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30
jun2010

Três exemplos de idealismo

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A revista “Justiça & Cidadania” realizou, no último dia 24 de maio, uma homenagem póstuma a Amador Aguiar, fundador do banco Bradesco. Em solenidade na sede da instituição, em Osasco, São Paulo, a direção da publicação inaugurou a estátua de Dom Quixote. Nesse dia, premiou ainda Lázaro Brandão, Presidente do Conselho de Administração do Bradesco, com o troféu Dom Quixote, pelos relevantes serviços que prestou ao País, em prol do desenvolvimento econômico e social.

Ambas as homenagens ocorreram com anuência da Confraria Dom Quixote, que integra a revista “Justiça & Cidadania”.

Esta edição traz os detalhes do evento, que reuniu importantes nomes do mundo jurídico e empresarial. A seguir, confira os discursos de Tiago Salles, diretor da revista “Justiça & Cidadania”; Orpheu Santos Salles, editor da revista “Justiça & Cidadania”; Massami Uyeda, Ministro do Superior Tribunal de Justiça; e Lázaro Brandão, Presidente do Conselho de Administração do Bradesco.

“A Confraria Dom Quixote e a direção da revista “Justiça & Cidadania”, com o oferecimento da estátua de Dom Quixote, perpetuando a memória do saudoso e celebrado Amador Aguiar, e outorgando ao eminente cidadão Lazaro de Mello Brandão, o troféu de Dom Quixote, externam os agradecimentos ao Sr. Luiz Carlos Trabuco Cappi, Presidente do Banco Bradesco e membro emérito da Confraria Dom Quixote, pela oportunidade concedida para que as justas e devidas homenagens pudessem ser prestadas”, afirmou Opheu Salles, na solenidade.

Dando início às solenidades, falou o Diretor da Revista, Tiago Salles:

“Entre o cafezal e o sonho, o garoto pinta uma estrela dourada na parede da capela. E nada mais resiste à mão pintora…’.

Este verso do poema ‘A mão’, uma homenagem do grande Carlos Drummond de Andrade ao fabuloso artista Cândido Portinari, aplica-se a todas as pessoas que souberam transformar sonhos em realidade.

São homens e mulheres talentosos, abnegados e com espírito empreendedor, que impulsionam gerações, revolucionam conceitos e contribuem para a melhoria da vida de suas comunidades e o progresso de seus países.

São protagonistas de transformações positivas. Por isso, sua obra e seus legados são infinitos e imortais.Este é exatamente o exemplo de Amador Aguiar, fundador do Bradesco, a quem a Confraria Dom Quixote e a revista ‘Justiça & Cidadania’ têm a honra de prestar esta homenagem póstuma.

É o nosso mais profundo reconhecimento à contribuição de Amador Aguiar à prosperidade do Brasil.

Meus amigos, é também com imensa alegria e emoção que entregamos o Troféu Dom Quixote a Lázaro de Mello Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco.

Continuador da obra de Amador Aguiar, ele é outro desses seres humanos que transformam positivamente a história.

Exemplo é a Fundação Bradesco, que já formou mais de quatro milhões de alunos, dando significativa contribuição ao ensino, elemento fundamental ao desenvolvimento!

Movido pelo ideal e competência de seus principais dirigentes, o Bradesco é uma instituição exemplar. Embora privado, é o único banco presente em todos os municípios do Brasil, prestando inestimáveis serviços à população. Uma atitude coerente com a mensagem central de sua atual campanha publicitária, que diz: “Atender é ser presente”.

Esta, também, é meta da revista ‘Justiça & Cidadania’. Queremos ser presentes em cem por cento dos gabinetes dos magistrados do Brasil. Para o sucesso nessa conquista, precisamos amealhar apoios e nos espelhamos na trajetória do Bradesco e de seus grandes dirigentes.

Como eles, acreditamos na capacidade de transformar sonhos em realidade, na ética acima de tudo e na fidelidade aos princípios, valores simbolicamente expressos na figura de Dom Quixote! É por isso que valorizamos e disseminamos a Justiça, esta fiadora dos direitos e deveres e um dos alicerces básicos da democracia!

Muito obrigado!

