Breve análise filosófica sobre uma das controvérsias da bíblia: a colocação da morte como consequência pelo pecado

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0

É mais fácil acreditarem em nós quando falamos de coisas que tratam da natureza divina do que quando relatamos fatos da natureza humana. A ignorância dos ouvintes garante uma bela carreira aos argumentos que não se podem verificar. (Montaigne, filósofo francês, que viveu de 1533 a 1592).

A igreja e o estado, assim com o sacerdote e o político disseminaram ideias com falsidades e ilusões, transformaram mentiras em verdades, causando alienação e acomodando as multidões, deixando-as dementes, dependentes, anestesiadas ou acomodadas, quase que sem força nem reação, desta forma facilitando a dominação. (José Marcos do Nascimento). 

Introdução

Nem tudo o que disseram, e impuseram para a mente humana, é verdade. Sacerdotes, políticos, papas, príncipes e reis com seus generais, alegaram e impuseram embustes e utopias que o tempo tratou de desvendar, demonstrando a humanidade que os discursos de muitos não passavam de engodos e falsidades travestidas de verdades, suficientes para aprisionar as mentes e os espíritos mais fortes ou capazes. Cada um deles, usando de falácias, convenceram as massas, ou o povo, que diziam verdades infalíveis, de modo que a população não questionava, debatia ou refutava a verbalização de tantos, inclusive falsários, que se perpetuaram ao longo a História da Humanidade.

Sacerdotes se disseram ministros de Deus (Yahweh) na face da Terra, ainda que Ele nunca tenha precisado de ninguém para governar aquilo que depende dos domínios Dele, pois é sabido, como afirmam todas as crenças, que o ETERNO e Onipotente, logo não necessita dos ministérios e ministros dos homens. Papas declaram-se ouvintes da voz de Deus, SEM FIM, e também afirmaram que eram infalíveis – parece que não sabiam que estavam sujeitos à morte, à dor, ao desconforto, à ruína, à insanidade, enfim à falência como outro mortal qualquer. Reis e príncipes, pela violência e força dos seus exércitos, impuseram a ideia que eram “deus” na Terra, como fizeram os imperadores ou césares romanos, os faraós egípcios, os reis persas, babilônicos e assírios e tantos outros, mesmo que fossem apenas engodos e desatinos. Presidentes, ministros, governadores, fanfarrões e demagogos diziam que eram investidos por Deus no poder terreno para governar (na verdade dominar) os povos, mesmo que Dele não tenha havido investidura nenhuma, pois os domínios divinos têm seus propósitos, os domínios políticos têm outros. A arte e os artifícios da política se corrompem, enquanto que a arte e o governo divino são incorruptíveis.

Depois das quimeras e inverdades das religiões tradicionais, das artimanhas e mentiras da política, das distorções dos enunciados de livros tidos como sagrados, algumas ciências, com seus cientistas, também recaíram em controvérsias, mentiras, ou fracassos, que mal orientaram os homens. Como foi o caso de alguns resultados e falácias das ciências naturais, sem querermos aqui desvalorizar a ciência, a maior contribuição para o processo de evolução da humanidade – diferente da religião que busca disseminar aforismo, discursos e ideologias sem experimentos, estudos ou conhecimentos. Há muitas décadas a medicina e os médicos afirmavam que o leite de gado era ótimo e primordial para o tratamento de úlceras e gastrites. O passar do tempo provou que o que os cientistas da medicina apregoavam era errado, e, pelo contrário o leite, industrializado ou não, era tão fatal para as doenças do estômago quanto o açúcar para a diabetes e o sal para os hipertensos. Pesquisadores, nutricionistas, médicos e outros tantos apregoaram, por anos e anos, que o ovo era um veneno para o colesterol negativo do organismo, pois atingia as artérias coronárias, causando incontáveis vítimas de enfartos. Passaram-se os anos e surgem novas versões ou discursos, alegando que a pessoas podem comer ovo em abundância, porque ele é a 2ª fonte de alimento mais importante. Afinal de contas, o que é verdade e o que é apenas ideais fantasiosas?

Que livros estão dizendo e disseminado verdades e que livros estão multiplicando falsidades, impressões ou conjecturas? A bíblia pode ser tudo, o quase tudo, uma refazenda, com traduções, inserções, distorções, cheia de contradições, percebidas a olhos vistos?

