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Mariana e a Estrada Real

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Registramos, com indizível satisfação, a deflagração desse movimento cívico de valorização e incremento das potencialidades  turísticas da região mineira dos Inconfidentes, com extensão aos territórios do Estado do Rio de Janeiro e, em menor escala, do Estado de São Paulo,-representado por esse projeto que se convencionou denominar “Estrada Real’:, numa merecida homenagem ao caminho percorrido, nos séculos 17 e 18, para transporte de ouro e diamantes, de Diamantina a Paraty, na época principal porto do litoral fluminense.

A iniciativa só deverá granjear encômios e compromissada solidariedade dos que, como nós, originários daquela região, estamos acumpliciados com o dever filial de louvar essa empreitada fascinante, reconhecendo os esforços meritórios do jovem governador Aécio Neves, liderança inconteste no cenário político estadual, demonstrando larga visão administrativa, ao assumir uma parceria com a Federação das Indústrias de Minas Gerais -FJEMG, na criação do Instituto Estrada Real, na gestão do dinâmico industrial Robson Braga de Andrade, projeto que recebeu o indispensável e significativo apoio formal do operoso Ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia.

No contexto desse projeto, Mariana se insere na sua condição inquestionável de precursora da história de Minas Gerais, em seus aspectos social, político, institucional, cultural, arquitetônico, religioso e artístico, indubitavelmente na condição de matriz, a célula-mater da formação sócio-política e cultural de Minas Gerais. Guardiã de um passado mineiro de história, de arte, e de religiosidade, construído pela trajetória brilhante de filhos seus, ilustres, Mariana celebra, com desvanecimento, os feitos poéticos de Cláudio Manoel da Costa, de Frei José de Santa Rita Durão e de seu filho adotivo Alphonsus de Guimaraens, bem como exalta a excelência artística do pintor Manoel da Costa Athayde, ao tempo em que reconhece e proclama as virtudes cívicas e morais do político Pedro Aleixo, entre tantos outros, que, se relembrados, alongariam demasiado esta citação.

Mas, o culto ao passado, o fervor pela tradição, que plasmam a alma de um povo e balizam seus caminhos para um futuro radioso, têm que se conjugar aos anseios de modernidade para a conquista de novos e instigantes desafios, buscando situar Mariana no plano de uma cidade que, a partir de suas indiscutíveis potencialidades, desempenhe, em Minas, um papel hegemônico no campo do turismo.

É por essa razão que, com a vivência adquirida na Administração Pública, ousamos sugerir um modelo de desenvolvimento da vocação turística da região, que guarda, em seu bojo, um sentido prático e uma clara indicação de que se deve forcejar por induzir-se um vigoroso progresso para esta importante Região Histórica dos Inconfidentes, mormente agora com a realidade inconteste dessa iniciativa de escol, que é a Estrada Real, a partir do somatório dos esforços de todas as municipalidades, que se agregam no entorno destes recantos históricos das Minas Gerais, com o indispensável apoio dos governos estadual e federal e da iniciativa privada.

Assim é que, como já nos pronunciamos em outra oportunidade, visualizamos a viabilidade de criação de um grande pólo turístico, envolvendo Mariana e Ouro Preto, ancorado, notadamente, na infra-estrutura existente e na que se implante, mediante um projeto ousado de desenvolvimento, que venha a contribuir para a melhoria das condições de oferta de programas culturais, educativos, de pesquisa e de lazer, a que não ficaria alheio o incentivo à gastronomia regional, num apelo à avidez do saber e ao desfrute do ócio com dignidade dos que, nacionais ou forâneos, procurem haurir conhecimentos e conviver com o espírito de mineiridade de nossa gente.

Em termos práticos a agenda de eventos de natureza histórica, cultural e religiosa, contemplaria as festividades tradicionais ligadas à comemoração da Inconfidência Mineira, nela se inserindo o Dia de Tiradentes, o Dia de Minas Gerais, com extensa programação que abrangesse o período de uma semana, e os festejos de 12 de outubro, alusivos ao aniversário da Escola de Minas, bem como os atos litúrgicos da Semana Santa, realizados, intercaladamente, em Mariana e em Ouro Preto. À temática religiosa, não estaria ausente a peregrinação permanente, com roteiro bem elaborado, para a visitação aos templos religiosos, e a exposições do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, e do museu de Ouro Preto e à realização de concertos do órgão Arp Schnitger, da Catedral de Mariana, construí do em 1701 e um dos dois únicos dessa marca remanescentes no Mundo, e para freqüência a recitais de músicas coloniais, inserindo-se no roteiro visitas à Casa de Cultura e Cadeia, uma das jóias do período colonial mineiro. A par desses aspectos, há que assinalar-se a oportunidade de resgate do predomínio do espírito de religiosidade, exteriorizado no acompanhamento dos rituais e das pompas dos cultos religiosos, tão presentes e marcantes no passado.

Enfatizamos também a indispensável inclusão nos roteiros turísticos da visita à extinta mina de ouro da Passagem, com seus 350 metros de extensão e a 120 metros de profundidade, bem como assinalar a premente necessidade de retorno da antiga viagem turística Mariana-Ouro Preto, com a reimplantação da ligação férrea, ora desativada, que aproximaria ainda mais os dois municípios, criando incontáveis beneficios às suas comunidade, além de consagrar a interação da Região Histórica dos Inconfidentes.

É oportuno dar-se conta da relevância dessa parceria entre as duas cidades, na medida em que as eventuais divergências e conflitos naturais de interesses menores, porventura existentes, iriam ceder a uma conjugação sadia de propósitos comuns, voltados para o engrandecimento e melhoria das condições de vida das comunidades envolvidas, pela atuação de fatores que alavancariam o progresso e o crescimento da oferta turística da Região Histórica dos Inconfidentes. Naturalmente que este é um projeto multidisciplinar e complexo, que contempla a participação indistinta das duas municipalidades, com a contribuição insubstituível e os esforços ingentes de seus prefeitos e edis, demais dirigentes de órgãos públicos, e a colaboração indispensável da Arquidiocese, pioneira em nosso Estado, e das entidades de classe da Indústria e do Comércio da região enfocada. Os ganhos, quero crer, seriam generalizados e a repercussão extra-fronteiras do Estado atingiria uma progressiva amplitude de alcance, situando a região entre as de maior receptividade do mercado turístico.

Evidentemente que, nas atuais circunstâncias, com a criação do Instituto Estrada Real, na expressão feliz do governador Aécio Neves: “Um projeto à altura da grandeza de Minas e capaz de mobilizar não só a imaginação e o renovado interesse dos turistas em todos os continentes, mas que representa também um poderoso estímulo à criatividade dos empresários do setor, nacionais e estrangeiros”, o projeto turístico aqui exposto terá que ajustar-se, inelutavelmente, no contexto mais amplo e nos objetivos mais ambiciosos do empreendimento patrocinado pela FIEMG.

Para nós, marianenses, o fundamental é que Mariana não seja jungida, o que seguramente não ocorrerá, a uma condição subalterna de mera espectadora passiva dos eventos que se desenrolem no âmbito do Estrada Real, mas que represente um pólo indutor de atividades culturais e “artísticas, com fulcro no turismo, mercê de suas potencialidades que, se exploradas adequadamente, compartilhando com as demais cidades que compõem a Região Histórica dos Inconfidentes, renderão, indubitavelmente, os benefícios que se espera venham a ser alcançados pelo nobre e generoso povo das alterosas.