Após a exposição de Tiago Salles, o Presidente do Banco Bradesco, Sr. Luiz Carlos Trabuco, em nome da Organização, deu as boas-vindas aos promotores da festividade e às personalidades presentes, agradecendo, em nome da Organização Bradesco e da família do Sr. Amador Aguiar, o comparecimento e as honrarias prestadas ao fundador do Bradesco, com a inauguração da Estátua de Dom Quixote, em tributo ao trabalho e às realizações do saudoso presidente, e ao seu amigo e companheiro, Sr. Lázaro Brandão, Presidente do Conselho de Administração do Bradesco, continuador e grande realizador da expansão e engrandecimento da Organização Bradesco, pelo recebimento da merecida outorga do Troféu Dom Quixote.

Em seguida ao pronunciamento do Sr. Luiz Carlos Trabuco, discursou o Sr. Bernardo Cabral, Presidente da Confraria Dom Quixote, ressaltando a importância do significado da inauguração da Estátua e da outorga do troféu Dom Quixote, homenageando as figuras do saudoso Amador Aguiar e de Lázaro Brandão, seus velhos amigos desde quando exerceu a presidência nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, e ainda Senador da república, enaltecendo a pregação cívica e social a que os homenageados se dedicaram, e implantaram em todo o Brasil, colhendo os resultados, tanto na grandeza do Banco Bradesco como nos resultados proporcionados em benefício do progresso econômico, comercial e industrial do País, além da incomensurável obra social e educacional que promovem através da Fundação Bradesco.

Bernardo Cabral realçou a lembrança que o Editor da Revista teve nas homenagens prestadas pela Confraria Dom Quixote e direção da revista “Justiça & Cidadania” às duas grandes personalidades de Lázaro Brandão e do saudoso Amador Aguiar, que Orpheu conheceu quando participante da comitiva do Presidente Getúlio Vargas, na visita à cidade de Marília. Orpheu teve em seus longos 89 anos de vida glórias e percalços: no final do governo do Presidente Vargas, após sua morte, por divergências funcionais com autoridades da Marinha, pela efetiva participação na conciliação da greve da Marinha Mercante, foi perseguido e demitido. No dia 31 de março de 1964, Diretor de Jornalismo na Rádio Marconi, São Paulo, defendendo no microfone o governo constituído de João Goulart e contestando o golpe militar, foi o primeiro preso político a ser recolhido aos cárceres do Dops, tendo papel de destaque político na luta pela restauração democrática, tendo sofrido perseguições, humilhações, amarguras, sofrimentos, prisões e inclusive torturas. No navio Raul Soares, onde ficou trancafiado pela ditadura militar, produziu um poema épico que serviu de prefácio do livro “Navio Presídio”, do jornalista Nelson Gato. São versos lancinantes sobre as misérias acontecidas a bordo, como declamou:

O NAVIO PRESÍDIO

E quando a noite pesada de silêncio

Chegou torturando as multidões aflitas,

O Torquemada indígena reeditou a sina,

Que afligiu a terra ibérico-latina.

E a Inquisição renasceu em nossa pátria,

Ferindo forte, com ódio, vingança e infâmia,

Como se este povo não fosse só de irmãos,

Trabalhadores, poetas, professores e cristãos.

Da Guanabara, loira, radiosa e bela,

A opressão mandou o carcomido barco,

Com seu casco negro, infecto, apodrecido,

Para encarcerar pais, irmãos,  filhos e netos.

Ó negro navio de triste sina,

Antes de houvera o mar tragado,

Quando navegas impávido e imponente,

A te transformares no terror da tua gente!

As merecidas e reconhecidas homenagens que o saudoso Amador Aguiar e essa grande personalidade de Lázaro Brandão recebem por iniciativa de Orpheu Salles, em nome da revista “Justiça & Cidadania” e participação da Confraria Dom Quixote, com a grata aquiescência do Presidente Luiz Carlos Trabuco, se consubstanciam no pleno e devido reconhecimento dessas duas importantes pessoas, às quais o Brasil tanto deve pelo muito que fizeram em benefício da sociedade e da Nação.