Como a verdade é filha do tempo, quanto mais este se passou mais ela revelou que incontáveis imposições e temáticas declaradas por sacerdotes, religiões, políticos, Estados, ciências e líderes eram apenas inverdades e utopias, marcadas de controvérsias e falácias voláteis, que a Filosofia – ou mesmo o bom senso – foi capaz de discutir e refutar crendices ou superstições alimentadas por seus pregadores. O leite cura ou não, a gastrite? Será mesmo que Deus se arrependeu de ter criado o Homem, como diz o livro da Gênesis, (cap. 6: 5-6)? É verdade que o café é ótimo para a saúde e a cafeína não afeta as doenças do sono, ou foi algum proprietário de grandes cafezais que pagou para alguns médicos e “especialistas” dizerem isto e levar ao aumento do consumo e aumento de lucros, sem importar as consequências?

A humanidade, certamente, precisa sair das trevas e estupidez do desconhecimento imposto pelas igrejas e/ou “pastores”, para seu próprio progresso e liberdade, e dá um salto para a iluminação do conhecimento, e, uma vez sabendo das mentiras e falsas ideologias, encontrar verdades, valores, sentidos e liberdade fora das amarras e prisões mentais das religiões.

De qualquer forma, não queremos negar aqui a existência de um SER SOBERANO, potência indeclinável, nem a grandeza de sua criação universal, da Terra até o sol que ilumina, aquece e vivifica. Certamente, pela exuberância, magia, poderes e altivez das forças e elementos da Criação pode-se atribuir magnitude ao seu “Oleiro”.

Desenvolvimento

 De forma violenta e forçada, é sabido, os dogmas, aforismos e formatações mentais foram propagados – como até hoje é, por meio da televisão – pelo cristianismo, para o Ocidente, sendo posto, sobretudo, que tudo que era dito pelos sacerdotes e suas ordens religiosas era infalível e irrefutável. Ainda que a marcha do tempo tenha comprovado o contrário, graças aos valiosos estudos das ciências naturais e humanas, como, por exemplo, a Antropologia, a Arqueologia, a História e a Paleontologia. A própria Filologia deu sua contribuição para provar que muitas alegações religiosas não passam de ditos e mitos dos povos mais antigos, como hebreus, gregos e romanos, por exemplo, povos estes que viveram envoltos de superstições, mitologias, fantasias e fenômenos naturais que eles não tinham nem ciência nem inteligência para conhecê-los e revelá-los, na infância e ignorância da raça humana. Hoje, já não se acredita nos discursos falaciosos de padres, pastores, ou mercadores, que dia a dia se utilizam de narrativas e máximas bíblicas – também já refutadas por vários estudiosos sobre a Antiguidade e suas civilizações – para criar regimentos de miseráveis, fracos, desesperados ou famintos, transformados em clientes, numa relação psicológica e social de consumo e clientela (daí uma nova estruturação social: igrejas = empresas; fiéis = clientes; pastores = mercadores). Muito embora, os seguidores de tantos pastores (ou quem sabe mercadores) e senhores não saibam disto; nem nunca lhes será revelado por seus condutores, muitas vezes seus opressores mentais e espirituais; falsos profetas e cegos condutores. Os donos das religiões ocidentais que colocaram a Bíblia como livro divino e inquestionável e infalível, apesar de tantas controvérsias e discursos refutáveis.

