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10
set2017

XXVII Troféu Dom Quixote – Um símbolo dos valores éticos e da amizade

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Os laços de amizade e valores que unem todos os brasileiros em torno de um mesmo ideal de justiça, ética e cidadania deram a tônica da cerimônia de outorga do XXVII troféu Dom Quixote de La Mancha e Sancho Pança, no Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na noite de 16 de agosto. Promovido pela revista Justiça & Cidadania e pela Confraria Dom Quixote, com o apoio da Itaipu Binacional, o evento ocorreu na mesma data que marcou um ano da morte de Orpheu Santos Salles, fundador do Instituto Justiça & Cidadania e criador da premiação.

A amizade também foi o tema do discurso emocionado, proferido na abertura do evento pelo presidente do Instituto, o jornalista Tiago Salles, filho de Orpheu. “Nesta mesma data, em 2016, perdi a convivência com o meu Quixote, meu inspirador, meu pai, meu amigo. Muitas palavras podem ser usadas para definir Orpheu, mas as que mais me chamam a atenção são gratidão e amizade”, disse ele ao falar sobre a trajetória de Orpheu, que foi alvo da repressão do regime militar, quando foi encaminhado ao DOPS (o antigo Departamento de Ordem Política e Social), ficando preso durante seis meses no Navio Raul Soares, o cárcere flutuante ancorado no Porto de Santos.

Tiago lembrou que, desde jovem, seu pai foi um verdadeiro “Dom Quixote” e, mesmo perseguido, preso, torturado, exilado, nunca se deixou abater. Tanto que, aos 78 anos, decidiu fundar a revista Justiça & Cidadania, pois acreditava ser necessário defender incondicionalmente a magistratura. “Orpheu admirava e enxergava os juízes brasileiros como outros Quixotes, que lutam contra as injus­tiças e sonham, assim como ele, com um Brasil melhor”, declarou seu filho. A decisão de criar os troféus Dom Quixote e Sancho Pança, ofertado às personalidades que se destacam pela defesa da ética, da moralidade, da dignidade, da justiça e dos direitos da cidadania foi tomada na crença de que era preciso prestigiar aqueles que, assim como ele próprio, defendiam esses valores acima de tudo.

“Esta é a primeira vez que a cerimônia é rea­li­­zada sem a presença de Orpheu. O Senador Bernardo Cabral e eu acreditamos que deveríamos es­colher um tema para esta ocasião, algo que remetesse ao grande ho­me­nageado. Escolhemos a amizade. E, falando da amizade, explico a razão de a Confraria Dom Quixote e a revista Justiça & Cidadania home­na­gearem os senhores no dia de hoje. Os senhores são homens e mulheres raros, assim como as suas amizades. Posso dizer com toda a certeza que dentre todos os homenageados só se encontram amigos”, afirmou Tiago Salles.

Falando em nome da revista, da Confraria e do Instituto Justiça e Cidadania, ele também mencionou seu sentimento de orgulho por contar com a amizade e confiança de todos os presentes no evento. “Continuarei o trabalho que Orpheu iniciou em nome de vocês magistrados e de todos aqueles que de alguma maneira apoiam a magistratura, e para todos os senhores”, concluiu.

A mesa do evento foi coordenada pela ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e composta pelos ministros do STF, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux; o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Martins Filho; a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz; o Corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha; o ex-senador Bernardo Cabral, chanceler da Confraria Dom Quixote; e o ex-presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.

Antes de iniciar a entrega dos troféus aos agraciados desta edição da premiação (veja quadro), o presidente da Confraria, Bernardo Cabral, pediu um minuto de silêncio em homenagem a Orpheu Salles. Marcus Vinicius Coêlho se pronunciou em seguida, também falando sobre o criador do prêmio em seu discurso. “Eu poderia saudar Orpheu por tudo o que ele já representou para a ciência jurídica, para o jornalismo, para a imprensa, mas gostaria de saudá-lo por sua postura. Depois de ter sido perseguido pela ditadura militar, ele dedicou sua vida à democracia. É necessário preservar as instituições em nome dessa liberdade de opinião da qual desfrutamos hoje”, declarou.

Para o presidente do TST, ministro Ives Gandra Martins Filho, Orpheu tinha uma enorme capacidade de aglutinação, sendo que a Confraria é o maior exemplo disto. “É a Confraria que nos permite manter laços de amizade que não se encerram aqui, mas se estendem”, disse ele, mencionando as grandes amizades que fez ao longo de sua trajetória no Poder Judiciário.