Após o pronunciamento de  Bernardo Cabral, falaram o Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Massami Uyeda, e o Editor da Revista, Orpheu Salles, cujos discursos são adiante transcritos:

Discurso proferido pelo Ministro Massami Uyeda

“A Confraria Dom Quixote, na forma como se apresenta, foi concebida por Orpheu Santos Salles, Editor da Revista “Justiça & Cidadania”, e, se pudermos conceituá-la, diríamos tratar-se de uma organização não-governamental, na sua mais pura acepção, pois não recebe qualquer auxílio, subvenção ou patrocínio oficial, constituída por homens e mulheres que se destacam na defesa dos valores da ética, da justiça, da cidadania, do amor, da fidelidade, da coragem, da renúncia, da determinação e no respeito à dignidade humana.

Sua sede social se localiza onde se congreguem pessoas imbuídas do mesmo ideal e propósito e suas assembleias realizam-se em foros previamente eleitos. Ou seja, ela está sediada em todo lugar onde se reúnam pessoas que vibram nesta mesma sintonia.

Sua denominação ostenta como dísticos as figuras magistrais de Dom Quixote e Sancho Pança, criações geniais de Miguel de Cervantes, ao retratar a “aspiração de D. Quixote à aventura, o seu desejo de renovar, no mundo povoado de injustiças, do seu tempo, a ação purificadora da andante cavalaria, e de operar essa ação pelo dom de si mesmo, é, em si, um dos anseios a que tendeu o espírito humano”, no dizer de San Tiago Dantas (in “D. Quixote – Uma apologia da alma ocidental”, Editora Universidade de Brasília, 1997, p. 27).

Ao traçar o perfil de Sancho Pança, o qual, ao se referir a seu amo, o tinha na conta de louco rematado, pelos desatinos e pela insensatez de seus atos e palavras, para, em síntese conclusiva, arrematar tratar-se seu senhor, Dom Quixote, de mentecapto, mas, por fim, ao cabo de sua convivência estreita, em diálogos confidenciais, e que constituem toda a trama da novela cervantina, ao longo das jornadas pelos ensolarados caminhos da Espanha, convivendo com o ideal de salvar a todos, como aspirava seu senhor, tal qual um salvador, o escudeiro assim contagiado, torna-se mais sério, mais sábio e mais sensato, conservando sua condição humana, porém aderindo à nobre causa, para proclamar, em verdadeiro e autêntico édito de fidelidade, que sua sorte: “…não está na minha mão: tenho de segui-lo. Somos da mesma aldeia: tenho comido do seu pão, quero-lhe bem, sou agradecido, deu-me as crias de sua égua, e, sobretudo, sou fiel. Portanto, é impossível que nenhuma outra circunstância nos separe, a não ser a pá e a enxada do coveiro”.

Com estas considerações, reúne-se a Confraria para entregar os Troféus Dom Quixote e Sancho Pança às personalidades que se destacaram na defesa da ética, da justiça, dos valores da cidadania, defesa esta que, ante cenário hostil ao culto e preservação destes valores, faz com que se assome a figura do Cavaleiro da Triste Figura, portador da mensagem de purificação do mundo pelo dom de si mesmo, cujas ações frutificam pelo exemplo e pela força espiritual que irradiam, em luta contra o Cavaleiro dos Espelhos.

“Este mundo de hoje reclama a volta de Dom Quixote, pelo sentido de pureza, fidelidade, amor, coragem, renúncia, dignidade e determinação — por sentir que sem eles a sua vida não teria sentido. De todos os lados, sob os mais variados e diversos nomes e as mais contraditórias aparências, o que o homem de nossos dias pede e reclama, o que ansiosamente espera, é o retorno de Dom Quixote”, no dizer de Orpheu Santos Salles.

Homenageiam-se personalidades que se destacam nas mais variadas áreas de atuação humana: nos cenários jurídico, político, empresarial e na seara educacional; todas elas tendo em comum o ideal de darem-se de si para a causa do bem comum. Esta doação de si mesmo em prol dos demais é, na essência, a prática do amor, e o amor é o ponto de partida e o ponto de chegada da razão de existir.