Dentre outras contradições visíveis e questionáveis não comentadas pelos sacerdotes e suas igrejas, pois é importante deixar fiéis na estupidez ou cegueira, destacamos uma logo no início do Novo Testamento, no livro de Gêneses – livro este possuidor de outras divergências, as quais são estudas pelos exegetas da bíblia, por historiadores, por filólogos, hermeneutas da Teologia (como ciência, não como catequese imposta por alguns seminários cristãos) e outros doutos pesquisadores – quando sua narrativa diz que “Deus se arrependeu de ter criado o homem, por perceber que todos os projetos do homem tendiam para o mal[1]. Só iniciar a discussão é bom lembrar que todos os pastores ou sacerdotes sempre disseram, na sua maior ignorância, como nas teologias grega e romana, que “deus” (Zeus) era infalível por causa de três princípios ou atributos da Divindade: o princípio da onipotência, o princípio da onipresença e o princípio da onisciência. Estas 3 qualidades divinas fariam Yhavé – trazendo para o judaísmo – sabedor de tudo; todo poderoso e presente nas três dimensões do tempo. A questão é que, considerando a literalidade bíblica, tal narrativa põe Javé em condição de falência ou debilidade, uma vez que Ele, Deus, só vai saber que os homens gostavam de praticar o mal quando Javé vê os atos dos homens. Deus não teria tido a capacidade de saber antes (onisciência) e estar no futuro (onipresença) e, desta forma, não criar a espécie humana. Foi preciso, pelas letras da bíblia, que IHAVÉ (ou também Yahweh) visse a humanidade praticando diversas derrotas para Ele ter conhecimento. Que contrassenso terrível de se engolir ou assimilar logo no abertura dos escritos que atribuem a uma origem “divina”. Ressalte-se que isto é apenas uma das contradições da coletânea de livros judaico-cristãos. E, dentro do mesmo texto destacado acima, ainda existe outra estarrecedora aberração que é o fato de “Deus” ter realizado toda a criação, sendo o homem sua criatura mais sublime, entre todos os animais, isto enfatizado no Novo Testamento, no entanto esta obra da criação, que é, inclusive, imagem e semelhança de Deus é a pior cria já feita, de forma que Yhavé, assim como os seres humanos, também cai no arrependimento e no fracasso. Isto por não ter sabido antes que os homens seriam propensos ao mal.

Mas tantas falas, promessas e palavras ditas de Deus realmente foram de origem divina ou são frutos da imaginação e capacidade criativa, ou imitativa, humanas?

Alguns dizem que o Cânone Hebraico de 39 livros, só foi realmente fixado no Concílio de Jâmnia em 100 d.C., embora nesse mesmo concílio livros como o de EsterDaniel, Cântico dos Cânticos, ficaram de fora do cânon, que só veio a ser fixado mesmo no século IV. Estudiosos como Leonard Rost garantem que tais decisões demoraram muito para serem aceitas e até hoje não tiveram aceitação em muitas comunidades judaicas; como o caso dos judeus do Egito, quem tem um cânon semelhante ao católico e ortodoxo.[2]

Outra contradição religiosa, que aqui enfocaremos, apesar de tantas outras que bíblia tem[3], é o fato do judaísmo e do cristianismo – ambos perdidos e embebidos em tantos mitos e ignominias – colocarem a morte, causa natural em toda natureza, como a moeda da cobrança “deus” pelos pecados dos seres humanos, que tiveram que engolir uma ideia e o termo linguísticos criados na antiguidade, mesmo contra suas vontades, por velhos que mal compreendiam sua condição humana, muito menos da SABEDORIA DE DEUS, o INSONDÁVEL SOBERANO.

A morte, ainda que não aceitem e, pior ainda, não entendam judeus ou cristãos, nunca teve nada de salário do “pecado”, pois o propósito a vida e da existência de tudo que vive é se findar, seres humanos ou animais, bons ou maus, justos e não-justos etc., tudo irá se consumir. A rosa que perfuma, o golfinho que nada (inocente), o coelho que corre (ingênuo), o canário que canta (dócil, amável, inofensivo), o tigre que caça (voraz), o leão que mata (devorador), o homicida, o estuprador, o salteador – ou outra derrota qualquer – que vitimam, o cientista (que inventa maravilhas), o médico (que socorre vidas), o juiz (que luta por Justiça), ateus e adoradores, cínicos e sacerdotes, e todos os outros, irão morrer sem exceção. Logo, uma das maiores tolices das sociedades ocidentais foi alegarem que morremos em virtude de pecado, quando na verdade nunca foi dito, nem será, pelo Senhor da Criação – ou quem sabe uma grande Senhora, a Natureza – qual a verdadeira causa da “morte” de tudo que existe, sejam inocentes, sejam culpados; “anjos” ou “demônios”, bons ou maus, fortes ou fracos, justos e injustos, iluminados ou estúpidos. Todos os viventes – sem exclusão de nada nem ninguém – estão fadados ao fim.

