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Nem deus abdicou da experiência dos anciãos na condução dos homens

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(Editorial originalmente publicado na edição 6, 03/2000)

 
Tramita na Câmara Federal anteprojeto da reforma do Judiciário, apesar de já ter sido aprovada a matriz em primeira discussão, pendentes ainda de apreciação alguns destaques, entre os quais o que propõe a idade de 75 anos para a aposentadoria compulsória dos magistrados, o que representa o reconhecimento ao aprimoramento evolutivo, técnico e cientificamente alcançado com a melhoria das condições de vida e do profissionalismo, este adquirido pelo perlustrar dos anos de experiência e trabalho.
 
A dilatação proposta para a compulsoriedade dos magistrados na atividade jurisdicional, mais que a praticidade no aproveitamento da experiência de longos anos de profissão judicante e de muito trabalho, reflete o pensamento do destacado filósofo-jurista Norberto Bobbio, como disposto na sua engrandecida obra “O Tempo da Memória”: “os resultados do pensamento, de caráter e de juízo não diminuem mas aumentam com a idade”, faz crer que o bom senso, a lógica e o discernimento dos membros da Câmara dos Deputados, na apreciação do referenciado destaque, que eleva o limite para o setenta e cinco anos dos magistrados, seja apreciado com ponderada reflexão.
 
Não é plausível, que na apreciação da matéria enfocada neste editorial, os senhores deputados federais deixem de refletir no inominável desperdício de cultura e experiência dos magistrados, que, mesmo atingindo 70 anos de idade, ainda desfrutam de plena sabedoria jurídica e experiência, adquirida e formada nos seus longos anos de estudo e trabalho.
 
Como exemplos e paradigmas de aptidões, bom senso, lógica e inteligência vivaz de longevos – que ultrapassaram 70 anos de idade –, estão essas figuras que transcendem pela lucidez de raciocínio, exposição e liderança: Barbosa Lima Sobrinho, Roberto Marinho, Cardeal Evaristo Arns, Roberto Campos, Arnaldo Sussekind e tantos outros que ainda estão pervagando e pregando civismo, dignidade e patriotismo, sem citar também os grandes vultos da humanidade que após a idade provecta beneficiaram o mundo com suas descobertas.
 
Se nem Deus abdicou à experiência dos anciãos na condução dos homens, por que haveriam os responsáveis pela feitura das leis, de desprezar e desperdiçar a inteligência dos sábios que as aplicam e distribuem a Justiça?