A ministra Laurita Vaz, presidente do STJ, declarou que Orpheu legou a todos um trabalho imenso, seja servindo a sociedade, seja combatendo o autoritarismo. “É um trabalho de uma vida, materializado com a fundação da revista Justiça & Cidadania, ao lado de seu filho, que sempre esteve presente, e com a criação dos prêmios Dom Quixote e Sancho Pança. Tive a honra de receber esses dois troféus, que ocupam um lugar privilegiado em minha estante, trazendo-me uma lembrança permanente do compromisso assumido por Orpheu Salles com a sociedade.”

O chanceler da Confraria, Bernardo Cabral, co­meçou seu pronun­cia­mento lembrando que Orpheu sofreu muito com a longa detenção nos porões do navio-prisão. “A outorga do troféu Dom Quixote, que se pauta pelas ética, moralidade, dignidade, justiça e cidadania, também é um mo­mento de fazer um alerta. É um momento de crítica construtiva sobre a participação, sem adesismo condenável, da contribuição não só em criatividade, mas em soli­dariedade, a fim de ajudar o Brasil a sair do poço escuro da apatia, do medo, do desânimo e do descrédito. A Nação precisa continuar empenhada em encontrar os caminhos de sua grandeza e, para isso, se faz necessário que nos voltemos todos para sua reconstrução política, fincando raízes no subsolo da nossa nacionalidade, alcançando as suas estruturas econômica e política, pois um país só se mantém erguido nos braços da soberania de seu povo. Chega de tamanha desfaçatez. Está na hora de colocar um ponto final nas crises política, moral, econômica e, sobretudo, ética”, defendeu ele antes de fazer uma homenagem surpresa a Tiago Salles, com a entrega do Troféu Dom Quixote, pelo seu trabalho e esforço de manter viva a memória de Orpheu Salles e continuar sua luta em prol da magistratura.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, come­ntou que, na data que marca a lembrança de um ano da partida de Orpheu, o encontro trouxe um significado adicional, representando os desafios da vida e do destino inevitável da morte. “É isso que faz com que cada um de nós se comprometa a ser sempre mais responsável, uma vez que a vida está mais dura. Para nós, juízes, nem se diga, mas tam­bém para todos os cidadãos brasileiros, para todos aqueles que têm responsabilidades com o seu próximo. Mas a vida também é boa e é curta. Por mais que se viva, sabemos que teríamos muito mais a fazer. E a partida do Orpheu, tantas vezes lembrada por tudo o que ele representou, por tudo que ele apresentou em todas as vezes que conosco esteve em eventos como este, é o que nos leva a receber este troféu, não apenas como honraria, mas como um chamamento à responsabilidade cada vez maior, especialmente em tempos de maior dificuldade como os que vivemos agora”.

A ministra também mencionou o discurso de Tiago Salles, por sua escolha do tema da amizade como mote para o evento, afirmando que talvez seja isto que a vida e a morte permanentemente nos deixam. “A amizade conta, o afeto conta, é isso o que não passa, porque em tempos de desavenças, principalmente, sabe-se o valor da amizade e sabe-se o valor do que é feito em nome desta. Não apenas a amizade física, pessoal, mas pelos valores de que tantas vezes nós, hoje, nos ressentimos pela ausência e carência. Nós teremos muitas guerras para vencer antes de termos um pouco de paz, mas todas essas guerras valem a pena se tivermos o compromisso do que nós cantamos desde a infância em nosso hino ao dizer que ‘o Brasil verá que um filho teu não foge à luta’. Os juízes brasileiros não fogem à luta, os cidadãos brasileiros não fogem à luta, os advogados brasileiros não fogem à luta – como eu acredito que todo o sistema de justiça assim tem se comportado, a despeito de falhas que existem, porque somos humanos, e os humanos falham. E é esta honestidade, principalmente, a simplicidade de saber que assim é, mas que es­ta­­mos lutando para ter um Judiciário digno, melhor e, principalmente, coerente com o que a sociedade espera. Talvez isso tenha feito com que muitos de nós, da área Jurídica, especificamente da magistratura, tenhamos sido lembrados para receber com muita tranquilidade e, também com certo orgulho, este troféu ao qual queremos fazer jus. Pelo Brasil ter homens como Orpheu e como Bernardo Cabral, que sabem que a luta faz parte da vida e que ela vale a pena por nós e pelo que estão juntos de nós e, principalmente, para quem vier depois de nós. Eles saberão que se nós não acertamos, fizemos o que fomos capazes de fazer para que tudo desse certo. Se não deu certo para nós, dará para aqueles que não receberam um Brasil melhor. Um Brasil onde houve pessoas que lutaram permanentemente com os melhores sonhos. Espero que, os que vierem depois de nós, continuem a lutar por este mesmo sonho, o ‘sonho de amor Brasil’”, declarou a magistrada.