É fato inegável que as contestações da bíblia são várias, muitas vezes dentro do mesmo livro ou de um próximo. Em um local Deus é bom, noutro é violento e destruidor. Encontra-se um Deus bom em Salmos, 145:9, quando se diz: “O Senhor é bom para todos; tem compaixão de todas as suas obras”. (Sl. 145:9). Em contradição, o livro de Jeremias, cap. 13, vs. 14 afirma: “Assim vou quebra-los, uns contra os outros: os pais contra os filhos – oráculo de Javé. Nem a piedade, nem o perdão, nem a compaixão me impedirão de destruí-los. (Jr. 14:13). Inclusive, para o espanto de muitos, Deus – seja dos judeus, seja dos cristãos, já que os dois são um só – tem, também, os piores atributos humanos, como a capacidade de promover a tentação de filhos seus. Em Gênesis está dito: “Depois destas coisas, tentou Deus a Abraão…” (Gn. 22:1). Se contradizendo Deus, ou a bíblia, o livro de Tiago vai declarar: “Nenhum homem diga quando tentado, sou tentado por Deus; pois Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tiago 1:13). Observando e pensando sobre tantas máximas religiosas perguntamos: o que houve com o Deus dos hebreus e dos cristãos, de católicos e protestantes, que, com tantas “qualidades” humanas, se contradisse tanto em suas mensagens e palavras transmitidas?

As descobertas do mar Morto e Massada mostram que entre os antigos judeus ainda não havia um cânon bíblico fixo ou instituído, que só veio depois do século I a criar corpo, e mesmo assim com muitas divergências.[4]

Daí, vendo estas e tantas outras divergências sobre aquilo que disseram ser ensinamentos divinos, ainda que não seja, cremos, podemos questionar se é verdade que a morte foi imposta por de Deus como cobrança ou não passa de mais um embuste ou quimera dos “antigos regentes” de um povo. Será mesmo que isto uma verdade contumaz de origens divinas, ou as mitologias trataram de engendrar aquilo que nunca entendiam; nem entenderam, pois DEUS, O SUPREMO, será sempre insondável em sua plenitude, sabedoria e poder, mesmo com toda presunção dos sacerdotes, dos escribas, dos falsos profetas, dos falsos apóstolos etc. etc.

Se pensar, nem perceber, muitos vão repetindo, por séculos, ainda que sem sentido, aforismos sobre o “morrer” quando ainda não sabem nem mesmo de seu próprio viver; mal percebem o que estão pensando, sonhando, consumindo, sabendo e desejando. Talvez muitos não saibam que quanto mais uma espécie se multiplica mais recursos ela precisa ter para sobreviver, como água, alimentos, abrigos, energias etc. Nas leis da Santa Natura quanto mais predadores existem mais presas são necessárias e vitais para a manutenção dos predadores da teia alimentar. Quanto mais herbívoros proliferarem numa dada região – como as savanas da África do Norte, por exemplo – mais vegetais comestíveis é preciso a Mãe Natureza produzir. A falta de qualquer fonte ou condição de subsistência levará uma espécie de animal – ou raça – para a extinção. Se não houver pastos suficiente para os antílopes este morreram; se não tiver cervos para alimentarem felinos, leoninos, lobos este últimos sucumbiram, sem exceção, pois é uma lei natural. Logo a morte, de alguma coisa sempre haverá para que a vida de alguma coisa venha a continuar.

A humanidade que, já conta com mais de 7 bilhões de seres, estaria excluída desta condição da natureza, podendo apenas reproduzisse mais e mais – sem nunca precisar morrer –, ainda que cada vez mais a raça humana destrua ou consuma recursos naturais, inclusive não reproduzidos, ou recriados, pela Natureza na velocidade da reprodução humana? Será mesmo que temos pão, chão, habitação, educação, profissionalização, médicos, educadores, magistrados, professores e tudo que for bom para toda nação?

Certamente, se raça humana, conforme querem algumas religiões – assombradas com a morte, que dela não quase nada, ou nada – estivesse se reproduzindo até os dias atuais sem ninguém falecer, poderíamos ter 70 bilhões, 700 bilhões ou 7 trilhões de seres humanos. Ou simplesmente não haver mais ninguém na face da Terra, pois a própria raça humana, por escassez que recursos natural, econômico, pessoal, material etc. já poderia ter sido extinta a muitos séculos, ou milênios, pela sua própria situação – contrariando às leis naturais de vida e morte – de imortalidade.

