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Mobilidade e Diálogo

27 de abril de 2015

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dialogoSão dois projetos com a mesma proposta social: incentivar a participação dos jovens no debate e na construção de um sistema de mobilidade urbana eficaz e eficiente. Nesse sentido, a área de Responsabilidade Social da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) vem desenvolvendo e investindo, desde 2010, em projetos como o “Mobilidade Sonora” e o “Diálogo Jovem sobre Mobilidade”.

O primeiro, “Mobilidade Sonora”, nasceu em 2011, para apoiar a formação musical de jovens talentos que participam do projeto “Villa-Lobos e as Crianças”, por meio da oferta de transporte gratuito para seus participantes, em sua maioria beneficiários de projetos sociais realizados por Organizações Não Governamentais e alunos de escolas da rede pública de ensino.

Os resultados do projeto podem ser conferidos nos números expressivos alcançados: cerca de seis mil jovens se deslocam anualmente de ônibus como parte do programa.

Em paralelo, a busca do entendimento a respeito da mobilidade foi a semente do projeto “Diálogo Jovem sobre Mobilidade”. Criado em 2012, o programa surgiu para dar voz aos jovens de diferentes regiões do Estado do Rio de Janeiro, de forma a permitir que eles relatem suas experiências como usuários do sistema de transporte e contribuam para sua transformação. O grupo, formado por universitários, busólogos e estudantes da rede pública de ensino, participa de oficinas que ensina a se expressar melhor no dia a dia, a atuar como jornalista cidadão e metodologias do diálogo, de forma a gerar o protagonismo e o empoderamento desses jovens na condução dos diálogos sobre mobilidade em seus grupos de convivência.

“Mergulhamos nesse tema para que o jovem entenda a mobilidade como um todo. Ainda que isso seja importante, não ficamos discutindo se o ônibus parou ou não no ponto, mas sim o que é preciso ser feito para melhorarmos a qualidade de vida da população. Trabalhamos questões estruturantes em encontros periódicos entre os jovens e as partes envolvidas no processo para debater propostas para o sistema, utilizando sempre metodologias participativas e o diálogo aberto. O projeto está rompendo todas as barreiras. Por exemplo, quando temos uma reunião de diretoria, eles participam de igual para igual, o diálogo é na horizontal. Esse é um grande diferencial, uma verdadeira quebra de paradigma para nós”, afirma Márcia Vaz.

Criado pelos participantes do programa, o “Jornal Diálogo Jovem” tem por objetivo incentivar e inspirar uma melhor experiência do passageiro no seu dia a dia no transporte público. “A pauta é decidida pelos jovens, que também respondem pela produção dos vídeos e das matérias. Já tivemos em uma delas mais de oitenta mil visualizações com mais de 400 mil pessoas impactadas”, completa Márcia, orgulhosa com o resultado do projeto.

Os esforços desses jovens serão recompensados em breve. Em junho deste ano, três integrantes do programa participarão de um congresso de transporte mundial em Milão. “A ideia é que eles cubram os seis dias de evento e postem na página do “Diálogo Jovem” no facebook, em tempo real, entrevistas com personalidades e estudiosos do transporte público em todo mundo”, afirma Márcia.

Na prática, os dois projetos, “Mobilidade Sonora” e “Diálogo Jovem Sobre Mobilidade”, fazem parte da área social da Fetranspor, isto é, a Fetranspor Social, criada há cinco anos. Márcia Vaz explica: “Estamos atendendo a um anseio da sociedade, em uma proposta em que todos ganham: cidadãos e empresas. Inicialmente, trabalhamos para fazer um diagnóstico e entender como era o sistema, o quê era percebido como responsabilidade social, como se diferenciava o investimento social privado. Hoje, temos uma trabalho consolidado nesse sentido e definimos um eixo estratégico que vem se revelando vitorioso.” A avaliação de Márcia encontra ressonância na própria receptividade dos programas, hoje integrados aos eventos comemorativos dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro.

Captura de Tela 2015-04-27 às 11.16.01Formando futuros músicos 

Estudar música custa caro. Não apenas pelos instrumentos, mas também pelo custo com locomoção. Foi o que a Fetranspor constatou logo que passou a dialogar com a juventude e a dar vida à sua área social. Os músicos iniciantes têm ensaios quatro vezes por semana e muitos deles não teriam condições de pagar pela passagem. Além dos ensaios, é comum que se apresentem em espaços culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Museu Histórico Nacional, distantes de sua moradia, o que tornaria os investimentos ainda mais elevados. Com a parceria, tudo fica mais fácil.

