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Tiririca e Eça de Queirós

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O que poderia haver em comum entre Tiririca e Eça de Queirós? Pois é, nada! Um escrevia muito e o outro, dizem, sequer escreve. Um foi excelente escritor, e o outro ainda é excelente palhaço. Eça de Queirós dizia que “em cada cidade, em cada município, em cada povoado, há sempre um grupo de homens que estão longe do povo, dos seus interesses, dos seus tormentos, da sua alma; chama-se a este grupo mundo oficial, camarilha, aristocracia, etc.” Esta mensagem de Eça te lembra de alguma coisa?

Dizem que Tiririca, que foi o escolhido por mais de um milhão e trezentas mil pessoas, não sabe nem ler nem escrever. E precisa saber? Para ser deputado federal, é preciso saber ler e escrever? Com tantos assessores por perto, quem precisa saber ler e escrever? Um homem com mais de um milhão de votos não está longe do povo, nem dos seus tormentos, nem de sua alma; não faz parte de nenhum mundo oficial, nem de camarilhas, nem da aristocracia. Por isso ele foi o escolhido! E com tantos assessores, repito, quem precisa saber ler e escrever? Há tantos analfabetos inteligentes! Há tantos analfabetos bem-sucedidos! Antes cem analfabetos honestos a um letrado corrupto!

Duas frases sarcásticas foram ditas por Tiririca, em sua campanha, que marcaram: “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”, e “Pior do que tá não fica, vote Tiririca”. Eça de Queirós adoraria! Genial, não? Eça foi considerado um demônio do sarcasmo ágil e um sentimental, e Tiririca também é isso, não é? O lado sentimental de Tiririca, para mim, se revela, entre outras coisas, na música Florentina (“Florentina, Florentina, Florentina de Jesus, não sei se tu me amas, pra que tu me seduz?”). Pois é, o português não é primoroso, eu sei, mas vendeu mais de um milhão e trezentas mil cópias! Opa! Vejam a coincidência dos números! Logo, Eça e Tiririca têm algumas coisas em comum, enfim: sarcasmo e sentimentalismo! Florentina foi uma namorada de Tiririca quando ele tinha 18 anos, e ele deu o nome da filha de Florentina. É sentimental ou não?

Por outro lado, quantos deputados federais, entre os que já estão por lá e os que vão entrar agora, sabem o que faz um deputado federal? Pensem bem? Agora, pior do que “tá”, fica sim! Basta o Tiririca não entrar! Mesmo que a lei diga uma coisa, a justiça diz outra! A Constituição Federal diz que são inelegíveis os analfabetos. Mas, ainda que esteja na Constituição, essa norma não seria uma forma de preconceito, não seria discriminação? Todos são ou não são iguais perante as leis? Caso Tiririca não entre, ele que foi escolhido por mais de um milhão de pessoas, será uma injustiça para ele e para o povo que o elegeu! Por mais absurdo que esse posicionamento possa parecer para alguns, para mim a condução de Tiririca ao cargo revela respeito ao princípio da igualdade e realiza a verdadeira justiça!

Bem, o certo é que uma revista o “entregou”, e a justiça (sic) resolveu colocar os conhecimentos dele em teste. Querem aparecer mais do que ele! Tem gente vibrando para Tiririca perder o direito de assumir – veja bem, eu disse “direito” –, porque os votos dele vão fazer a festa imerecida de terceiros. Que violência! Que injustiça! E tem gente que se presta para esse papel hediondo de tentar prejudicar o Tiririca. Eça de Queirós dizia que “a verdade nunca é branda demais para os que erram; a justiça nunca é terrível demais para os que oprimem”. Tiririca deve estar se sentindo oprimido nesta hora! Mas ainda acho que a justiça tarda, mas não falha, nem para os opressores!

Um ponto a ser considerado: há uma charge no YouTube em que um desenho do Tiririca explica o motivo de ele ter-se candidatado. Ele diz que nunca foi político, mas que o chamaram por causa de um “negócio” que ajuda os “malas” a se eleger, que é o tal do “quociente eleitoral”. O que é isso? Resumidamente, ele diz que o “quociente eleitoral é aquilo que possibilita que você vote no palhaço e eleja o marginal!” E continua explicando: “um dia, eu estava na televisão trabalhando e eles me convidaram para participar das eleições e me ofereceram 500 mil reais para gastar na campanha. Isto porque ‘eles’ sabiam que, quanto mais votos Tiririca tivesse, menos votos ‘eles’ precisariam para se eleger!” Finalizando a brincadeira (sic) no YouTube, Tiririca diz que, com os votos que ele conseguiu, ajudou ao menos três “fichas sujas” do “mensalão” a entrar e pergunta: “Este povo da política é esperto demais, né?” E ele canta na charge: “Quociente quociente, quociente eleitoral, você vota no palhaço e elege o marginal!” É a puríssima verdade!

Quem são eles? Quem são os beneficiados? Quem preparou a tal declaração? Quem o orientou como assinar? Quem o induziu? O que, realmente, aconteceu? Esta política do voto obrigatório, de conchavos, de coligações, do quociente eleitoral… dá nojo, não dá?

Outro ponto a ser considerado, salvo engano, vem consubstanciado na possível preclusão da cassação do registro de Tiririca, isso porque, ao solicitar o seu registro com a carta que hoje está sob suspeita e se discute, caso esta ensejasse qualquer dúvida, a mesma deveria ter sido arguida e/ou contestada antes do deferimento do pedido de registro, o que evitaria a estrondosa votação que ele recebeu, só superada uma única vez na história da política brasileira pelo candidato cujo refrão marcou: “Meu nome é Enéas!” (foram mais de um milhão e setecentos mil votos).

O certo e indiscutível é que existem centenas de palhaços espalhados pelos três poderes, e disso ninguém duvida. Palhaços e corruptos! E alguns deles, agora, resolveram se unir para tentar impedir que Tiririca assuma o seu papel de velar pelos seus constituintes e pelo constituinte geral, comum e soberano que se chama povo. E com milhares de votos a mais do que todos os outros deputados, Tiririca soube agradar e convencer esse povo! Ao menos uma certeza todos nós temos: caso ele consiga entrar, entre as centenas de palhaços que existem travestidos de deputado federal – há raras exceções –,

Tiririca será o único autêntico, sincero, verdadeiro e, o mais importante, engraçado! Porque o que acontece lá hoje, sinceramente, não tem a menor graça!