Já não temos mais água em abundância para a humanidade em várias partes da Terra; e em umas regiões piores do que outras. Combustíveis fósseis já não se encontram com abusos como nos tempos idos. Energia elétrica ameaça entrar em colapso, vez ou outra, mesmo que os governantes mintam e digam existir em suficiência. Saúde e médicos de qualidade a maior da humanidade não desfruta desta dádiva. Leitos dignos – ainda que seja para ficar desprezado sem atendimento médico nos hospitais e entregues a própria sorte – desaparecem cada vez mais, como é o caso da saúde pública brasileira, só para citarmos um exemplo, de norte a sul do País. Vias públicas cada vez mais diminuem seus espaços para os oceanos de veículos automotores – logo as pessoas entram no consumismo industrial, mas não podem se deslocar na velocidade que desejam. Transportes coletivos – carros para transportas rebanhos – não possuem mais espaços suficientes para conduzir tanta gente, sem pão, sem chão, sem representação, sem opinião nem oposição a condição que lhe é imposta com sobra de repressão. Oportunidade de trabalho e renda justa e suficiente falta para bilhões de miseráveis, famintos ou desesperados, do Leste (China, v. g.) ao Oeste (Brasil, e. g.). Governantes honrados, justos, humanos e dignos a humanidade têm menos a cada geração, pois quase todos lutam pela sua própria situação.

Um mundo que já conta com milhões e milhões – quiçá bilhões – de flagelados pela falta de água, plantação, alimentação, educação, energias, moradias, tratamentos médicos, profissionalização, industrialização, como estaria se todos que tivessem nascido permanecessem vivos por estas terras de tamanha exploração e ambição humanas?

Os norte-americanos, há décadas, invadem e matam por causa de petróleo, no Oriente Médio, mesmo alegando – com engodos e falsidades – que é por causa da paz e da segurança mundial. Outros querem invadir e matar por causa de água, também nos países do Oriente Médio. Mais alguns invadiram – e outros ainda querem – para tomas as riquezas minerais, ou naturais de povos mais fracos. Mais alguns, como é o caso de Israel, por exemplo, querem invadir para tomas terras para construírem. Isto porque, é sabido, tem alguma coisa ficando em condições escassa para todos; ou apenas para muitos.

Ora se tantos bens e riquezas já não estão disponíveis para todos no mundo atual, com 7 bilhões de seres humanos – uns perversos e piores que as mais vorazes “bestas” – como estaria este mundo (cheio de tantos manjares e maravilhas) se nenhuma criatura de nossa espécie tivesse morrido desde o princípio de nossa existência? É sabido que lobos, leões, trigues, leopardos e muitos outros carnívoros só precisam de carnes, água, coito e descanso. Já os vegetarianos, como girafas, zebras, cervos, elefantes só necessitam de plantas, água, coitos e repouso, para se viver. E quanto aos seres humanos, de quantos bens precisam para viverem com dignidade? Quais e quantos recursos devem possuir para ter uma vida digna de ser humano? Com quantas dependências caminham os homens, desde o seu nascimento até a sua morte? Muito embora tenham dito que Deus disse “Ide e multiplicai-vos”, a raça humana multiplicou tudo que ela depende para sua multiplicação?

Logo, dizer que a morte não deveria haver, pois no princípio Deus fez o homem para viver eternamente, como colocaram na bíblia, deve ser uma das maiores controvérsias sacerdotais e religiosas, impostas como mandamento divino e verdade absoluta.

Que palavras ou falas são humanas e que palavras e falas são divinas – caso haja alguma na bíblia? Moisés, Enoque, Esdras, Samuel, Paulo Tarso (que se passou, em suas cartas, para dizer que toda máxima da bíblica era de origem divina), os bispos do “Concílio de Trento” e de “Nicéia” e, por fim, Luthero verdadeiramente ouviram a DEUS, o SUPREMO OLEIRO, registrando sobre a natureza do seu ser e de sua vontade? Como pode um ser (Javé e Yehchu’a, pelo princípio da trindade cristão) dotado de perfeição e infalibilidade “ditar” um livro com tantas imperfeições, desacordos e falibilidade visíveis? O que nisto tudo é mitologia (copiada dos gregos, dos egípcios, dos babilônicos, dos assírios, dos sumérios), ideologia e fantasia da Antiguidade religiosa?

Mesmo ao longo dos séculos os sacerdotes e escribas (Esdras, São Jerônimo, Pedro, Paulo, Gregório e tantos outros) tendo declarado que os livros da tradição judaico-cristão eram divinos, foram incontáveis os conflitos para se colocar ou retirar literaturas dos cânones judeus e cristãos.

