“O governo de João Goulart” Oitava edição

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O historiador e pesquisador Luiz Alberto Moniz Bandeira publicou, pela Fundação da Editora UNESP, a oitava edição sobre o Governo João Goulart, muito ampliada e enriquecida com documentos, inclusive arquivos pessoais do próprio Goulart e de muitos colaboradores próximos, bem como entrevistas pessoais com vários partici­pantes dos eventos 1961-1964, com novas e importantes informações, surgidas a partir do ano 2000, depois da publicação de diversos livros de memórias e a desclassificação de muitos outros documentos, tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

A obra remonta à época em que vários setores da esquerda e a máquina de propaganda dos que se assenhoraram do poder em 1º de abril de 1964 acusavam João Goulart de populista, fraco, inclusive de não haver resistido ao golpe militar. Luiz Alberto Moniz Bandeira, durante a ditadura militar, ousou e buscou restabelecer a verdade histórica, analisando seu governo e os fatores de sua derrubada. João Goulart não foi populista, não era demagogo; o PTB, escorado nos sindicatos, desempenhara empiricamente um papel similar ao dos partidos social-democrata na Europa; o golpe militar de 1964, com o apoio dos Estados Unidos, constituiu um episódio da luta de classes; o cabo Anselmo trabalhava para a CIA, em conexão com o CINEMAR (Centro de Informações da Marinha); o motim dos marinheiros foi uma provocação, visando unir as Forças Armadas contra o governo, e Goulart não teve condições de resistir, por não mais contar com o respaldo da maior parte das Forças Armadas e por saber que os Estados Unidos se dispunham a intervir militarmente e dividir o Brasil, no caso de uma guerra civil. Se Goulart fosse fraco, cederia à pressão dos generais e dos Estados Unidos, fechando a CGT, reprimindo os sindicatos e demitindo do governo os elementos de esquerda, e o golpe militar não teria ocorrido.

Moniz Bandeira sustenta essas conclusões em “O governo João Goulart: as lutas sociais no Brasil” — 1961 – 1964 — recorrendo amplamente tanto aos documentos desclassificados nos Estados Unidos quanto aos do próprio João Goulart, que lhe concedeu várias entrevistas no Uruguai. Sua primeira edição foi lançada pela Editora Civilização Brasileira em dezembro de 1977, quando Moniz Bandeira morava em Paris. Seu editor e amigo, Enio Silveira, escreveu-lhe, informando: “seu livro vai fazendo carreira brilhante; duas edições (seis mil e cinco mil) já se esgotaram. A terceira (quatro mil) sai dentro de alguns dias, totalizando quinze mil exemplares impressos do início de dezembro ao fim de janeiro. É um sucesso vigoroso”. Durante vários meses “O governo João Goulart” esteve em primeiro lugar na lista dos Best-sellers (não ficção), e mais de quarenta mil exemplares foram vendidos. Seu lançamento, em 1977, representou um desafio, um modo para forçar a abertura política.

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