, juristas, professores, doutores, literatos e ensaístas, cineastas, documentaristas, filósofos, antropólogos, cientistas, poetas, dramaturgos, comunistas e socialistas, enfim, todos indicavam um destes “agentes” como sendo o mais pernicioso para o Brasil, mas, de qualquer forma, apoiado pelos outros; ou nomeavam-se os quatro fatores ou “seres” (ditadura, religião, bancos, esperança) como força perniciosa sobre os brasileiros, para o insucesso de uma nação, desta nação, na maioria dela.

3. CONCLUSÃO

Farsas e forjas estiveram presentes na disputa e ganância pelo poder do Estado, desde os mais antigos estados, causando grandes impasses e combates, sendo a Revolução Francesa um destes embates mais ferrenhos, ou estudados, onde a burguesia – menor grupo social – convenceu aos servos e miseráveis que o povo lutasse com ela para derrubar a nobreza, pois a vitória, o poder e a riqueza tomada do governo feudal seria partilhada, promessa que nunca se realizou. Isto porque o poder e a riqueza se restringiram a um número menor ainda de senhores. As massas foram traídas, enfraquecidas e açoitadas pelos donos das fortunas da Idade Moderna que só distribuíram pão, pau e opressão aos novos servos do poder: o operário do presente; e quem sabe de sempre.

Semelhante condição ocorreu do Leste ao Oeste deste mundo, na Europa ou na África, na Rússia ou no Brasil, no Chile ou em Portugal. Todos foram cenários de golpes, emboscadas e covardias para se tomar o domínio da nação. Inclusive com uso do meio de comunicação mais oportuno à época, como na Rússia de Stalin, o Brasil dos generais – e não do povo – e na Alemanha de Hitler. Os meios de comunicação de massa foram as armas muito poderosas – além das armas de fogo – de muitos processos ditatoriais, como a rede globo e tantos jornais foram dos generais.

O povo precisa ter cuidado com os que certa(s) empresa(s) de comunicação diz(em), como é o caso da TV globo, pois a multidão pode está sendo induzida e manipulada para decidir e solicitar seus piores pesadelos, como aconteceu nas ditaduras, dos civis ou dos generais deste país, tudo registrado pela história. A multidão precisa perceber que tal emissora de TV esta dando ênfase aos fatos envolvendo do PT, no entanto sem apresentar mais (com a mesma veemência) os crimes praticados pelo PSDB, ou PMDB, ou PSB etc. etc., ao longo dos anos desta República tão roubada na coisa pública. Este País assaltado há mais de cinco séculos, pois da colônia ao império, e na conversão deste em res publica, nunca deixou de ser, jamais, furtado, com civis ou militares sendo “os donos do poder”.

Que haja consciência social que não existe apenas uma televisão, ou uma revista, um jornal, cada qual com o seu anseio: tomar o governo da nação. Existem outras TVs, como a TV Brasil (canal 11), a TV Cultura, a rede TV, ainda que uma pequena TV, mas com discussão, debates, entrevistas, depoimentos que revelam que nem tudo está sendo dito ou demonstrado pela grande mídia – que procura engendrar opinião, mesmo que parcial ou com meias verdades.

Quem não buscar beber em outras fontes corre o risco de acreditar que só há uma opinião ou verdadeira visão de um jornalista, um capitalista, um materialista ou um fascista. É um engano igual ou semelhante a acreditar que só há uma religião capaz de conduzir, amparar, apoiar, socorrer etc., como foi até o fim do domínio da igreja do império. Daí uma grande contradição, pois seus dirigentes tiveram que pedir perdão por tantas aberrações de outrora, perdão este solicitado pelo papa João Paulo II, uma vez que falsidades e quimeras foram impostas e cobradas, causando suplícios e dores a quem negasse àquela igreja, como foi o caso dos tormentos trazidos pelo tribunal da “santa inquisição”, mesmo que não tivesse nada de santidade e sim, certamente, quem sabe muita maldade.

Que a nação lute, peleje, combata até o fim, por si, nem que seja com paus em pedras, mas sem nomear nem nominar heróis, santos, anjos, salvadores, pois ela estará sempre fadada ao insucesso, como a história da humanidade trata de provar. Que está nação nunca esqueça sua história de clamor, dor e horror, tudo registrado nas memórias dos homens, nos roteiros dos filmes, pelos documentaristas, pelos jornalistas, em documentos e nos livros, v. g., o “Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964”.