Concílio de Jâmnia rejeitou todos os livros e demais escritos e considerando-os como apócrifos, ou seja, não tendo evidências de inspiração por Deus e fonte de fé, tanto quanto da verdadeira autoria. Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros, como Ester e Cântico dos Cânticos, conforme registro da Mishná. A tese de que o trabalho desse Concílio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito pela grande maioria dos judeus através dos séculos, carece de fundamento científico e é rejeitada majoritariamente pelos especialistas.[5]

 Conclusão

Não há mais dúvidas para a sociedade. A bíblia, dita livro de “Deus[6]”, transformou-se ao longo dos séculos uma colcha de retalhos, uma refazenda, cheia de distorções, contradições, inserções e discursos tendenciosos que nunca foram, jamais, declarados por DEUS nem para cristãos nem para judeus, de forma que cada qual escreveu o que quis e usando o nome do SOBERANO para impor desespero, opressão, medo e dominação, sobretudo dos mais fracos, ou aos mais miseráveis.

A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. “Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão”, afirma o padre e teólogo Luigi Schiavo, da Universidade Católica de Goiás.[7]

No antigo testamente Javé (que os hebreus dizem ser Deus) tem o homem como a pior criatura de sua criação, quando se arrepende de tê-lo criado; no novo testamento, segundo os evangelistas, o homem seria a joia preciosa ou maravilha do Criador. No antigo testamente, livro de Êxodo, deus é vingativo, aguerrido, ciumento, não misericordioso, destruidor etc., já no novo testamento, deus, na figura de Yehchuá (ou Yesus = Jesus) é justíssimo, pacífico, misericordioso, amoroso, tolera tudo que não presta dos cristãos (bastando dizer sim a ele) etc. Ora como é que pode, como dizer sacerdotes cristãos, pastores ou mercadores, fundirem-se dois deuses num só (o do antigo e o do novo testamento), com sendo um vingativo (Ihavé, ou Yahweh) e outro justo (Iehchu’a); um deus que é guerreiro (Javé) e um deus que é pacífico demais (ou fraco); um deus que é severo e repressivo diante das injúrias humanas (Ihavé) e um deus muito romântico, capaz de tolerar ou aceitar todas as derrotas e malefícios (como as Cruzadas, a Inquisição, os assassinatos dos povos pagãos etc. etc.) que o cristianismo praticou ao longo de tantos séculos.

No antigo testamento Deus é um aguerrido, como já foi dito (Êxodo, cap. 15, vs. 3). No novo é diferente, pois Ele é de paz, quando se diz “Agora o Deus de paz esteja com todos vós, amém (Romanos, cap. 15:33).

No livro de Jó, cap. 1:18, diz que “ninguém nunca viu a Deus”. Também como a mesma tese o livro de Êxodo, cap. 33, vs. 20 afirma: “E Ele disse, tu não podes ver a minha face; pois nenhum homem pode ver a minha face e viver”. Contudo, a mesma bíblia se contradiz ao declarar que Deus é visto, no livro de Amós, cap. 9, vs. 1, assim como no livro de Gênesis cap. 32:30 ao ser textualizado: “Vi a Deus face a face e a minha vida foi poupada” (Gn. 32:30). Isto sem mencionarmos outros livros e tantas outras confusões e divergências dos “livros de Deus”.

A História, a arqueologia, a antropologia demonstram que quando os hebreus ainda era um punhado de escravos famintos, outros povos já eram uma potência, de alguma forma, como foi o caso dos assírios, os babilônicos, os fenícios, os sumérios, os gregos e outros vários. Quando os hebreus eram simples cativos, os fenícios já eram grandes navegadores. Quando os hebreus eram servos escravizados os assírios já dispunham de um grande exército, com estratégias de guerras e dominação, com uma determinada cultura e religião. Os hebreus ainda vivam em condições tribais, quando os sumérios já tinham uma cultura e uma estrutura econômica, militar, religiosa, política etc. O povo hebreu ainda vivia vagando pelo deserto quando os cananeus, milhares de anos antes, já possuíam rituais, cultos, doutrinas e valores. Desta forma, como descrevem hoje os estudiosos, ateus ou crédulos, fundiram valores e culturas com o decorrer dos séculos, das quais os hebreus produziram cópias e reescritas para a posteridade. Não surgindo nada de genuíno. Daí resultando na elaboração de uma coletânea de livros inexatos, com ambiguidades e contradições – muitas das quais não trataremos neste texto, pois ficaria muito extensivo, já que tantas outras encontramos.

