Novos desafios só revigoram a advocacia

8 de abril de 2019

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Especialistas afirmam que a busca pelo curso de Direito continua em alta. Segundo eles, alguns motivos levam milhares de jovens a optar pela carreira jurídica, entre os quais: a grande oferta de cursos; a espetacularização de casos como os da Operação Lava-Jato, que evidenciam a participação de advogados, juízes, promotores e procuradores; as transmissões, muitas vezes ao vivo e em rede nacional, de sessões do Supremo Tribunal Federal; e o eventual acesso a diversas outras áreas de atuação, por meio dos concursos públicos.

Tais impressões podem nos remeter aos filmes sobre advogados e tribunais, tão bem produzidos por Hollywood, e que em outras épocas também influenciaram corações e mentes por contarem histórias ou basearem seus roteiros em fatos reais, com temas de obstinadas investigações, juízes, jurados, leis, convincentes advogados, loquazes promotores (Doze homens e uma sentença, Amistad, À espera de um milagre, A firma, A jurada, A testemunha, entre milhares de outros). Sem falarmos das recentes séries de TV, tão populares: Law & Order, The Good Wife, Suits

É certo que a vocação profissional poderá advir do ambiente familiar, porque avós, pais, tios ou parentes já atuam na carreira jurídica. Devemos ter ainda aquela situação tão bem descrita por Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece.”

Seja qual for o motivo, terminado o curso, a formação científica, o bacharel em Direito terá que definir o caminho a seguir. Muitas vezes já escolhido pelo estudante durante o período do estágio.

Para aquele que escolhe ser advogado, é importante destacar que temos atualmente, além das áreas tradicionais (que têm sofrido mudanças), outras novas que revigoram a profissão. Os advogados têm sido chamados a novos desafios (Direito Ambiental, Digital e da Internet, Compliance, Petróleo e Gás, Arbitragem, Mediação, Conciliação, Biodireito, Biotecnologia). Contudo, para acompanhar toda essa vertiginosa velocidade, nunca é demais destacar um dos imperativos da profissão: madrugar e anoitecer estudando. Estudar, estudar e estudar, este deve ser um lema, quase um mantra a ser seguido diariamente.

Vale ressaltar também outra circunstância a exigir a constante atualização dos advogados: as frequentes mudanças legislativas que ocorrem no País, como, por exemplo, a entrada em vigor do Código de Processo Civil de 2015, ainda a gerar debates e discussões sobre sua aplicação e mesmo interpretação; a reforma trabalhista, em fase de adaptação e criação de jurisprudência, e a previdenciária, que está por vir (aqueles que estiverem preparados e acompanhando desde já seu trâmite no Congresso Nacional encontrarão rapidamente soluções para os problemas trazidos pelo novo diploma legal). Sem mencionarmos os estudos para atualização do Código Comercial e a reforma dos Códigos Penal e de Processo Penal.

Outras oportunidades surgirão com a nova Lei de Proteção de Dados (Lei no 13.709/2018, alterada pela Medida Provisória 869/2018), que entrará em vigor em agosto de 2020 e trará às empresas a necessidade de adequação de todas as suas atividades no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais. As alterações serão significativas em processos, produtos e serviços de empresas, em todos os setores da economia, e os advogados terão papel fundamental na aplicação de mais este instrumento.

Um dos principais temas que também desafia os advogados no momento diz respeito à utilização da inteligência artificial no exercício da profissão. Muitos profissionais estão extremamente preocupados com a forma pela qual o uso da tecnologia vai impactar o dia a dia dos advogados, inclusive com a possibilidade de repercussão no mercado de trabalho. É por isso que os advogados precisam entender e se preparar para esta nova realidade, tudo para fazer com que o uso da inteligência artificial venha auxiliar o exercício da sua atividade e não prejudicá-la.

A propósito, pensando em contribuir para que o advogado acompanhe e se prepare para todas essas constantes mudanças, o Departamento Cultural da AASP mantém extenso calendário de cursos, seminários e palestras, realizados na sede em São Paulo, em outras cidades e transmitidos via satélite e pela Internet (www.aasp.org.br).

Além disso, sempre de olho nas tendências e exigências resultantes das mudanças no mercado jurídico potencializadas pela tecnologia, a Associação criou setor específico para acompanhar os avanços digitais que têm revolucionado o exercício da profissão e transformado o modelo de negócios dos escritórios e dos departamentos jurídicos das empresas, com o uso da automação, de softwares de gestão, redução de tempo e custo dos processos e a enorme capacidade de examinar, analisar e interpretar grande volume de dados quase instantaneamente.

Todas as inovações neste campo passam pela indústria composta de empresas que desenvolvem soluções com foco no mercado de serviços jurídicos, as legaltechs, cujas áreas de alcance vão desde a automação e gestão de documentos jurídicos até a utilização da jurimetria e análise estratégica de bases de dados para pesquisas jurídicas, entre outras.

Acreditamos que todas essas inovações e esse momento de transição tecnológica estão aí para revigorar a advocacia, o que exige preparo para novos desafios, pois não vai dar para ficar alheio a esse movimento.

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