Assim, o “Mobilidade Sonora” transpôs a barreira do sonho para a realidade, ganhando popularidade. O projeto reúne jovens das mais variadas localidades também com o propósito de despertar vocações musicais. Além da mobilidade urbana propriamente dita, a ideia é facilitar a mobilidade social. Sendo assim, fica mais fácil atrair atenção da juventude, despertando sobretudo a sensibilidade para a música clássica, de uma forma lúdica e identificada com a realidade dos participantes. O fio condutor da proposta da Fetranspor Social é a realização dos concertos didáticos, oportunidade em que os jovens aprendem tanto sobre a arte musical como sobre questões ligadas à cidadania.

São conquistas graduais, sedimentadas passo a passo. Segundo Márcia Vaz, um dos principais desafios vencidos foi aproximar esses jovens da música clássica. “Em 2014, criamos um repertório com trilhas sonoras de filmes para que os jovens começassem a ver que a música clássica faz parte do dia a dia deles. Todos ficam encantados, por exemplo, quando veem que podem tocar samba, funk e outros estilos musicais em arranjos clássicos de música erudita”.

Da mesma forma, procura-se diversificar os locais de apresentação. Além dos palcos, os concertos didáticos acontecem em espaços abertos, como terminais rodoviários, por exemplo. “As pessoas amam. Existe uma interação muito grande com todos os tipos de público. Garantimos o transporte dos músicos e das crianças até o equipamento cultural, oferecemos lanche, brindes, entre outros benefícios. É um projeto que envolve todo mundo, até o motorista do ônibus, que entende a necessidade daquelas crianças e os sonhos que ele está ajudando a realizar. O sucesso de projetos assim depende disso: de todos se sentindo parte das realizações”, avalia Márcia.

Diálogo com a população

Márcia Vaz trabalha com responsabilidade corporativa na área social há duas décadas. Pela experiência, entende que três eixos estratégicos são hoje indispensáveis: diálogo, engajamento e parcerias. No caso da Fetranspor Social, o diálogo e o engajamento vêm se tornando vitais. “Significam escutar de verdade e dar retorno sobre os pontos de vista apresentados, buscando melhorar realmente, mas sempre respeitando o outro”, argumenta Márcia. “Esse diálogo que promovemos ocorre em vários momentos e instâncias, pois estamos presentes em diversos grupos que representam a sociedade, como nas secretarias de Educação, de Direitos Humanos, de Transporte e de Segurança. O engajamento é indispensável.”

No campo das parcerias, o leque se torna mais amplo a cada dia. Além do Governo do Estado e da Prefeitura, onde a participação é mais forte, já foram construídas parcerias com o Instituto Ethos de Responsabilidade Social, Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Entre as iniciativas da Fetranspor, pode se destacar o cartão Fetranspor Social, cujos créditos garantem o deslocamento do jovem beneficiário para participar de cursos de formação, ou ter acesso ao Tribunal de Justiça e, assim, conseguir se tornar uma liderança comunitária, levando conhecimento para a sua comunidade. Lembra Márcia: “A mobilidade urbana é um compromisso de todos. Quando olhamos uma cidade, é fácil constatar que não são somente as empresas de ônibus que irão resolver os problemas. É preciso dar acessibilidade, mas também é preciso que a cidade nos seja acessível. Isso exige cooperação e envolvimento. Se não prezarmos por um bem que é público, teremos prejuízos como sociedade. Por isso, nada melhor nessas horas do que usar a empatia, se colocar no lugar do outro, para que cada um entenda os seus direitos e deveres.”

Há, ainda, outro aspecto importante, como ela assinala. Sua área tem a responsabilidade de desconstruir a concepção histórica de que o transporte público é utilizado apenas por pessoas de baixa renda. “É preciso mostrar para a população que ficamos muitos anos sem investimento em mobilidade no Rio de Janeiro. A questão não é demonizar o carro, mas a nossa cidade precisa nos proporcionar qualidade de vida. Não desejamos uma cidade feita para carros, mas uma em que possamos circular, nos deslocar facilmente, não importa se a pé, de carro, de ônibus, de bicicleta ou de metrô”.

Márcia lembra que há vários projetos de grande impacto sendo discutidos atualmente, como o Bus Rapid Transit (BRT) da Transbrasil. “É o maior BRT do mundo, onde todas as partes envolvidas vão passar por uma prova de fogo, que é integrar o metrô e o trem para trazer um meio de transporte público mais rápido e mais confortável para quem vem da Baixada Fluminense. Enfim, temos vários desafios a enfrentar, mas todos com a expectativa de ótimos resultados”. Um novo salto no sentido da mobilidade cidadã que, certamente, vai soar como música não só para os jovens estudantes, mas para toda a população.

Conheça mais sobre ambos os projetos nas redes sociais: Facebook dialogojovem e Facebook mobilidadesonora.

 

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