E, destas controvérsias, a imposição da morte como sendo o salário pelos pecados é uma das piores que temos, já que até mesmo aqueles, ou aquilo, que não pecam como os animais que não têm a noção e a comunicação humanas, irão morrer – da mais frágil formiga às grandes baleias dos oceanos; dos répteis que rastejam às inocentes aves que voam. Sem exceção, toda vida que teve princípio terá um fim, de seres conscientes ou inconscientes, dotados de razão ou sem noção, de servos a senhores, de sábios a sacerdotes; tolos ou prudentes.

Infelizmente, como os homens – os autores do A.T. e da mitologia grega – criaram um deus conforme a imagem e semelhança dos homens, o deus deles pensa, age, senti, desfruta, condena etc., como faz a humanidade, desde os tempos da “existência” Zeus, que brincava com os humanos como se fossem bonecos de cera, ao bel prazer dele, por um lado, e Deus ficava tentando e testando a lealdade de Abraão (revelando assim não sabedor de tudo, logo decaindo o seu princípio da onisciência).

  De qualquer forma duas coisas são possíveis se afirmar: 1) apesar de tantas divergências, disputas e desordens teológicas, e políticas também, existe um SER SOBERANO, SEM FIM, para além do “Deus” imaginativo e inventado das religiões e dos sacerdotes, desconhecido e insondável por todos, todo poderoso e indeclinável, cuja sabedoria jamais será sabida pelos homens; 2) ainda que não haja nenhum livro genuíno de DEUS, a bíblia expressa e ensina muitas verdades, mesmo que sejam verdades humanas, descobertas e reveladas em virtude a percepção, observância, inteligência e sabedoria humanas, já que toda criação sabe aquilo que é devido saber, seja uma pequenina formiga, seja uma grande elefante, da Terra até os “céus”.

Um grande filósofo francês, um dos iluminados, Voltarie, nascido em novembro de 1694 e morte em maio de 1778, já dizia séculos antes:

“É realmente uma grande presunção definir Deus, adivinhar como Ele é e explicar por que Ele criou todas as coisas, mas creio que é presunção igualmente grande negar peremptoriamente que Deus existe”.

REFERÊNCIAS

AQUINO, Rubim Santos Leão de. et all. Histórias das sociedades: das comunidades primitivas às sociedades medievais. Rio de Janeiro: Ao Livro técnico, 1980.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Et all. Temas de filosofia. 3ª edição, revisada. São Paulo: Moderna, 2005.

________________________________. Filosofando: introdução à filosofia. 3ª edição, revisada. São Paulo: Moderna, 2003.

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Tradução coordenada e revisada por Alfredo Bosi, com a colaboração de Maurice Cunio et. al. 2ª edição. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1962.

BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da mitologia: história de deuses e heróis. Tradução: David Jardim Júnior. 32ª edição. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.

CAMPOS, Flávio de. A escrita da história: ensino médio: volume único. 1ª ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Maria Andrade. Sociologia geral. 7ª ed., revista e ampliada. São Paulo: Atlas, 1999.

MARTINS, Oliveira. Mitos da religião. São Paulo: Madras, 2004.

NUNO, Fernando (organizador). 180 ensinamentos dos filósofos: para refletir, se inspirar e viver melhor. São Paulo: Publifolha, 2003.

SOUTO MAIOR, Armando. História geral: para o ensino de 2º grau e vestibulares. 23ª ed. São Paulo: Editora Nacional, 1981.

VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História para o ensino médio, volume único. 1ª edição, 5ª impressão. São Paulo: Editora Scipione, 2002.

VICENTINO, Cláudio. História Geral, ensino médio. Edição atualizada e ampliada. São Paulo: Scipione, 2002;

REVISTARIA (sugerida)

Revista das religiões. A origem de Deus. O criador manifesta-se de modo diferente para cada um de nós. Mas, afinal, quem é Ele? Como Ele surgiu. Edição 7. São Paulo: Abril, 2004.

Revista História Viva. As Cruzadas: fanatismo sem limites. ano II, nº15. São Paulo: Duetto, 2005.

Revista Superinteressante. Quem escreveu a Bíblia? Edição 259. São Paulo: Editora Abril, 2008.

_____________________. Bíblia: o que é verdade e o que é lenda? Edição 178. São Paulo: Editora Abril, 2002.

_____________________. Jesus proibido: os evangelhos apócrifos foram cultuados pelos primeiros cristãos. Por que foram banidos pela Igreja? O que eles revelam sobre Cristo? Edição 207. São Paulo: Editora Abril, 207.