A história da humanidade demonstra claramente que seu desenvolvimento está intimamente ligado ao crédito. Onde há crédito há desenvolvimento. Onde o sistema bancário é sólido, as crises não existem ou são superadas com maior rapidez.

Sem crédito as coisas não andam. O pequeno e o médio produtor ou empresário não conseguem se manter e os empreendedores não conseguem iniciar seus novos negócios e todo mundo perde. O país não cresce, o dinheiro não circula e não há aumento de renda. É ruim para todos.

É com satisfação que me encontro nesta tarde na sede de um dos maiores bancos da América Latina, que se iniciou, há 67 anos, no interior de São Paulo, na cidade de Marília, e que, através da visão empreendedora de Amador Aguiar, se faz presente em todas as Unidades Federativas do Brasil e em milhares de municípios.

Destaco, dentre os muitos fatos de contribuição para o crescimento do Brasil, algo que me é muito significativo e que ocorreu na década de 40 e inícios dos anos 50. Falo da então ousadia do Bradesco em oferecer crédito aos imigrantes e descendentes de imigrantes japoneses, alemães e italianos, os quais, em consequência da 2ª Guerra Mundial, sofreram restrição de crédito por determinação governamental.

O oferecimento de crédito àquelas famílias transformou suas vidas e proporcionou a geração de riqueza advinda da agricultura, do comércio e da indústria, setores aos quais aqueles empreendedores se dedicaram. Isso foi benéfico para eles e para o Brasil.

Sou testemunha viva dessa realidade. Meu saudoso pai, Ichiro Uyeda, foi cliente do Bradesco nesta ocasião e, como empreendedor que era, foi um dos pioneiros da industrialização no interior paulista, nas cidades de Lins e Guaiçara, onde montou uma fábrica de carroceria de ônibus e também se dedicou ao comércio.

Certamente milhares e milhares de cidadãos têm histórias para contar, de como o crédito transformou suas vidas.

Outro destaque que faço é a respeito do importante papel social do Bradesco através de sua Fundação, contribuindo na educação e formação de milhares de crianças e jovens, dando-lhes um novo futuro, oferecendo-lhes novas perspectivas de vida. Quem põe no bom caminho uma criança está plantando uma semente que transforma e tem influência não somente na vida daquela criança, mas também e com consequência nas gerações futuras, ou seja, nos seus descendentes.

O que relatei acima é o espírito de Dom Quixote, que a Confraria Dom Quixote valoriza e estimula.

O monumento que se erige com a figura de Dom Quixote na sede desta portentosa organização, e que, na realidade, é a família Bradesco, representa a identidade de Amador Aguiar com os seus nobres ideais e sua visão empreendedora. Ele servirá de marco referencial não só para a geração de quantos com ele conviveram, mas também para as futuras gerações, como farol de propagação do idealismo e da confiança na força do trabalho.

No futuro, se alguém por aqui passar, neste belo jardim, e indagar o que significa esse monumento, receberá a resposta de que é uma homenagem em reconhecimento aos serviços prestados para a sociedade brasileira por um homem de nobres ideais, empreendedor, de origem humilde e que não mediu esforços para realizar seus sonhos através do trabalho.

A história de vida de Amador Aguiar é um poderoso exemplo e estímulo para quem tem sonhos. Ele realizou os seus sonhos através do trabalho. Não podemos parar de sonhar, e, de modo algum, devemos desistir de conquistá-los.

Muito obrigado!

Discurso proferido pelo Editor da revista Justiça & Cidadania, Orpheu Salles

“Os versos épicos declamados pelo Senador Bernardo Cabral rememoraram os tempos em que a ditadura militar assombrava o País com as atrocidades prati­cadas indistintamente contra aqueles que não se conformavam com a queda do regime democrático e as prisões indiscriminadas feitas contra a população. Lembraram também o poema que fiz retratando aspectos dolorosos por que passavam os prisioneiros nos porões do navio Raul Soares, fundeado no estuário do porto de Santos, e que serviu de prefácio do livro “Navio-Presídio”, do jornalista Nelson Gato, prisioneiro também torturado na fatídica embarcação. Esses versos trazem hoje, nesta festividade, a lembrança de vultos históricos de passado recente, para vinculá-los com as homenagens que são prestadas pela Confraria Dom Quixote e a revista ‘Justiça & Cidadania’ a duas personalidades que dignificaram e dignificam o gênero humano.