Premiação

A primeira edição do troféu Dom Quixote foi realizada em 1999, quando Orpheu Salles fez uma homenagem aos ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio de Mello, presidente e vice-presidente do STF à época.O troféu Dom Quixote é concedido às perso­na­lidades que se destacam na luta em defesa da ética, da moral e dos direitos da cidadania. Por sua vez, o troféu Sancho Pança surgiu para homenagear aqueles que, uma vez agraciados com o “Dom Quixote”, se mantêm fiéis aos mesmos princípios.

Senador Bernardo Cabral entrega o Troféu Dom Quixote ao Presidente do Instituto Justiça e Cidadania Tiago Salles

Homenageados 2017

Troféu Dom Quixote
Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, do STJ
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ
Ministro Sebastião dos Reis Júnior, do STJ
Ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU)
Desembargador Flávio Pascarelli, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM)
José Isaac Peres, Presidente da Multiplan

Troféu Sancho Pança
Ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, Presidente do STF
Ministro Luís Roberto Barroso, do STF
Ministro João Otávio de Noronha, do STJ, Corregedor Nacional de Justiça
Ministro Luís Felipe Salomão, do STJ
Ministro Mauro Campbell Marques, do STJ
Ministro Antônio Carlos Ferreira, do STJ
Ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do STJ
Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, do TST
Ministro Alexandre Agra Belmonte, do TST
Ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, do STM
Desembargador André Fontes, Presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2)
Marcus Vinicius Furtado Coelho, Conselheiro da OAB
Antonio Augusto Coelho, Advogado
Milton Matsumoto, Conselheiro do Bradesco

O Senador Bernardo Cabral entrega o Troféu Sancho Pança à Ministra Cármen Lúcia, Presidente do STF

Dr. Marcus Vinícius Furtado Coelho, recebe o Troféu Sancho Pança das mãos do Min. Ricardo Lewandowski, do STF

O Min. do STF Luiz Fux entrega o Troféu Dom Quixote ao Sr. José Isaac Peres, Presidente da Multiplan

Min. Barroso, do STF, recebe o Troféu Sancho Pança das mãos do Pre sidente do Instituto Justiça & Cidadania, Tiago Salles

Senador Bernardo Cabral entrega o Troféu Sancho Pança ao Min. Alexandre Agra Belmonte, do TST

O Min. do STF, Luiz Fux, entrega o Troféu Dom Quixote ao Min. do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas

O Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ, recebe das mãos de seu pai, Jayme Cueva, o Troféu Dom Quixote

O Min. Paulo de Tarso Sanseverino, do STJ, recebe das mãos de sua esposa, Maria do Carmo Sanseverino, o Troféu Dom Quixote

O Min. Caputo Bastos, do TST, recebe o Troféu Sancho Pança das mãos do Min. Ives Gandra Martins Filho, Pres. do TST

O Min. do STJ, João Otávio de Noronha, recebe o Troféu Sancho Pança das mãos da Dra Anna Carolina Noronha

Senador Bernardo Cabral entrega o Troféu Dom Quixote ao Des. Flávio Pascarelli, Presidente do TJ-AM

Dra. Ana Tereza Basilio entrega ao seu marido, o Des. Federal André Fontes, Presidente do TRF-2, o Troféu Sancho Pança

Hugo da Trindade dos Reis entrega ao seu pai, o Min. do STJ, Sebastião dos Reis Jr., o Troféu Dom Quixote

Milton Matsumoto, das Organizações Bradesco, recebe o Troféu Sancho Pança de sua esposa, a Sra. Maria Bernadete

Senador Bernardo Cabral entrega o Troféu Sancho Pança ao Min. Mauro Campbell, do STJ

O Min. Paulo Dias de Moura Ribeiro, do STJ, recebe de sua esposa, a Desa. Maria Olívia, do TJ/SP, o Troféu Sancho Pança

O Gen. de Divisão Romeu Costa entrega o Troféu Sancho Pança à Min. do STM, Maria Elizabeth G. T. Rocha

Dr. Antonio Augusto Coelho recebe o Troféu Sancho Pança das mãos do Min. João Otávio de Noronha, do STJ