BIBLIOGRAFIA

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Brasil: nunca mais. Prefácio de Dom Paulo Evaristo Arns. 15ª Edição. Petrópolis: Vozes, 1986.

CAMPOS, Flávio de. A escrita da história: ensino médio: volume único. 1ª ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005.

Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964. Prefácio de Dom Paulo Evaristo Arns. Apresentação Miguel Arraes de Alencar. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1995.

MORAES, José Geraldo Vinci de. História: geral e do Brasil, volume único. 1ª edição. São Paulo: Atual, 2003. (Coleção Ensino Médio Atual).

ROSENFIELD, Denis L.. O que é democracia. São Paulo: Editora Brasiliense, 8ª reimpressão da 5ª edição, 2008 (Coleção primeiros passos, 219).

SPINDEL, Arnaldo. O que são ditaduras. 4ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985. (Coleção “Primeiros passos”, nº 22).

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VICENTINO, Cláudio. História Geral, ensino médio. Edição atualizada e ampliada. São Paulo: Scipione, 2002;

PUBLICAÇÕES ELETRÔNICAS (ACONSELHADAS)

 

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http://cartamaior.com.br/?/Coluna/O-editorial-de-O-Globo-e-a-caixa-preta-da-relacao-da-midia-com-a-ditadura/28651

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/quando-a-rede-globo-ira-reparar-o-pais-pelo-seu-apoio-a-ditadura-militar-por-carlos-fernandes/

http://www.brasildefato.com.br/node/25869

http://jornalggn.com.br/noticia/a-tortura-e-os-mortos-na-ditadura-militar

http://www.une.org.br/2015/04/especial-50-anos-da-rede-globo-um-caso-de-amor-com-a-ditadura/

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/golpe-1964-anos-conspiracao-434185.shtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_Estado_no_Brasil_em_1964

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/03/15/filme-revela-como-eua-deram-o-golpe-de-1964

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-03/governo-norte-americano-participa-de-golpe-militar-no-brasil

http://contee.org.br/contee/index.php/2014/04/os-horrores-do-regime-militar-a-farsa-que-se-transformou-na-maior-tragedia-do-brasil/#.VwJ5-PkrKM8

1 TOLEDO, Cai Navarro de. O governo Goulart e o golpe de 64. 9ª edição. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988, p. 17-18.

2 Durante muito tempo predominou uma máxima entre os juristas e profissionais do Direito que dizia que no Brasil lei e ” justiça” era para pobres, pretos e prostitutas. Mas, não temos o intento de ofender a estes grupos sociais, pois pobres também tem dignidades e qualidades; os negros foram os grandes construtores das riquezas dos seus “senhores” e as profissionais do sexo favoreceram, acalentaram, confortaram a “nobres” e plebeus, desde os tempos mais remotos. Não há como negar.

3 Aventuras na História: 50 anos do golpe. A ditadura militar no Brasil. São Paulo: Abril, 2014, p. 53.

4 A sociedade, quase toda, esqueceu que a função primordial de um exército desde os tempos mais longínquos, é combater e matar. Exércitos não foram criados para governar, em nenhum lugar do mundo, pois um general é instruído, ou exercitado, ou treinado, para comandar aos seus subordinados, exclusivamente: militares. Nem generais, nem exércitos, nunca foram ensinados para presidir uma sociedade civil, com os mais diversos anseios, carências e projetos. Nenhum exército foi programado e instruído para conduzir uma nação com as mais diversas deficiências, carências, misérias e dificuldades, de forma que cada qual quer realizar suas aspirações e necessidades, na educação, na habitação, na saúde, na segurança, na profissionalização, no lazer, na cultura, na arte, na cidadania, na liberdade. Comanda, ou presidir, um exército de homens já programados ou adestrados para obedecerem, sem opinião, sem manifestação, sem questionar nem reivindicar, sem instrução – nas suas bases – sem opção, sem representação etc. é diferente de presidir uma nação; sempre será. Os exércitos e seus militares, doutrinados para aceitar sem oposição, têm dogmas, a sociedade civil não.

5 O editorial de O Globo e a caixa preta da relação da mídia com a ditadura, disponível em http://cartamaior.com.br/?/Coluna/O-editorial-de-O-Globo-e-a-caixa-preta-da-relacao-da-midia-com-a-ditadura/28651, capturado em 05/04/16.

 

6Entre dois governos: 1945 – 1950 > A cassação do Partido Comunista no cenário da guerra fria, disponível em https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/DoisGovernos/CassacaoPC, capturado em 04/04/16.

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