Amador Aguiar, saudoso varão, verdadeiro Bandeirante do século XX, e que em sua honra e memória perpetuamos, inaugurando a estátua de Dom Quixote de La Mancha, cujos dogmas e simbolismo de coragem, ética, dignidade, amor, renúncia e determinação se lhe coadunam pelos mesmos princípios que adotou em vida. E foi com trabalho e obstinação que da cidade de Marília, interior de São Paulo, transformou em 1943 uma pequena Casa Bancária na maior organização financeira do País, constituindo o estabelecimento que denominou Banco Brasileiro de Desconto – Bradesco.

Lázaro de Mello Brandão, seu amigo fiel e companheiro de todas as horas, continuador e propulsor das grandes realizações da organização, especialmente na Fundação Bradesco, onde, com profícuo trabalho e ação nas áreas sociais e educacionais, proporcionou ser a Fundação a maior entidade de ensino privada no Brasil. O exemplo de vida, ética e civismo, aliado ao trabalho diuturno, em especial às ações dedicadas à educação, lhe conferem a outorga do troféu Dom Quixote, entregue pelo senador Bernardo Cabral. Acresce ainda que o cidadão Lázaro de Mello Brandão, pelo padrão de dignidade cívica que ostenta, personifica e irradia, se constitui também na própria imagem de uma estátua andante.

Os discursos pronunciados pelo presidente da Confraria Dom Quixote, Bernardo Cabral, e pelo eminente Ministro Massami Uyeda, trazem à minha lembrança, por oportuna e coincidente,  uma outra grande personalidade, o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Mota, Arcebispo de São Paulo em 1964, quando, face o seu comprometimento com a democracia e amizade com o Presidente João Goulart, foi forçado a se transferir para o município de Aparecida, onde seu trabalho  e sua ação propiciaram a construção da grande catedral erigida nessa cidade.

De uma feita, ao visitá-lo, relatei as amarguras, humilhações e prisões que vinha sofrendo, e trago ainda na memória o consolo e ânimo que deu e transmitiu para enfrentar as vicissitudes por que passava: ‘um homem de dignidade e coragem tem que se portar com ânimo e esperanças, enfrentando adversidades e se conduzindo como uma vela acesa: de pé e iluminando até o fim.’ A lembrança desse magnífico, culto e sábio prelado, vem à mente neste momento e solenidade, em que a Confraria Dom Quixote e a direção da revista ‘Justiça & Cidadania’ homenageiam duas personalidades extraordinárias, Amador Aguiar e Lázaro de Mello Brandão, cujo trabalho e ação sublimam pelos resultados e praticidade que identificam e consagram no mundo os grandes homens.

Da citação evocada pelo eminente Cardeal Mota, pode-se dizer que Amador Aguiar foi mais que uma vela; simbolicamente ele foi uma tocha que empunhou durante sua vida, e a manteve bem acesa no alto de uma pira, iluminando e traçando destinos e realizações, alcançando e conseguindo, através do trabalho, perseverança e determinação, as grandes vitórias e progressos que se constituíram na Organização Bradesco.

Amador Aguiar e Lázaro Brandão. Lembro-me de tê-los conhecido há mais de meio século, participando da comitiva do Presidente Getúlio Vargas, que visitava o município de Marília, a instâncias do político Arquimedes Manhães, para conhecer plantações de algodão e de amoreira e uma indústria têxtil de seda, do fazendeiro e industrial Iasutiro Matsubara. Amador Aguiar já se foi, mas deixou plantada não somente em Osasco, mas em todo o Brasil, essas grandes obras que são a Organização Bradesco e a Fundação Bradesco. Aqui neste mesmo salão, no dia 12 de fevereiro de 1990, Lázaro Brandão recebeu de Amador Aguiar o comando da Organização, representada pela presidência do Conselho de Administração, entregando-lhe simbolicamente, a mesma tocha que iluminou sua trajetória à frente do Bradesco, confiando-lhe a mesma missão de continuar o trabalho de engrandecimento da Organização financeira e da Fundação Bradesco, no atendimento social e especialmente no educacional, valendo lembrar esta sua oração cívica: ‘Cremos na educação como fator decisivo do desenvolvimento e instrumento indispensável à realização pessoal do ser humano, através da sua integração na força do trabalho’.

