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27
fev2019

“Sou a favor do porte de livros”

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Ana Tereza Basílio, Vice-Presidente da OAB-RJ, lidera campanha para doação de livros a escolas públicas e subseções da Ordem

Antes mesmo do lançamento oficial, graça a uma nota publicada em coluna social, a idealizadora da campanha “Sou a favor do porte de livros”, Ana Tereza Basílio, começou a receber as primeiras doações, feitas por grandes escritórios de advocacia. Foi uma prova de que a iniciativa teria adesão suficiente para valer a pena.

“Tivemos que pedir um espaço na Caarj (Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro) para guardar os livros que já começamos a receber. Vamos levar os não-jurídicos para as escolas públicas no interior do estado. Aquele livro que você tem em casa e já leu, ninguém mais vai ler, que está na sua estante sem nenhuma utilidade, aquilo em uma escola pública pode ajudar muitas crianças, seja literatura ou história. Já os livros jurídicos nós vamos separar em lotes e enviar para as subseções mais carentes da Ordem”, conta a vice-presidente da seccional fluminense da OAB-RJ, que é também presidente da Comissão de Mediação e Arbitragem do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

Em entrevista à Revista J&C, ela deu mais detalhes da Campanha.

Revista Justiça & Cidadania – Quais são os pontos de coleta das doações?
Ana Tereza Basílio – Estamos nos valendo da grande capilaridade da OAB-RJ, que está presente em praticamente todos os municípios do Rio. A arrecadação está sendo feita nas subseções da Ordem e também nos postos da Caarj, que nos cedeu espaços para a coleta.

J&C – Como é feita a sensibilização dos doadores?
ATB – Basicamente, pela divulgação nos veículos especializados, como a Revista J&C e a revista da OAB, além de outros veículos de imprensa e redes sociais. Também estamos procurando os grandes escritórios de advocacia para solicitar doações. Quem doar mais de cinco livros vai ganhar uma blusa com a marca do projeto.

J&C – Mais livros, menos armas?
ATB – A ideia de fundo do projeto vem do racional de que enquanto não tivermos uma Educação consistente, nós vamos ter violência. A Educação e a leitura estão entre os bens mais importantes que precisam estar ao alcance de toda a população. Os jovens precisam ter a oportunidade de se preparar para o mercado de trabalho, de fazer concursos públicos, mas sem leitura não irão a lugar nenhum. Como diria Monteiro Lobato, um País se faz de homens e livros.   A ideia não é combater politicamente o porte de armas, mas focar no que é mais importante, que é priorizar, dar instrumentos de preparo para os jovens. Se você prepara e traz conhecimentos para a juventude, você consegue dar opções de vida diferentes do que aquelas oferecidas pelo crime. O Brasil tem uma estrutura de concursos públicos gigantesca, coisa que não há em muitos países mais ricos que o nosso. Então, o jovem pobre aqui tem portas de saída, mas precisa estudar. É lógico que esse projeto não salva a Educação, nem no Brasil, nem no Estado do Rio de Janeiro, mas se cada instituição der a sua colaboração, vamos melhorar a situação atual. É muito mais importante prepararmos as crianças do que ficarmos pensando em guardar armas em casa.

J&C – Como surgiu a ideia?
ATB – É uma alusão bem humorada à polêmica sobre o porte e a posse de armas, algo que chamou a atenção para o fato de que não estamos tocando em uma questão mais importante, que é a Educação. Hoje os jovens que se formam na escola pública têm um preparo muito deficiente, inclusive nos estados mais ricos. Eles têm problemas em redação, em português e em outras matérias básicas. Às vezes eles conseguem entrar na faculdade pelo sistema de cotas, mas você vê um descompasso imenso entre o profissional que vem das entidades privadas e aquele que vem do ensino público. Na OAB, queremos chamar a atenção para a importância de educar.

J&C – Haverá em paralelo alguma campanha de estímulo à leitura?
ATB – Sem dúvida. Estamos programando fazer, logo em seguida a esse projeto, um concurso de redação com a participação de todas as escolas públicas do estado, com a entrega de prêmios para os primeiros colocados. Nossa ideia é apresentar como tema para as redações a importância da leitura na formação do profissional, justamente para provocar as crianças a irem atrás dos livros.

 

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