Antônio Ermírio de Moraes: um brasileiro, exemplo de cidadania

5 de março de 2005

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Artigo assinado por Antônio Ermírio de Moraes sobre o Protocolo de Kyoto revelou sua percepção a respeito das questões essenciais para o desenvolvimento sustentável.

Recentemente, jornais publicaram pequena matéria, cuja grandeza pode ter passado despercebida nestes tempos ingratos de difícil trânsito das instituições civis. “Um dos mais influentes empresários do país, Antônio Ermírio de Moraes, aproveitou a hora do almoço e atravessou a pé o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, para cobrar da prefeitura dívida de R$ 6 milhões a R$ 8 milhões com a Beneficência Portuguesa, hospital presidido por ele há 35 anos: ‘Vim aqui para deixar, de forma educada, documentos que mostram que a prefeitura nos deve. Precisamos receber este dinheiro para continuar atendendo a nossos pacientes’ “.

Antônio Ermírio, presidente do Grupo Votorantim, um dos maiores conglomerados do Brasil, ao estilo franco, direto e pessoal dos grandes empreendedores que não têm tempo a perder, deixa seu escritório a duzentos metros do gabinete do prefeito Serra e vai diretamente cobrar o que é devido ao hospital benemerente que é dirigido por ele. Uma atitude de modéstia coerente com a simplicidade que se conhece de seu autor.

É de se notar como, historicamente, os grandes empreendedores armazenam capacidade pra atender a um sem número de questões complexas simultaneamente, e ainda encontram tempo e disposição para a diversificação de atividades. O grupo Votorantim, presidido por Antônio Ermírio, atua nas áreas de cimento, papel, celulose, alumínio, zinco, níquel, aços longos, química, petroquímica, suco de laranja e também na área financeira por meio de seu próprio banco.

Coerente com sua missão e de acordo com a melhor tradição da vanguarda do empresariado nacional, o grupo fundou em 1992 o Instituto Votorantim, responsável pelo investimento, planejamento e implementação de ações na área social, para “fazer da vida comunitária um ambiente propício para o desenvolvimento social”.

A par desta imensa atividade empresarial, Antônio Ermírio, há mais de três décadas, dedica parte de sua jornada diária à presidência da Beneficência Portuguesa, cujo atendimento é feito majoritariamente a pacientes do SUS.

Antônio Ermírio, além de escrever e produzir peças de teatro, escreve crônica semanal publicada em rede nacional de grandes jornais do país, como o Jornal do Brasil. Nestas crônicas, Antônio Ermírio se mostra um atento observador da realidade brasileira e dos grandes temas nacionais, educação e desenvolvimento parecem ser os seus prediletos. Todos os inúmeros desafios da política nacional e da geopolítica internacional têm seus espaços freqüentes de discussão coerente e madura.

Antônio Ermírio parece ter herdado sua visão empreendedora não só de seu pai, José Ermírio, mas também de dois outros gigantes que há décadas honram a História do Brasil: o gaúcho Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, e o cearense Delmiro Gouveia. A biografia de ambos mostra a mesma fé no Brasil, a mesma força de luta, a mesma natureza empreendedora, a mesma coragem de enfrentamento de obstáculos, a mesma desenvoltura diante de injustiças. E, principalmente, a mesma atitude de dedicação ao trabalho, à solidariedade social e a correção de princípios.

Mauá é hoje, unanimemente, o símbolo do empreendedor brasileiro de todos os tempos. Ainda no século XIX, em 1846, ele fundou a indústria naval brasileira que já no ano seguinte era a maior indústria do país, produzindo navios, caldeiras, guindastes, prensas, canhões, engenhos de açúcar, encanamentos de água. Fundou a primeira companhia de gás para iluminação pública do Rio de Janeiro, organizou as companhias de navegação do Rio Grande do Sul, implantou a primeira estrada de ferro, inaugurou a estrada União Indústria, pioneira em pavimentação, realizou o assentamento do cabo submarino ligando o Brasil à Europa, construiu novas ferrovias no nordeste e em São Paulo. Fundou o banco Mauá.

Delmiro Gouveia, forte presença nas últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX.

Aos 15 anos, pobre e analfabeto, Delmiro começou a ganhar seus primeiros trocados como bilheteiro da estação ferroviária de Olinda.  Aos 28, fundou sua primeira empresa e aos 35 se já transformara em um respeitado comerciante, dono do maior empreendimento comercial de Recife que incluía hotel, restaurante, parque de diversões e o Mercado do Derby, com produtos à venda pela metade do preço, luz elétrica e funcionamento 24 horas por dia.

Por estas razões, quando da eleição dos 20 maiores empreendedores brasileiros do século XX, realizada pela revista Isto É, o nome de Delmiro Gouveia foi escolhido por 23 % dos componentes do júri, sendo o único empreendedor brasileiro eleito para esta honraria que não pertencia às últimas recentes décadas dos tempos modernos, como os demais 19 eleitos.

Honra, trabalho, patriotismo, dedicação e responsabilidade social. Estes são os traços característicos desses visionários empreendedores, que têm construído este país. Pena que sejam poucos.

E voltando a Antônio Ermírio de Moraes, que abre este artigo, tudo indica que seu perfil e desempenho autorizam incluí-lo na futura lista de maiores empreendedores do século 21. A exemplo de seu pai, José Ermírio de Moraes, também citado entre os 20 maiores empreendedores do século XX,  genuíno fruto do sertão pernambucano, que com suas agruras e privações tem temperado o caráter e o desempenho de muitos brasileiros ilustres.  Mais uma vez, com a palavra o genial Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”.

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