____________________.São Paulo traiu Jesus? Edição 195. São Paulo: Ed. Abril, 2003.

___________________.Êxodo: como um grupo pequeno e irrelevante de escravos se aproveitou de um colapso no clima para fugir do Egito, dar origem à maior de todas as histórias da Bíblia e mudar para sempre a civilização. Edição 342. São Paulo: Editora abril, 2015.

PUBLICAÇÕES ELETRÔNICAS

 

A bíblica como você nunca leu, disponível em http://super.abril.com.br/historia/a-biblia-como-voce-nunca-leu, capturado em 22/01/16.

Bíblia para maiores: Capítulo III – controvérsias bíblicas sobre Deus, disponível em http://paradoxosbiblicos.blogspot.com.br/2011/02/capitulo-iii-controversias-biblicas.html, capturado em 23/01/16.

Cânon bíblico, disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2non_b%C3%ADblico, capturado em 23/01/16.

Que escreveu a bíblia, disponível em http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-escreveu-a-biblia, capturado em 15/01/16.

Histórias da bíblia derivam das lendas das terras de Canaã, disponível em  http://www.paulopes.com.br/2008/12/historias-da-biblia-derivam-de-lendas.html#.VqOk8JorLIU, capturado em 23/01/16.


[1] Antigo Testamento, Gênesis, cap. 6, v. 5-7 (“Javé viu que a maldade do homem crescia na Terra e que todo projeto do coração humano era sempre mau. Então Javé se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra  e seu coração ficou magoado”.).

[2] Cânon bíblico, disponível em  https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2non_b%C3%ADblico, capturado em 23/01/16.

[3] Talvez as massas e multidões não instruídas – ou mesmo os instruídos sem iluminação – não saibam das tantas contradições religiosas existentes dentro do livro que dizem ser de “deus”, ainda que Deus não tenha livro algum, pois é um livro dos homens, e dos homens mais fracos ou desesperados. Tais controvérsias, ainda que tolas e aberrantes, serão vistas, em parte, neste trabalho literário ao longo da dissertação.

[4] Cânon bíblico, disponível em  https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2non_b%C3%ADblico, capturado em 23/01/16.

[5] Cânon bíblico, disponível em  https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2non_b%C3%ADblico, capturado em 23/01/16.

[6] De forma ambígua, certamente, hebreus disseram que o Antigo Testamento, sobretudo a Torá (Lei) era o livro divino – os mandamentos de Deus. Posteriormente, os mesmos judeus (hebreus) alegaram que era o Novo Testamento o livro de deus, pois tanto os evangelistas (os quais, hoje já é sabido, não escreveram quase nada, ou nada, pois eram incultos) como Paulo de Tarso eram judeus, onde este último vai criar o cristianismo, daí mais uma ferramenta de conflito e embates para a humanidade. Depois do cristianismo surgi um outro livro que afirmam ser de origem divina: o alcorão. Posteriormente, ainda dentro da fragmentação e divergências das doutrinas religiosas, um homem – ou um grupo deles – se passou para defender que o verdadeiro livro divino ou com iluminação divina é o livro de Mórmom. Tudo isto sem falarmos nos livros de origem oriental. Mas afinal quem está verdadeiramente com um livro Divino? Onde estão as palavras e sabedorias genuinamente Divinas? Porque tantos antigos se disseram ser portadores da sabedoria e leis Divinas? A quem pode servir um discurso de autoridade que diz que estás palavras são “divinas”? Se a bíblia que dizem ser sagrada,  desde o princípio, era inconteste, porque Martin Luthero na Reforma Protestante baniu 7 livros da bíblia católica, como, por exemplo, o livro de Sabedoria, Judite, Macabeus I e II, Eclesiástico etc. Como pode Luthero ter banido livros ditos de “Deus” contidos na bíblia católica, por mais de mil anos?  O que houve com a humanidade que não refletiu sobre tudo isto, ao longo de milhares de anos?

[7] Revista Superinteressante. Quem escreveu a Bíblia. Edição 259. 2008.

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0

Deixe o seu comentário

Por favor, insira seu nome.
Digite o comentário.

Cor da Pele (skin)
Opções de layout
Layout patterns
Imagens de layout em caixa
header topbar
header color
header position
X