Edição

Ótima sorte para o Brasil em 2019

3 de janeiro de 2019

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Os mais antigos contam que quando Zico jogava no Flamengo e na Seleção, sempre que não havia goleiro disponível, no final dos treinos com o time ele amarrava camisas nos ângulos da baliza para treinar cobranças de falta. Dizem que dava mais de 200 chutes nesses treinos, mirando sempre nas camisas, que estavam em uma posição quase inalcançável para qualquer goleiro. Conta a anedota que em um final de jogo no Maracanã, no qual tinha marcado um golaço de falta, o craque foi interpelado por um repórter inexperiente que no meio da entrevista comentou: “Nossa Zico, que sorte colocar aquela bola no cantinho!”. Ouviu em resposta: “Pois é, quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”.

Seja verdadeiro ou imaginário este diálogo, o causo do craque que treina exaustivamente até alcançar a perfeição serve como metáfora para a vida. Ter coragem ou sentir-se apto para realizar grandes feitos é importante, mas realmente ser capaz de fazer não é algo que dependa unicamente de disposição, de fé ou de vontade. Não basta ter sorte, é preciso estar preparado para fazer e mais preparado ainda para fazer com maestria.

A mesma metáfora serve hoje ao nosso país. Não basta acreditar que vamos ter sorte, que “Deus é brasileiro” e que tudo vai dar certo, tampouco ajuda torcer pelo “quanto pior, melhor”, porque se ficar pior, será para todos. Por isso, cada um de nós e das nossas instituições precisa se capacitar continuamente, para estarmos sempre prontos a dar nossa contribuição e ajudar o Brasil a retomar o rumo do desenvolvimento. O que, necessariamente, precisa ser feito com democracia, com igualdade de direitos e oportunidades, com paz e com prosperidade para todas as famílias brasileiras. Claro, se a sorte ajudar, melhor ainda.

Assim, desejamos muito preparo e sorte aos novos governantes – ao presidente, aos governadores e seus vices. Que sejam fortes o suficiente para levar à frente as reformas de que o país tanto precisa, e flexíveis o bastante para contemplar toda a multiplicidade de nossa sociedade nessas mudanças. Desejamos também muito preparo e sorte aos novos deputados e senadores, como àqueles que renovaram seus mandatos, para que representem à altura no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas as necessidades e os anseios do povo por uma vida melhor, regida por uma política mais ética, transparente e digna.

Desejamos muita sorte e preparo sobretudo à sociedade, para que cobre com milhões de vozes e vigie com duas vezes mais olhos os atos daqueles que foram eleitos aos palácios e parlamentos – bem como tenha sabedoria para distinguir os fatos verdadeiros das pós-verdades. O mesmo desejamos à imprensa, para que nós e nossos colegas sejamos capazes de cumprir com excelência nossa elevada missão de informar, com ética, inteligência e objetividade.

Quanto à Justiça, muito mais do que apenas desejar excelentes resultados no Ano Novo, nós da Editora e do Instituto JC reafirmamos nosso compromisso de estar sempre no mesmo time, tanto nos treinos quanto nos jogos para valer, para marcar cada vez mais gols de placa, indefensáveis. Nosso troféu será a satisfação de fazer parte de um esforço coletivo que terá como resultado um país menos desigual, mais justo e mais cidadão. Prêmio que queremos compartilhar com todos os brasileiros, de qualquer cor, gênero ou torcida. Pois, como disse um dia o pastor protestante e ativista político norte-americano Martin Luther King – que também era craque, não em jogar bola, mas em iluminar o coração das pessoas com as palavras certas – “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”.

Nesta edição – Além dos artigos de magistrados, acadêmicos e juristas de renome que há quase 20 anos fazem da Revista Justiça & Cidadania um importante repositório de saber teórico e prático em Direito, esta edição traz a cobertura dos eventos que movimentaram o universo jurídico nas últimas semanas do ano passado. Fomos a Foz do Iguaçu saber tudo o que aconteceu no XII Encontro Nacional do Poder Judiciário, que aprovou as oito Metas Nacionais para 2019 e premiou os tribunais que mais se destacaram, em diferentes categorias, com os selos Justiça em Números.

Fomos também a Salvador conferir os detalhes do simpósio – realizado em parceria entre o Instituto JC e o TJBA – que reuniu ministros das cortes superiores aos magistrados estaduais para discutir os desafios de administrar a Justiça em um estado com as dimensões da Bahia, com sua enormidade territorial, mais municípios do que comarcas, além de grandes carências de recursos humanos e materiais. No Rio de Janeiro, acompanhamos o seminário no qual ministros do STF, do STJ e do TST se juntaram a outros grandes nomes do Direito para discutir os 30 anos de vigência da Constituição Cidadã e seus prováveis desdobramentos nas próximas três décadas.

A seção Dom Quixote, criada para dar visibilidade e incentivar iniciativas do Poder Judiciário em prol da inclusão social e da promoção da cidadania, traz também uma entrevista com a desembargadora fluminense Cristina Tereza Gaulia. Ela é a responsável no TJRJ pela coordenação do programa de Justiça Itinerante, que este ano completa 15 anos de existência, próximo de alcançar a marca de um milhão de atendimentos em favelas, presídios e outros locais de acesso restrito à Justiça convencional.

Boa leitura e feliz Ano Novo!

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