Nestes 20 anos à frente do Conselho de Administração, o Sr. Lázaro de Mello Brandão excedeu em muito a confiança que lhe foi entregue por Amador Aguiar: o Bradesco se tornou a maior organização financeira e a Fundação Bradesco é hoje a maior entidade de ensino privada no Brasil, tendo atendido desde sua fundação a mais de 2.288 milhões de alunos em seus 40 estabelecimentos de ensino, que somados em outras modalidades de ensino, em cursos presenciais e à distância, ultrapassam 3.452 milhões de atendimentos, valendo afirmar que somente no ano de 2009 superou o atendimento para 431 mil atendimentos, dos quais 108.825 foram a alunos em suas escolas próprias. Que o simbolismo da tocha, significativa do otimismo, trabalho, realização e determinação, empunhada com galhardia pelo Sr. Lázaro Brandão, continue, com denodo e determinação, a iluminar a grande trajetória da Organização Bradesco.

A Confraria Dom Quixote e a direção da revista ‘Justiça & Cidadania’, com o oferecimento da estátua de Dom Quixote, perpetuando a memória do saudoso e celebrado Amador Aguiar, e outorgando ao eminente cidadão Lazaro de Mello Brandão, o troféu de Dom Quixote, externam os agradecimentos ao Sr. Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Banco Bradesco e membro emérito da Confraria Dom Quixote, pela oportunidade concedida para que as justas e devidas homenagens pudessem ser prestadas.

Na solenidade foi exibido o filme da Fundação Bradesco, com aspectos dos serviços sociais e educacionais prestados aos funcionários e seus familiares, com destaque aos ensinos básico e técnico, prestados nas 40 Escolas próprias, aos 180.825 alunos, no ano de 2009.

A estátua de Dom Quixote de La Mancha foi descerrada pelo Sr. Lázaro Brandão, familiares do Sr. Amador Aguiar, Sr. Luiz Carlos Trabuco, Sr. Bernardo Cabral e Sr. Orpheu Salles. A outorga do troféu Dom Quixote ao Sr. Lázaro Brandão foi procedida pelo Sr. Bernardo Cabral.

O Sr. Laudo Natel — que possui entre as suas honrarias ter sido, juntamente com Amador Aguiar e Lázaro Brandão, um dos incentivadores e financiadores da construção do estádio do Morumbi — membro do Conselho de Administração do Bradesco, ex-governador do Estado de São Paulo, companheiro de Amador Aguiar, relembrou passagens da convivência com o saudoso amigo e a sua persistência cotidiana no exercício do trabalho. O Sr. Laudo Natel, encerrando a solenidade, discursou o Sr. Lázaro de Mello Brandão, Presidente do Conselho de Administração do Bradesco.

Discurso proferido pelo Presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Sr. Lázaro Brandão

“Caríssimos membros da Confraria Dom Quixote e revista ‘Justiça & Cidadania’, autoridades presentes, senhoras e senhores,

Em nome da Organização Bradesco, agradeço à Confraria pelo honroso troféu Dom Quixote a mim conferido, e que muito me envaidece. Os valores que se cultuam nesta Confraria são dignos, perenes e imprescindíveis, como a crença na humanidade, na coragem, na justiça e na lealdade.

Ao longo dos anos, partilhei da frutífera convivência com Amador Aguiar, um homem de ação e decisão. Com otimismo e determinação, concretizou seus ideais, acreditou na vocação brasileira para o progresso. O Bradesco e a Fundação Bradesco são resultados de sua visão positiva da vida.

Neste momento em que a Confraria Dom Quixote e a Revista “Justiça & Cidadania” o homenageiam, invocamos sua ação como um paradigma, uma referência.

A presença aqui, hoje, é um ato de generosidade desta Confraria, que estará sempre em minha memória.

Muito obrigado!