“Quem semeia ventos, colhe tempestades” “Quem com ferro fere com ferro será ferido”

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(Editorial originalmente publicado na edição 20, 10/2001)
 
É em razão do sentido implícito e lógico destes provérbios, quando as ações belicosas espoucam no mundo, que a reflexão nos leva a motivos e razões que prenunciam a hecatombe. E também com reflexão, se pergunta quem são os culpados pela desgraças, pela fome e pelos morticínios que estão acontecendo no mundo.

Indubitavelmente são derivados da sede de conquistas, de terras e da disputa pela hegemonia de crenças, ânsia de poderes e riquezas, pouco importando aos poderosos e dominadores da economia do mundo, o sofrimento, a miséria, as doenças, a fome e a morte dos seus semelhantes.

Um artefato bélico, atirado das alturas mata centenas de milhares de homens, mulheres, crianças e idosos, completamente inocentes e alheios da guerra, mas, tudo é justificado com sofismas e desculpas insanas, de que o feito trouxe benefícios de menos vítimas e mortes. Não importa a justificativa de que os desaparecidos pela força destruidora atômica foram imolados para acabar com a guerra.

O término da última guerra mundial com a constatação da monstruosidade dos sacrifícios humanos ocorridos nos campos de concentração impostos por Hitler ao povo judeu, contribuiu para o aceleramento da criação do Estado de Israel que contou, aliás, com a efetiva participação do nosso saudoso embaixador Oswaldo Aranha, então ocupante da presidência da ONU. Na mesma sessão, em 19 de maio de 1948, em que foi aprovada a criação do Estado de Israel, também foi aprovado o Estado da Palestina, mas a sua criação tem sido obstaculizada por Israel, os Estados Unidos e a Europa, o que tem motivado as desavenças e desencontros armados entre os palestinos e israelenses.

E é fora de dúvida, que o que acontece hoje no mundo, com a proliferação do terrorismo e as conseqüências para a sua erradicação, são frutos da revolta no mundo árabe, em face da procrastinação efetiva da criação do Estado da Palestina, originando as lideranças inconformadas, que à falta de meios mais apropriados, partem para o terrorismo.

A atuação dos donos do mundo econômico, exploradores das riquezas do petróleo e minerais, e que se tornaram financiadores e conseqüentemente donos da política que governa e controla o poder das grandes nações, tem sido o entrave maior a impedir a criação do Estado Palestino.

A ocupação desmedida por Israel, contra resoluções da ONU, das terras pertencentes aos árabes, indiscutivelmente é o principal pomo da discórdia entre palestinos e israelenses, o que infelizmente, está propiciando o holocausto de gente inocente, principalmente mulheres, crianças e idosos, impingindo guerras no Oriente Médio e propiciando o criadouro de terroristas que continuarão a florescer.

Foi preciso a explosão de dois símbolos do poderio da maior potencia do planeta – o econômico e o militar – e com ela, o sacrifício de mais de seis mil inocentes para que Washington percebesse a sua vulnerabilidade, e pagasse o preço absurdo e trágico praticado por terroristas fanáticos, que se julgam justiceiros das atrocidades sofridas pelo seu povo.

O Oriente Médio, criador das grandes civilizações da antigüidade, transformou-se em barril de pólvora. A arbitrária divisão política das terras, a miséria do povo confrontando com a opulência do Estado, a exploração deturpada dos ensinamentos e mensagens do Alcorão são elementos que produzem a insatisfação, o ressentimento, a revolta e o ódio.

O lamentável do que acontece e fatalmente continuará a suceder, é que somente agora, depois de ter deixado o governo, o ex-presidente BILL CLINTON, reconhece, como afirmou recentemente, em discurso para executivos, jornalistas e formadores de opinião em Washington, que a pobreza, as desigualdades econômicas e ausência de democracia, adubam o terror e são fatores que alimentam a desesperança dos povos.

E disse mais: que os Estados Unidos deveriam compreender e enfrentar esses problemas, aumentando as oportunidades econômicas por meio da educação, promovendo a democracia no mundo, enfrentando as causas do mal que ameaça marcar o século XXI.

No seu discurso, CLINTON ignorou um ponto crucial para desenvolver a normalidade do mundo, mas foi lembrado por GEORGE W. BUSH. O presidente norte-americano afirmou ser partidário da aplicação das resoluções 242 e 338 da ONU para encontrar solução justa, global e definitiva da questão palestina. Ninguém duvida da importância do tema para a paz mundial. Ninguém duvida, também, do papel de Washington no jogo histórico. Enquanto os Estados Unidos continuarem somente do lado de Israel e não se empenharem efetivamente na instalação de um Estado Palestino, com recuperação das terras hoje invadidas e ocupadas por Israel, não haverá paz e o terrorismo continuará em todo o mundo, sacrificando inglória e infelizmente a humanidade.

O que acontece hoje no mundo, como conseqüência do definido nos provérbios bíblicos que encimam o Editorial, teriam que ser entendidos pelos governantes do planeta, para que a paz voltasse a imperar para tranqüilidade e sossego da humanidade.

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