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19
maio2014

Rompendo barreiras

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Joaquim-FalcaoJoaquim Falcão, diretor da Escola de Direito da FGV, recomenda três obras que o ajudaram a pensar o Direito a partir de outras óticas

Em 1928, final do julgamento de Antonio Gramsci pelo tribunal italiano, o procurador de Mussolini pede a pena de prisão perpétua, justificando: ‘Precisamos impedir este cérebro de funcionar’. Gramsci, um líder operário e intelectual marxista, vai para a prisão. Paradoxalmente, ali escreve seu maior livro: Cartas do Cárcere.

A obra foi uma das muitas a inspirar Joaquim Falcão, diretor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, estreante da coluna Prateleira. O jurista destaca a importância da publicação por, entre outras razões, “romper com o mecanismo marxista, que advogava a prevalência da infraestrutura econômica como definidora da vida social e do próprio comportamento dos indivíduos”. “Gramsci valorizou a cultura, a política, criou conceitos até hoje importantes como o de hegemonia, intelectual orgânico. Foi um pioneiro do moderno pensamento social”, afirma Falcão.

Outra obra de linha semelhante, também considerada muito importante para o jurista, é Casa Grande e Senzala, do sociólogo e antropólogo Gilberto Freire. De acordo com Falcão, o autor de Casa Grande e Senzala defende na obra uma tese muito simples: O Brasil precisa pensar o Brasil a partir do Brasil. “O direito brasileiro precisa pensar o direito e a justiça brasileira com os pés encharcados em nossa realidade. Ainda somos uns importadores de ideais, instituições e processos sub germânicos, sub saxões e sub latinos. Precisamos dialogar com todos eles, é verdade. Mas devemos deixar de ser subs. O universal não é igual”, afirma.

Por fim, Falcão indica a leitura de A Marcha da Insensatez: De Tróia ao Vietnã, de Barbara Tuchman, grande historiadora norte americana, já falecida. O jurista é só elogios à obra. E explica por quê. “Ela (a autora) faz uma pergunta básica: Por que quem já deteve o poder total, como Tróia contra os gregos, como a Inglaterra contra os americanos, a Igreja Católica contra Lutero, como os Estados Unidos contra o Vietnã, perde o poder total? Faz uma análise histórica decisiva sobre a importância do acesso à comunicação, aos centros de decisões do poder. Imperdível para os dias de hoje, de comunicação interglobal e interpessoal”, relata Falcão.

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